Por Juliana Baierle
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho busca estudar sobre a importância da formação continuada para os professores de Arte. Deve-se pensar em como estimular o interesse do alunado da disciplina e o resgate da confiança dos professores através de programas de formação continuada, o intuito é dar suporte para o trabalho em sala de aula e também estudar sobre o contexto histórico da formação continuada.
Sabe-se que a formação para docentes teve início no século XIX, e vem sendo aperfeiçoada de acordo com a necessidade e com o contexto histórico em que vivemos, ela teve início com a formação inicial para os professores e só mais tarde dando ênfase a formação continuada em serviço.
As aulas de Arte trazem aos alunos a possibilidade de expressão, de autoconhecimento e crescimento pessoal, podendo através de diversas linguagens despertar o olhar crítico e criativo do aluno. Porém ainda hoje, muitas escolas acabam confundindo o período da aula de Arte como sendo de menor peso, comparada a outras disciplinas da grade curricular, usando o período para atividades extracurriculares, enfeitar a escola para alguma data comemorativa, como o dia das mães, dia dos pais, festa junina, entre tantas outras datas que o calendário escolar nos proporciona. É necessário que o aluno trabalhe essas datas, porém deve-se haver um estudo sobre o tema desenvolvido e suas técnicas, não apenas pensar a atividade com a finalidade festiva.
As tendências pedagógicas ultrapassadas são evidentes nas aulas de arte da escola pública. São refletidas na cópia de modelos, técnicas fragmentadas que podem partir da confecção de uma cadeirinha de pregador de roupa ou uma cruz de palitos de picolé até técnicas de desenho, expressão corporal e as bandinhas escolares ou cívicas nas quais as crianças reproduzem os modelos estereotipados em sua sonoridade, quando existem. Em algumas escolas as aulas de arte são usadas para conclusão de atividades de outras disciplinas, pois, muitos professores da disciplina são também professores de História, Filosofia, Sociologia, Desenho geométrico etc. (PEREIRA, 2012, p.6)
A formação continuada veio para suprir a deficiência na formação dos professores, muitas vezes esses não são formados na área ou já atuam a muitos anos e seus métodos estão ultrapassados.
Desta forma, busca-se suprir deficiências na metodologia, resgatar a autoestima, melhorar o desempenho e atualizar os professores de Arte para que com isso tenham mais confiança em seus métodos de ensino, afinal, o mundo está mudando e as práticas pedagógicas também devem se aperfeiçoar.
2 DESENVOLVIMENTO
A formação continuada para os professores é de suma importância, a tecnologia por sua vez chegou para mudar a maneira tradicional de ensino, disponibilizando diversas ferramentas que podem ser usadas para despertar a atenção e o interesse dos alunos.
Porém nem todos conseguem acompanhar a evolução dos meios digitais, não só por conta da tecnologia, mas também na sua área de atuação, e a formação continuada veio para suprir essa necessidade.
2.1 CONTEXTO HISTÓRICO DA FORMAÇÃO CONTINUADA
Na sociedade moderna iniciou-se a educação escolar, pois o homem precisava formar-se cidadão, e para isso a educação escolar ocupou papel fundamental. Foi com a criação das escolas que começou a se pensar nos profissionais da educação.
No Brasil as Escolas Normais começaram a surgir em meados dos anos 1870, destinado para a formação de professores.
Na década 1930, um conjunto de educadores entendia ser a educação elemento chave na reorganização da sociedade e da solução de seus problemas estruturais. Suas ideias são expressas em um documento denominado “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, escrito por Fernando de Azevedo e assinado por vários educadores, em 1932. Neste documento, o grupo propunha a organização de um sistema nacional de educação estruturado com base nos preceitos das novas ideias. (Saccomani, 2015, p.235)
Com a Escola Nova, um dos pioneiros, Anísio Teixeira, na época diretor-geral da Instituição Pública do Distrito Federal (1932), defendia que os profissionais da educação deveriam ser preparados de acordo com a sua função, o magistério. Assim, mais tarde ocorrendo não só no Distrito Federal como em outros estados brasileiros.
Ao longo da trajetória histórica da formação de professores no Brasil evidenciou-se que o embate de concepções ficou circunscrito a, grosso modo, duas propostas de formação de professores: de um lado defendia-se a ideia que os currículos dos cursos deveriam centrar-se nos conteúdos que seriam objeto da prática pedagógica; de outro, afirmava-se a necessidade de focalizar, na formação docente, nos métodos de ensino. (Saccomani, 2015, p.240)
Entende-se que o debate possibilitou colocar a escola como promotora do processo de humanização dos homens, e a valorização das escolas coloca em pauta novamente a formação dos professores.
A valorização do papel da escola de socialização do universo simbólico produzido historicamente recoloca a questão da formação de professores em bases qualitativamente divergentes das concepções hegemônicas atuais defendendo, na formação de professores, a necessidade de uma sólida e consistente formação teórica tendo como fundamento, finalidade e critério de verdade a prática pedagógica, entendida como prática social de humanização dos homens. (Saccomani, 2015, p.241)
Iniciou-se no século XIX, com a primeira formação para professores e hoje além da formação inicial, existe as especializações, e também a formação continuada em serviço que é feita regularmente nas escolas, e vem sendo aperfeiçoada de acordo com a necessidade e com o contexto histórico em que vivemos, a implantação da LEI Nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Artigo 61 diz:
Art. 61. A formação de profissionais da educação, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e as características de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos:
I – a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço;
O artigo 63 ainda diz:
Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão:
III – programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. (BRASIL, 1996)
Foi com esta lei que se deu a oferta de programas e cursos de educação continuada, com iniciativas em cursos de especialização genéricos e específicos para a formação profissional dos professores.
Existem diversos programas e cursos para educação continuada possibilitando aos professores diferentes meios de qualificação. Existem disponíveis no site do governo federal, portal do MEC (Ministério da Educação) programas federais em que os estados e municípios podem adotar e implantar nas suas escolas, possibilitando diversas maneiras de ensinar de acordo com a realidade, e cada programa fornece treinamentos para os professores da rede pública de ensino, por exemplo: Programa Mais Professores (com cursos de especialização e bolsas), além de cursos em plataformas como o Avamec e Aprenda Mais, entre outros.
Podemos destacar que a formação a distância é fundamental, pois se tornou um dos meios mais rápidos de formação dando condições a todas as pessoas.
No entanto, ampliou–se a formação a distância em cursos de formação de professores (não como educação continuada) – normal superior, pedagogia e licenciaturas diversas –, sobretudo pela oferta por instituições privadas, aí sim, de formação em regime consoante à legislação geral que se veio estruturando no que concerne à oferta a distância de cursos superiores de graduação. Recentemente houve reformulações normativas, revogando normas anteriores, que de certa forma aprimoram as condições de avaliação para credenciamento de instituições que queiram oferecer cursos a distância, inclusive os de educação continuada. (GATTI, 2008)
A educação a distância além de agregar para a formação, possibilita que todos possam ter acesso a meios e a materiais que amparam o seu crescimento profissional na área da educação.
2.2 FORMAÇÃO CONTINUADA PARA OS PROFESSORES DE ARTE
As aulas de Arte têm papel fundamental na formação do aluno, possibilitando diferentes formas de expressão, autoconhecimento e crescimento pessoal, através das diversas áreas (Artes Visuais, Dança, Música e Teatro) desperta no aluno um olhar mais crítico, reflexivo e criativo.
Ocorre frequentemente que os professores que ministram as aulas de Arte não sejam formados na área e por conta disso não tenham segurança para passar aos alunos os conteúdos específicos da área.
Acontece também que os professores que são formados e já atuam a muito tempo na área, não chamam mais atenção dos alunos pois seus métodos de ensino já estão ultrapassados.
A busca pelo conhecimento dá-se por diversas vias e uma delas é pelo acesso aos bens culturais. Por meio da arte, o sujeito amplia sua capacidade de reflexão e percepção, assim como sua sensibilidade. Vigotski (1999, p. 35) afirma que “o que não estamos em condição de compreender diretamente podemos compreender por via indireta, através da alegoria, e toda a ação psicológica da obra de arte pode ser integralmente resumida ao aspecto indireto dessa via”. Nesse sentido, na relação com a arte, o sujeito pode indiretamente se relacionar consigo mesmo, ampliar sua rede de compreensão do que o rodeia. A experiência estética pode ser um meio pelo qual o sujeito percebe melhor a si mesmo e seu entorno. (NEITZEL, A. A.; CARVALHO, C., 2013, p. 1023)
A formação estética pode-se dizer que é um meio em que o sujeito percebesse melhor a si e ao seu redor, e isso vem a interferir na sua forma de agir em sala de aula.
Nota-se que as formações para os professores trazem inúmeros benefícios tanto profissional quanto pessoal.
Embora a Formação Continuada não possa ser apontada como o fator determinante da atuação dos professores, passou a ser vista como importante espaço de apoio a seu fazer, ao propiciar condições para percepção das necessidades de seus alunos e de suas próprias, tanto nas dimensões individual (profissional e pessoal) quanto na coletiva, favorecendo a construção de alternativas criativas para atendê-las. (Revista Thema, 2010, p.10)
Deve-se ressaltar que cabe também a gestão escolar valorizar o trabalho de cada professor e sua área, entendendo e fazendo com que os demais professores da escola também compreendam que todas as disciplinas são essenciais na formação dos alunos, e isso é possível realizar através de programas como a formação continuada.
A apreciação artística, portanto, leva o sujeito a perceber-se no contexto em que está inserido, podendo esse movimento levá-lo a enxergar também o outro, num processo de autoconhecimento que o auxiliará a desenvolver seus sentidos e ampliar significados. (NEITZEL, A. A.; CARVALHO, C., 2013, p. 1024)
Nota-se que quando cada professor toma consciência de que não somente a sua área da educação é importante para a formação dos alunos, ele não só cresce profissionalmente como também pessoalmente, pois é refletindo no trabalho do outro que se desenvolve um autoconhecimento, e esse autoconhecimento possibilita a compreensão da escola como um todo.
Nesse sentido, a formação continuada busca suprir deficiências na metodologia dos professores, resgatando a autoestima dos mesmos, melhorando o desempenho em sala de aula e qualificando principalmente os professores de Arte para que tenham mais confiança em seus métodos de ensino.
A arte tem função básica na formação do homem e não é apenas por meio de atividades de natureza lógica e objetiva que ele desenvolve as competências necessárias para atuar no meio profissional, pois “[…] a arte no processo criativo-fruitivo constitui fonte de humanização e educação do homem” (PEIXOTO, 2003, p. 94). Sendo o professor a variável fundamental para se efetivar o processo de ensino e aprendizagem, um programa de formação necessita, para além da formação profissional, considerar a formação cultural do professor. (NEITZEL, A. A.; CARVALHO, C., 2013, p. 1029)
Sabe-se que as aulas de Arte são importantes para a formação de alunos mais críticos e reflexivos, porém são vistas ainda, como um momento de lazer. É necessário que seja disponibilizado para os docentes uma formação continuada cujo objetivo é primeiramente devolver a segurança e a criatividade para que mantenham na aula um interesse do alunado em aprender mais sobre os conteúdos.
Segundo a Revista Thema, 2010, p. 03:
Sabemos que a prática pedagógica dos professores de Arte, especialmente, nas redes públicas de ensino está bastante aquém do que desejaríamos que fosse e do próprio potencial problematizador e experimental da arte. A literatura científica sobre essa prática constata que o exercício da invenção escasseia nas aulas de Arte. O que se executa, nessas aulas, são, em grande medida, aplicações de métodos de trabalho importados do ‘exterior’ daquele contexto (muitas vezes extraídos de livros didáticos que oferecem modelos de atividades sem criatividade e reflexão) e, o que realmente sobeja, são atividades sem método algum.
Nesse sentido, buscamos na formação continuada suprir a deficiência no ensino de Arte pelos professores, buscando potencializar suas aulas, e dando ênfase ao objetivo da aula, que é de formar alunos capazes de se expressar através das diferentes linguagens que a disciplina oferece.
3 CONCLUSÃO
Observamos durante a realização deste artigo a importância de estar atento às mudanças ocorridas de acordo com o contexto em que vivemos, estar sempre em constante aprendizado, ter interesse em qualificar os métodos e técnicas de ensino, para só então estar preparado para entrar em sala de aula e além de ensinar os alunos cativa-los, para que esses gostem e notem a importância que a disciplina de Arte acarreta na sua própria formação.
A formação continuada para os professores de Arte busca suprir essa deficiência, dando a eles a possibilidade de se aperfeiçoar no campo artístico, compreendendo como funciona cada uma das linguagens artísticas para a autonomia do aluno.
Para Nóvoa (1992, p.25), a Formação Continuada de professores deve abordar três eixos estratégicos: a pessoa, o profissional e a instituição. Investir na pessoa e dar um estatuto aos saberes da experiência é fundamental em todo processo educacional pela compreensão de que a “formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim por meio de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de uma identidade pessoal. (Revista Thema, 2010, p.10)
Pode-se ressaltar que a formação continuada além de suprir a deficiência na formação, devolve a autoestima, dando capacitação e aprimoramento necessário para enfrentar as dificuldades que são impostas no dia a dia, pois nenhuma escola é igual a outra, cada região tem a sua realidade, realidade essa com características bem específicas, pois se em uma escola é disponibilizado materiais para os professores trabalharem com os alunos, em outra o próprio professor deve correr atrás do seu material, o que acaba sendo um dos motivos pelo qual o ensino não vem sendo no modo geral, tão satisfatório.
Conclui-se que para atingir um nível satisfatório de ensino, os professores de Arte devem estar em constante aprendizado, aprimorando e renovando seus meios de ensino através de programas como as formações continuadas para professores.
4 REFERÊNCIAS
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Macedo, Valcinete Pepino de. Formação de professores no contexto das mudanças educativas. 2011. Disponível em: https://www.anpae.org.br/simposio2011/cdrom2011/PDFs/trabalhosCompletos/comunicacoesRelatos/0525.pdf acesso em: 03/05/2021.
Pereira, Jaguaracyra da Silva Soares. A arte de olhar: O ensino de artes visuais numa perspectiva estética. 2012. Disponível em: http://educonse.com.br/2012/eixo_09/PDF/12.pdf acesso em: 15/04/2021.
Pinto, C. L. L; Barreiro, C. B; Silveira, D. N; Formação Continuada de Professores: Ampliando a Compreensão Acerca Deste Conceito. Revista Thema. 2010. Disponível em: http://periodicos.ifsul.edu.br/index.php/thema/article/view/19/19# acesso em: 11/04/2021.
Silva, E. M. A; Araújo, C. M; Reflexão em Paulo Freire: Uma contribuição para a formação continuada de professores. 2005. Disponível em: http://estacio.webaula.com.br/BiBlioTECA/Acervo/Basico/UN2802/Biblioteca_478487/TEXTO%20_%20Reflex%C3%A3o%20em%20Paulo%20Freire_.pdf acesso em: 15/04/2021.

















