A Polícia Civil realizou, na tarde desta quinta-feira, 16/04, em Soledade, uma coletiva de imprensa para apresentar informações sobre o andamento da investigação da tentativa de feminicídio praticada contra Daiane Luiza Martins, crime ocorrido em 10/12/2025, no bairro Expedicionário. Durante a manifestação, os delegados também confirmaram a prisão preventiva de um homem de 42 anos, atualmente custodiado na Penitenciária de Florianópolis, em Santa Catarina.
Conforme o delegado regional José Soares de Bastos, o inquérito policial teve uma primeira etapa concluída e foi remetido ao Judiciário com o indiciamento de dois suspeitos. Segundo ele, a apuração exigiu trabalho complexo e recebeu tratamento prioritário diante da gravidade do caso. “Nós concluímos o inquérito policial de alguma parte das investigações a respeito da tentativa de feminicídio que ocorreu em Soledade, no bairro Expedicionário”, afirmou.
O delegado Lucas Lima, que também falou durante a coletiva, explicou que a investigação aponta com convicção para a atuação do ex-companheiro da vítima como mandante do crime. “A polícia conclui com um certo grau de certeza e de convicção dos envolvidos na investigação que o mandante era uma pessoa obsessiva, que seria o ex-companheiro da vítima”, disse.
Segundo Lucas Lima, o histórico de violência vinha se agravando antes do atentado. A apuração indica perseguição, monitoramento da rotina da vítima, violência psicológica, controle excessivo e descumprimento de medidas protetivas. “Essa violência foi se escalando de acordo com o tempo, então ele não aceitava o término do relacionamento, era uma pessoa muito obsessiva, que monitorava os passos da então vítima”, declarou.
De acordo com a Polícia Civil, as provas reunidas indicam que o investigado teria contratado terceiros para executar o ataque. Parte das diligências ainda segue sob sigilo, especialmente em relação ao autor dos disparos e a outros possíveis envolvidos. Bastos ressaltou que o procedimento teve avanço suficiente para apontar autoria nesta fase da investigação. “Nós remetemos o inquérito a juízo com o encerramento dos dois suspeitos”, disse.
Durante a coletiva, também foi esclarecido que o suspeito preso não estava em Soledade no momento do crime. Segundo a investigação, ele teria deixado a cidade para tentar afastar suspeitas sobre a própria participação. Mesmo assim, a Polícia Civil sustenta que há elementos que o colocam como responsável pela articulação do atentado.
Ao comentar a prisão preventiva, José Soares de Bastos explicou que a medida não tem prazo determinado e permanece válida enquanto persistirem os fundamentos reconhecidos pelo Judiciário e pelo Ministério Público. “Essa prisão não tem prazo, então, enquanto persistirem esses fundamentos, esse perigo para a ordem pública ou para a vítima, a medida persiste”, afirmou.
Daiane foi atingida por disparos de arma de fogo quando chegava em casa, ainda no interior do veículo. Ela sobreviveu, mas ficou com sequelas graves. Conforme Lucas Lima, entre as consequências estão perda auditiva em um dos ouvidos e lesões na região do rosto. “Foi um crime bárbaro, covarde”, declarou.
A Polícia Civil informou que o inquérito teve uma conclusão parcial e que novas diligências seguem em andamento. A expectativa agora é pela análise do Ministério Público e pelas próximas definições do Poder Judiciário.



















