Por Ana Raquel dos Santos
INTRODUÇÃO:
O presente estudo tem como objetivo geral compreender a relevância dos jogos e das brincadeiras enquanto recursos pedagógicos capazes de tornar o processo de alfabetização mais atrativo e significativo. Busca-se identificar de que forma as atividades lúdicas contribuem para o desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e motoras.
Os jogos e as brincadeiras assumem papel central como estratégias pedagógicas capazes de motivar as crianças no processo de aprendizagem. O brincar, além de ser uma forma natural de expressão, desempenha função estruturante na formação cognitiva, social e afetiva, tornando-se elemento indispensável na construção do conhecimento. Assim, a ludicidade ultrapassa o caráter como ferramenta educativa que estimula a criatividade, a curiosidade e o pensamento crítico, favorecendo a aprendizagem significativa, compreendida como “a integração de novas informações em um complexo processo pelo qual o aprendiz, situado no tecido dos acontecimentos, adquire conhecimento” (Masini, 2016).
DESENVOLVIMENTO:
Como busca ativa em nossas praticas docentes precisamos procurar analisar metodologias de ensino eficazes, as quais, segundo Maia, Mendonça e Góes (2005), tornam o processo de ensino-aprendizagem mais produtivo quando articulam a reflexão e avaliar estratégias que promovam a socialização e o engajamento dos estudantes por meio de práticas lúdicas integradas ao planejamento escolar. Vygotsky (1991) e Piaget (1976), ressaltam o papel do brincar no desenvolvimento infantil e na formação das estruturas cognitivas. A partir dessa base, adota-se uma metodologia realizada a partir da revisão de produções científicas e teóricas que tratam da ludicidade, da alfabetização e das metodologias ativas, permitindo compreender as contribuições e limitações.
Diante das análises busca-se demonstrar a importância de investir na integração do brincar ao currículo de forma efetiva demonstrando que a ludicidade, nas práticas pedagógicas, contribui na formação de cidadãos plenos e felizes.
Ao mesmo tempo em que a criança avança na Escrita Alfabética, para que ela venha a compreendê-la e a usar com praticidade, ela já participa, na escola, de práticas de leitura e escrita, ou seja, ainda começando a ser alfabetizada, ela já consegue ler e escrever, mesmo que não domine as particularidades de funcionamento da escrita.
Para Vygotsky (1991), é no ambiente escolar que a criança irá associar seu conhecimento de mundo às suas ações através da interação realizada entre os sujeitos, uma vez que “O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa” (Vygotsky, 1991). Ou seja, o trabalho pedagógico desenvolvido por intermédio do professor, sujeito mais experiente, desempenha um papel fundamental no seu desenvolvimento e aprendizagem.
A utilização de jogos no processo de alfabetização constitui-se como uma estratégia valiosa, pois amplia recursos práticos e oferece ferramentas facilitadoras e enriquecedoras para o ensino-aprendizagem, auxiliam na compreensão dos conteúdos de leitura e escrita, refletindo positivamente no desenvolvimento cognitivo e social da criança.
A capacidade dos jogos de motivar, engajar e fortalecer vínculos faz deles uma ferramenta estratégica para que os objetivos da alfabetização e do letramento sejam alcançados de maneira mais significativa e duradoura, beneficiando tanto alunos quanto professores. Sobre esse comportamento Soares (2013) afirma que:
[…] quando brincamos, não temos consciência de que está havendo uma aprendizagem, uma assimilação de algum tipo de conhecimento ou a absorção de outros subsídios ao desenvolvimento intelectual, tais como o reflexo corporal, habilidades motoras manuais, entre outras. Brincamos porque é prazeroso.Diante do exposto percebe-se que houve sucesso na aprendizagem quando a realização de atividade prazerosa promove o alcance do objetivo pedagógico almejado. a criança nasce em um contexto cultural complexo, cheio de significados difíceis de compreender. O jogo, portanto, possibilita que ela assimile conceitos abstratos e os experimente dentro do seu próprio contexto, atribuindo-lhes significado.
O ensino tradicional, muitas vezes centrado no básico de conteúdos por meio de aulas expositivas, não atende plenamente às necessidades de aprendizagem dos alunos. A escola, nesse sentido, deve oferecer subsídios adequados para o desenvolvimento de habilidades e competências que contribuam para a formação integral do indivíduo. É fundamental que os alunos tenham oportunidades de práticas reflexivas, de pesquisa, de coleta e seleção de informações, bem como de trocas significativas com professores e colegas, em vez de apenas memorizar conteúdo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Considerando a relevância em analisar as contribuições dos jogos para o processo de alfabetização e letramento, além de identificar formas eficazes de inseri-los no planejamento escolar. Busca-se, assim, fornecer aos professores ferramentas e estratégias para preparar aulas mais dinâmicas e inovadoras, capazes de favorecer a aprendizagem.
A inserção de jogos no planejamento escolar pode tornar o processo de ensino- aprendizagem mais atraente e motivador, além de promover o desenvolvimento de habilidades essenciais para a alfabetização e o letramento. Dessa forma, explorar as possibilidades de utilização de jogos no contexto escolar contribui para a melhoria da prática pedagógica e para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes (Carneiro, 2015, p.103).
Conclui-se, portanto, que a ludicidade na alfabetização representa um compromisso ético-político com uma educação integral e humanizadora. Ao respeitar o ritmo e a linguagem infantil, a escola não apenas forma leitores fluentes, mas cultiva sujeitos críticos, criativos e engajados socialmente. Investir na integração do brincar ao currículo não se configura como uma opção pedagógica, mas como imperativo para a formação de cidadãos. Enfim, como metodologia de ensino, para que o uso de jogos tenha a função de ajudar na alfabetização, eles devem ser muito bem planejados de acordo com o contexto da turma. Nesse sentido, os elementos lúdicos precisam ter a mesma intencionalidade pedagógica do professor para que a atividade faça sentido, onde o professor possa jogar e ensinar e onde o aluno possa jogar e aprender.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/aprendizagem-na-alfabetizacao
MAIA, M. de C.; MENDONÇA, A. L.; GÓES, P. Metodologia de ensino e avaliação de aprendizagem. In: 12º Congresso Internacional de Educação a Distância, 2005. Trabalho apresentado como TC 5 (Trabalho Completo, Categoria C – Métodos e Tecnologias, 5 – Educação Continuada em Geral, Tipo B – Descrição de Projeto em Andamento). Disponível em: https://www.abed.org.br/hotsite/12-ciaed/por/pdf/206tcc5.pdf. Acesso em: 10 dez. 2025.
PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1976. PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar. 1975.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos. 2000.

















