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Artigo – A importância da ludicidade na educação infantil

* Por Jaqueline Zappas

1 INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objeto de estudo a importância da ludicidade na Educação Infantil, mais especificamente a ludicidade no processo de ensino aprendizagem desta faixa etária. O aprender brincando, é acima de tudo uma investigação desafiadora que nos permite reflexões significativas para o entendimento a importância e significado da Educação Infantil.

Desta forma, a problemática trabalhada foi a importância de atividades lúdicas para as crianças na Educação Infantil, de modo a alertar nós professores, os pais e as instituições sobre a seriedade do brincar na Educação Infantil.

Segundo Fantacholi ([s/d], p.6), “Na educação de modo geral, e principalmente na Educação Infantil o brincar é um potente veículo de aprendizagem experiencial, visto que permite, através do lúdico, vivenciar a aprendizagem como processo social”. 

Logo, é na Educação Infantil que a criança inicia sua vida escolar, portanto é nesta fase que se desperta as curiosidades para o mundo, e sabemos que o brincar é essencial para as crianças, pois desenvolve a imaginação, a atenção, a memorização, facilitando o ensino aprendizagem na alfabetização da criança, por isso, este trabalho é muito importante, pois realizei uma pesquisa sobre a importância da ludicidade na Educação infantil, a fim de identificar qual o seu papel e suas contribuições no processo de ensino aprendizagem.

Para Fantacholi ([s/d], p. 5), “Por meio do universo lúdico que a criança começa a expressar-se com maior facilidade, ouvir, respeitar e discordar de opiniões, exercendo sua liderança, e sendo liderados e compartilhando sua alegria de brincar”.

Visando discutir sobre a importância da Ludicidade na Educação Infantil, foi realizado uma pesquisa bibliográfica de caráter descritiva e abordagem qualitativa do tema objetivando a compreensão da ludicidade no processo de ensino aprendizagem. A pesquisa bibliográfica segundo Gil (2009), busca explicar um problema baseado em referências teóricas, que são compostas principalmente de livros, monografias, teses e periódicos, como jornais e revistas, e ainda, tem como objetivo possibilitar o conhecimento e a análise de contribuições de conhecimento científico ou cultural existente sobre determinado assunto, permitindo ao pesquisador a mais ampla cobertura de uma série de fenômenos.

Foi proposto objetivos para este trabalho, sendo que o objetivo geral era analisar a importância da ludicidade no processo de ensino aprendizagem na Educação Infantil e os objetivos específicos foram identificar a importância de atividades lúdicas para a criança na Educação Infantil e apresentar as contribuições da ludicidade para o desenvolvimento da criança.

Para um melhor estudo a pesquisa foi dividida em partes. A primeira parte é um pouco da história da ludicidade, para entendermos onde começou, quais marcos relevantes e de que forma eram trabalhadas as brincadeiras.

Na segunda parte, a pesquisa ocorreu sobre a importância da ludicidade no processo de ensino e aprendizagem na faixa etária de 0 á 6 anos de um modo geral, e após, subdividindo-se na ludicidade na escola de Educação Infantil, onde pesquisou-se a importância do professor trabalhar de forma lúdica para um desenvolvimento integral da criança.

2 LUDICIDADE

2.1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Segundo o dicionário online de Português Dicio, ludicidade têm características ou propriedades do que é lúdico, sendo realizado por meio de jogos, brincadeiras e atividades criativas.

Podemos definir o lúdico numa esfera educativa como o ensinar por meio de jogos, dança, brinquedos, ou seja, todas as atividades que despertem prazer e que desenvolva a criança num todo.

Constata-se o lúdico como uma forma de expressar liberdade e espontaneidade, por meio de ferramentas que proporcionam prazer e divertimento, tais como:

  • Brinquedos;

  • Atividades direcionadas;

  • Músicas;

  • Danças;

  • Oficinas;

  • Gincanas;

  • Representações artísticas;

  • Entre outros.

Segundo Chateau (1987, p.14) “Uma criança que não sabe brincar, uma miniatura de velho, será um adulto que não saberá pensar”. Portanto, para manter-se em harmonia consigo mesma, com as outras pessoas e com o mundo que a cerca, a criança precisa brincar, inventar e reinventar o mundo.

Vygotsky (1984) atribui relevante papel ao ato de brincar na constituição do pensamento infantil. É brincando, jogando, que a criança revela seu estado cognitivo, visual, auditivo, tátil, motor, seu modo de aprender e entrar em uma relação cognitiva com o mundo de eventos, pessoas, coisas e símbolos.

Deste modo, o jogo e a brincadeira infantil são formas da criança manejar experiências, criar situações para dominar a realidade e experimentá-la.

Por meio da ludicidade, segundo Piaget (1998), a criança organiza e pratica regras, elabora estratégias e cria procedimentos a fim de vencer as situações-problemas referentes aos aspectos afetivo-sociais e morais, pelo fato de exigir relações de reciprocidade, cooperação e respeito mútuo.

2.1.1 Breve histórico da ludicidade na Educação Infantil

Aprender de forma lúdica começou há muito tempo atrás. A educação das crianças na sociedade primitiva acontecia a partir do contato com a prática, naquela época não existiam escolas e nem métodos de educação. (Almeida, 2003) retrata que nesse contexto, a cultura era educativa, caracterizada pelos jogos, que representavam a sobrevivência. Sendo assim, as crianças aprendiam através da imitação, o ato de brincar oferecia a inserção dos papeis sociais, fazendo com que as crianças aprendessem as regras na vida diária. Desta forma, a criança era considerada um membro da coletividade, se diferenciando apenas pelo tamanho e produção.

Na Grécia antiga os ensinamentos eram passados através de jogos paras as crianças, segundo Manson (2002), tanto gregos quanto latinos elaboraram as primeiras reflexões acerca do lugar que o brinquedo ocupava na vida da criança. As brincadeiras são passadas historicamente. Também surgem as primeiras escolas.

Na Grécia Antiga, um dos maiores pensadores, Platão (427-348), afirmava que os primeiros anos da criança deveriam ser ocupados com jogos educativos, praticados pelos dois sexos, sob vigilância e em jardins de infância” (ALMEIDA, 2003, p.119).

Esses modelos educacionais dos antigos de certa maneira persistiram, porém acrescidos de conteúdos religiosos que marcaram o período Medieval, aproximadamente do século V ao XV, já que a igreja passou a exercer influência tanto nos princípios de educação, quanto morais, políticos e jurídicos. Segundo Queiroz (2009), ainda não existia o “sentimento de infância”. De acordo com Ariès (1986, p. 101) “[…] qualquer que fosse o papel atribuído à infância e à juventude […] ele obedecia sempre a um protocolo inicial e correspondia às regras de um jogo coletivo que mobilizava todo o grupo social e todas as classes de idade”. As crianças reproduziam as tarefas do adulto, os princípios morais cristãos direcionavam para uma educação disciplinadora.

No período do renascimento, por volta dos séculos XV e XVI surgiu uma preocupação com a educação, acarretando no surgimento de instituições de escolas modernas. Manson (2002) afirma que a partir desse movimento renascentista no século XVI, começou-se a perceber o valor que os jogos tinham para a educação, vistos como uma tendência que é natural do homem, porém:

Embora seja grande a produção intelectual na Renascença, não foi capaz de mudar significativamente as concepções em relação às crianças, que continuam desconhecidas em sua natureza singular, até que pensadores como Erasmo; Vives; Rabelais; Montaigne; Comênius e, posteriormente, Rosseau e Pestalozzi; realizaram estudos sistemáticos sobre educação, chamando a atenção para a ‘responsabilidade social’ da ciência, o reconhecimento do Desenvolvimento infantil e os aspectos psicológicos no ensino. (QUEIROZ, 2009, p. 19)

Somente em 1896 existiu o primeiro jardim de infância oficial, porém, era visto como caráter particular, pois era destinado somente à burguesia. Hoje, os centros educacionais infantis têm como objetivo oferecer cuidados e educação á crianças de 0 a 6 anos de idade, mas no seu surgimento teve como papel o assistencialismo e ainda sofre a influência do sistema capitalista.

Em 1986 o Brasil começou uma grande mobilização, buscando mudanças na educação, para isso foram feitas reuniões, surgiram associações e várias organizações para resolver esse problema que a sociedade vivia. Através desses movimentos surgiu uma síntese para a Assembleia Nacional Constituinte, ressaltando a importância da criança, bem como o adolescente também. Então, em 1988 a Constituição Federal declara uma doutrina relacionada à criança, apontado no artigo 277, tornando “dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade […].”.

Após algum tempo depois, 1996, foi aprovada a última Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394/96, que está em vigor atualmente e aprova a etapa da Educação Infantil como básica.

A história da Educação Infantil no Brasil passou por vários percalços até chegar a criação de leis que protegem a criança como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI) e Criação do Ministério da educação, sendo de forma muito importante essas leis para o cuidado da criança até os dias atuais e hoje a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

2.1.2 O lúdico no processo de ensino e aprendizagem

Em qualquer idade o ser humano tem necessidade do lúdico, sendo que este facilita a aprendizagem de crianças, jovens e adultos, pois proporciona momentos de diversão, prazer, socialização, comunicação, interação, de modo que o indivíduo irá tomar suas atitudes conforme seu aprendizado e, portanto construindo novos. Assim, afirma SANTOS (1999):

A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora com a boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento.” (p.12)

Friedrich Froebel foi o criador do primeiro jardim de infância do mundo, pois considerava muito importante o início da infância na formação da pessoa. FROEBEL dizia que a criança é como uma plantinha em fase de formação e que precisa de cuidados periódicos e o professor o jardineiro. Sendo assim, para ele as brincadeiras eram o primeiro recurso no caminho da aprendizagem. A brincadeira não é perder o tempo, mas um jeito de criar representações do mundo concreto a fim de entendê-lo, permitindo treinar habilidades e a criança exteriorizar seu mundo interno e interiorizar outras novas vindas do externo.

No Brasil, nas últimas décadas, a Educação Infantil teve importantes avanços. Políticas Públicas foram criadas, como na Constituição Federal de 1988 (artigo 208, inciso IV) onde fica claro “o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: IV – educação infantil, em creches e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade”.

Garcia (2002, p.56) comenta que “ao brincar, o sujeito ensaia, treina, aprende, se distrai, sim; mas se constrói: afirma, assimila, reorganiza, descobre e inventa suas formas, enfrenta os enigmas, os desafios, as oportunidades e as imposições que a vida lhe apresenta”. As brincadeiras permitem à criança imaginar ao interagir nas brincadeiras. Ela, ao mesmo tempo em que cria ‘saídas’ para situações reais, assimila regras sociais, observa outro e elabora novos conhecimentos.

Então, a partir da brincadeira, a criança reproduz o discurso externo, o internaliza, interpreta e constrói seu próprio pensamento.

Segundo Correa; Bento ([s/d], p.1), “a liberdade que o brincar proporciona é de suma importância para o desenvolvimento da criança, essa liberdade à leva a conciliar o mundo real e o mundo da imaginação. Imaginando á criança consegue regular suas próprias ações e emoções”.

Ao brincar a criança entra no mundo da imaginação, desenvolve a autonomia, socializa-se ao meio ambiente que está inserido, desenvolve emoções de bem estar e descobre que as frustrações fazem parte do universo infantil.

Segundo Carvalho (1992, p.14), “o jogo na vida da criança é de fundamental importância, pois quando ela brinca, explora e manuseia tudo aquilo que está a sua volta, através de esforços físicos e mentais e sem se sentir coagida pelo adulto, começa a ter sentimentos de liberdade”.

Brincar é sinônimo de aprender, pois o brincar e o jogar geram um espaço para pensar, sendo que a criança avança no raciocínio, desenvolve o pensamento, estabelece contratos sociais, compreende o meio, satisfaz desejos, desenvolve habilidades, conhecimentos e criatividade. Conceituar o lúdico como formador e transformador demonstra sua importância no desenvolvimento construtivo da criança. As integrações que o brincar e o jogo oportunizam favorecem a superação do egocentrismo, desenvolvendo a solidariedade e a empatia, e introduzem, especialmente no compartilhamento de jogos e brinquedos, novos sentidos para a posse e o consumo.

2.1.3 O lúdico na escola de Educação Infantil

A Educação Infantil é a base da formação sócio educacional do ser humano e, por isso, as atividades lúdicas têm muito a contribuir em seu desenvolvimento intelectual, cognitivo e social.

A ludicidade é um assunto que tem conquistado espaço no setor da educação, principalmente na fase da Educação Infantil. Os jogos e brincadeiras sempre fizeram parte da vida da criança, independente de época, cultura e classe social.

Segundo Maluf, (2012, p.13)

[…] as instituições de Educação Infantil precisam ser acolhedoras, atraentes, estimuladoras, acessíveis as crianças e ainda oferecer condições de atendimento as famílias, possibilitando a realização de ações socioeducacionais.

Segundo o autor, na Educação Infantil é imprescindível levar a criança a construir seus saberes e acolher com o uso de atividades lúdicas.

A utilização de jogos e brincadeiras no processo pedagógico faz despertar o gosto em aprender cada vez mais e leva as crianças a enfrentarem os desafios que lhe surgirem. Os jogos proporcionam aprendizagem de forma prazerosa e significativa, assim agregando conhecimentos.

Como vemos Gilda Rizzo (2001, p. 40) diz o seguinte sobre o lúdico: “… A atividade lúdica pode ser, portanto, um eficiente recurso aliado do educador, interessado no desenvolvimento da inteligência de seus alunos, quando mobiliza sua ação intelectual”.

Diante disto, observa-se que o principal papel do educador é estimular os alunos à construção de novos conhecimentos e através da forma lúdica a criança acaba sendo desafiada a produzir e oferecer soluções ás situações-problemas impostas pelo educador.

O educador precisa reconhecer, através do brincar, um meio de proporcionar o desenvolvimento integral da criança em situações naturais de aprendizagem. Assim, Almeida (2014) ressalta que toda criança passa por um intenso processo de desenvolvimento mental e corporal, ao afirmar que

neste desenvolvimento se expressa a própria natureza de evolução e esta exige que a cada instante uma nova função e a exploração de nova habilidade. Essas funções e essas habilidades, ao entrarem em ação, impelem a criança a buscar um tipo de atividade que lhe permita manifestar-se de forma mais completa. A imprescindível “linguagem” dessa atividade é o brincar, é o jogar. Portanto, a brincadeira infantil esta muito mais relacionada a estímulos internos que a contingências exteriores. (p.37)

Desta maneira, entende-se que toda criança passa por um processo de evolução desde o seu nascimento. Precisa ser estimulada desde então, para assim desenvolver suas capacidades físicas e intelectuais.

O jogo é um instrumento pedagógico muito significativo. No contexto cultural e biológico é uma atividade livre, alegre que engloba uma significação. É de grande valor social, oferecendo inúmeras possibilidades educacionais, pois favorece o desenvolvimento corporal, estimula a vida psíquica e a inteligência, contribui para a adaptação ao grupo, preparando a criança para viver em sociedade, participando e questionando os pressupostos das relações sociais tais como estão postos. (KISHIMOTO, 1996, p.26).

Desta forma, os jogos e brincadeiras são de suma relevância para o desenvolvimento da criança na Educação Infantil, pois através da mesma a criança aprende a respeitar regras e favorece a autonomia da criança.

As atividades lúdicas auxiliam na aprendizagem, pois desenvolve a linguagem oral, a atenção, o raciocínio e a habilidade de manuseio por isso desenvolve a imaginação e a criatividade.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI, implementadas pela Resolução CNE/CEB 5/2009, publicada em 17 de dezembro de 2009 – em seu artigo 9°, estabelecem as interações e as brincadeiras como eixos norteadores das práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da Educação Infantil, devendo garantir experiências que:

I – Promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da aplicação de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança;

II – Favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical;

III – Possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes suportes e gêneros textuais orais e escritos;

IV – Recriem, em contextos significativos para as crianças, relações quantitativas, medidas, formas e orientações espaço temporais;

V – Ampliem a confiança e a participação das crianças nas atividades individuais e coletiva;

VI – Possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a elaboração da autonomia das crianças nas ações de cuidado pessoal, auto-organização, saúde e bem-estar;

VII – Possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e grupos culturais, alarguem seus padrões de referência e de identidade no diálogo e reconhecimento da diversidade;

VIII – Incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças em relação ao mundo físico e social, ao tempo e à natureza;

IX – Promovam o relacionamento e a interação das crianças com diversificadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro, poesia e literatura;

X – Promovam a interação, o cuidado, a preservação e o conhecimento da biodiversidade e da sustentabilidade da vida na Terra, assim como o não desperdício dos recursos naturais;

XI – Propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das manifestações e tradições culturais brasileiras;

XII – Possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores, máquinas fotográficas, e outros recursos tecnológicos e midiáticos.

Compreende-se que a interação e o brincar são eixos importantes para a Educação Infantil. Portanto, o educador precisa cumprir as exigências legais oportunizando as crianças a aprendizagem lúdica e desafiadora. Para isso, as creches e pré-escolas têm de elaborar sua proposta curricular, de acordo com a vivência e particularidades de seus alunos.

A escola, ao valorizar as atividades lúdicas, ajuda a criança a formar um bom conceito do mundo, em que a afetividade é acolhida, a sociabilidade vivenciada, a criatividade estimulada e os direitos da criança respeitados.

Vygotsky (1991) vem também destacar como uma atividade de “faz de conta” ou até mesmo as que possuem regras, auxilia a criança em seu desenvolvimento. Existem diferentes formas de predominar-se o brincar onde segundo Negrine (1994, p.41), podemos destacar:

As atividades lúdicas possibilitam fomentar a “resiliência”, pois permitem a formação do autoconceito positivo; As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente. O brinquedo e o jogo são produtos de cultura e seus usos permitem a inserção da criança na sociedade; Brincar é uma necessidade básica assim como é a nutrição, a saúde, a habitação e a educação; Brincar ajuda a criança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois, através das atividades lúdicas, a criança forma conceitos, relaciona ideias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade constrói seu próprio conhecimento.

Segundo esta citação de Negrine destaca-se que os jogos e brincadeiras transmitem conhecimentos, tendo como importante mediador os professores que trabalham na Educação Infantil.

Desta forma, o professor deve valorizar e direcionar a brincadeira, quando utilizada como instrumento pedagógico. Os processos de pré-alfabetização, por exemplo, podem acontecer de forma natural e fluida quando realizada à partir da ludicidade. Porém, o professor precisa tomar cuidado para não tirar a brincadeira desta roupagem natural, pois o lúdico é uma metodologia pedagógica que ensina brincando e tem objetivos, mas nunca cobranças.

Quando a criança percebe que existe uma sistematização na proposta de uma atividade dinâmica e lúdica, a brincadeira passa a ser interessante e a concentração do aluno fica maior, assimilando os conteúdos com mais facilidade e naturalidade. (KISHMOTO, 1996, p.24).

Ainda, de acordo com Vygotsky (1984, p.97),

a brincadeira cria para as crianças uma “zona de desenvolvimento proximal” que não é outra coisa senão a distância entre o nível atual de desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível atual de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou com a colaboração de um companheiro mais capaz.

Pode-se dizer que as atividades lúdicas, os jogos, permitem liberdade de ação, pulsão interior, naturalidade e, consequentemente, prazer que raramente são encontrados em outras atividades escolares. Por isso, necessitam ser estudados por educadores para poderem utilizá-los pedagogicamente como uma alternativa a mais a serviço do desenvolvimento integral da criança.

Percebe-se que o lúdico aliado aos jogos e brincadeiras é de fundamental importância para a aprendizagem das crianças na Educação Infantil, pois ensinam brincando e colocam regras às atividades planejadas pelo professor. O lúdico é um instrumento indispensável na aprendizagem, no desenvolvimento e na vida das crianças, proporcionando conhecimentos imensuráveis.

O lúdico é essencial para uma escola que se proponha não somente ao sucesso pedagógico, mas também à formação do cidadão, porque a consequência imediata desta ação educativa é a aprendizagem em todas as dimensões: social, cognitiva, relacional e pessoal.

2.2 METODOLOGIA

A metodologia utilizada foi através da pesquisa bibliográfica em livros, revistas, sites, autores que escreveram sobre o tema, etc, sendo o ponto de partida da pesquisa e um grande facilitador para a investigação do tema sobre o qual buscou-se compreender a importância de atividades lúdicas para o processo de ensino aprendizagem na Educação Infantil. Como afirma Severino (2007, p. 122) “a pesquisa bibliográfica é aquela que se realiza a partir do registro disponível, decorrentes de pesquisas anteriores, em documentos impressos, como livros, artigos, teses, etc.”

Para Lakatos e Marconi (2001, p. 183), a pesquisa bibliográfica,

[…] abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema estudado, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, materiais cartográficos, etc. […] e sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto […]”.

Demo (2000, p. 22) destaca que “a pesquisa tem como ideia induzir o contato pessoal do discente com as teorias levando a uma interpretação própria”.

Esta pesquisa bibliográfica é de caráter descritiva e de abordagem qualitativa. Para Silva e Menezes (2000, p. 20) “a pesquisa qualitativa considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. […] É descritiva”.

Esta pesquisa procedeu da seguinte forma, primeiramente o levantamento de tudo que falava sobre o assunto “Ludicidade na Educação Infantil”, tanto em livros, monografias e teses, como em sites, após, houve a leitura destes materiais, que, em seguida foram divididos por assuntos: História da ludicidade, ludicidade para as crianças de 0 á 6 anos, o lúdico na escola, o professor e o lúdico, ludicidade e aprendizagem.

A partir deste momento ocorreu a escolha dos livros, monografias, teses e sites mais relevantes e que melhor se encaixavam com o tema e objetivos propostos para este trabalho. Reforçando sempre a escolha de autores e pensadores de grande relevância na educação e que contribuíram de forma significativa.

Seguindo, aconteceu uma nova leitura dos mesmos para que houvesse um maior entendimento e conhecimento do assunto, podendo realizar este trabalho.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ludicidade está presente na vida de todos nós, sendo a essência da criança desde o nascimento e uma necessidade do ser humano em qualquer idade!

Pode-se perceber, considerando as leituras realizadas que a ludicidade tem grande influência positiva no desenvolvimento infantil, destaca-se que com jogos e brincadeiras a criança não só se diverte como aprende de forma mais fácil e desenvolvendo todos os seus aspectos, desde físicos, mentais, sociais, afetivos, intelectuais, culturais, aumentando suas habilidades, a imaginação, a criatividade e ajudando a lidar com as emoções.

Portanto, é de grande valia que o professor faça uso da ludicidade diariamente, tornando suas aulas mais atrativas, diversificadas e com certeza conseguirá um maior aprendizado e grandes desempenhos e respostas por parte dos alunos.

Considera-se também um ponto relevante que as crianças atualmente estão amparadas por documentos e leis que norteiam a Educação Infantil, sendo um grande avanço para a educação e para as crianças uma vitória, pois estas garantem que os professores devem proporcionar seus direitos de desenvolvimento.

A educação lúdica e com o uso de jogos começou lá na antiguidade, claro, que de uma forma bem diferente de como é hoje, pois as crianças tinham que imitar os adultos e o meio da aprendizagem era na prática, tudo era passado de geração para geração e sem o uso de uma metodologia. Sendo uma surpresa saber que era desta maneira que acontecia a aprendizagem, e que na época nem escolas tinham.

Foi muito valioso este estudo, pois a partir dele percebeu-se que é através do ato de brincar que a criança se apropria da realidade atribuindo-lhes significado, assimilando, decodificando, recriando e estabelecendo novas formas de entendê-la.

Desta maneira, nota-se que é necessário fazer uma nova pesquisa sobre quais atividades lúdicas e jogos para cada faixa etária e como trabalhar elas de maneira que ocorra um aprendizado significativo e como o professor pode desenvolver em sala de aula usando o lúdico como seu aliado no desenvolvimento integral do aluno, visto que, a ludicidade em sala de aula principalmente na Educação Infantil deve fazer com que a brincadeira aconteça com naturalidade, e, fazendo-se necessária para desenvolver a criança em sua totalidade, proporcionando com que vivencie a aprendizagem como processo social.

De acordo com os procedimentos metodológicos adotados e pesquisas realizadas, obteve-se um resultado positivo deste trabalho, alcançando os objetivos propostos e respondendo a problemática inicial, concluindo que o lúdico no processo de ensino aprendizagem na Educação Infantil é de fundamental importância para que se alcance um desenvolvimento integral do aluno, de modo que a criança expresse espontaneidade, liberdade e que este assimile regras brincando.

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