Na tarde desta segunda-feira, 9, aconteceu no Auditório Central da 26ª Expodireto Cotrijal, o 17º Fórum do Milho. O evento reuniu produtores, pesquisadores, empresas e lideranças da cadeia produtiva. O evento, que já é tradicional, é um espaço dedicado à interação e ao debate, através da troca de conhecimentos, onde são analisados os principais cenários de uma das culturas mais estratégicas para o agronegócio brasileiro e mundial.
A abertura foi realizada pelo vice-presidente da Cotrijal, Enio Schroeder, que destacou a importância da troca de informações para o desenvolvimento da cultura. “Eu gostaria de apontar que a Cotrijal e a Expodireto também estão presentes neste evento através da participação ativa dos nossos produtores e agrônomos, justamente porque sabemos da importância dessa cultura e do diálogo entre os produtores e especialistas. A informação é a melhor ferramenta que temos para otimizar a produção e precisamos buscá-la com quem tem o conhecimento qualificado”, destacou o vice-presidente da Cotrijal.
O primeiro painelista, Glauber Renato Stürmer, pesquisador da CCGL na área da entomologia, abordou os novos desafios para o controle de pragas. Para ele, o principal ponto é entender que o monitoramento e o manejo integrado devem ser preconizados. “É preciso trazer alternativas químicas e biológicas integradas, além de buscar também o momento certo para a aplicação, isso requer que o produtor fique atento na lavoura e, quando perceber a presença significativa da praga, iniciar com alguma alternativa de manejo”, destacou o pesquisador.
Segundo ele, o produtor precisa ficar atento ao percevejo, uma praga que vem aumentando nos últimos anos. “É uma praga do milho, mas que está aumentando na soja, assim como o pulgão, que é uma praga vetora, e a cigarrinha. Elas representam um potencial significativo de perda de produtividade”, ele também alerta que são velhas pragas, mas com novos desafios, pois as biotecnologias disponíveis atualmente estão perdendo eficácia, o que demanda aplicações nos momentos mais adequados para o manejo eficiente.

O segundo painelista, André Vinício Scharlau, destacou o papel da irrigação para a segurança e sustentabilidade da propriedade rural. De acordo com Scharlau, o produtor que implementa o sistema de irrigação, se tem disponibilidade de área e água – que são os principais fatores que limitam o uso – geralmente tende a ampliar o sistema, pois aprende a trabalhar com ele e vê uma estabilidade na produção, com mais produtividade e rentabilidade. “O produtor fica um pouco mais seguro porque reduz a influência do fator climático. Percebemos diferenças bem acentuadas nas zonas de manejo com e sem irrigação, com quebras até 50% maior onde o produtor não irrigou”, ressaltou o engenheiro agrônomo.
Para finalizar o Fórum, o gerente comercial da Cargill, Heverton Gugelmin, trouxe o cenário nacional da cultura e do mercado. “Estamos vendo o desenvolvimento do milho safrinha. Ele ainda está sendo plantado, mas existe uma tendência de recomposição, isto é, temos a perspectiva de uma produção razoável, dentro das perspectivas climáticas”, destaca Gugelmin.
Apesar desse cenário, as tensões geopolíticas podem impactar os custos de produção da cultura, especialmente nos setores de combustíveis e fertilizantes. “A expectativa é de que o Brasil colha perto do seu recorde de safrinha, algo em torno de 130 a 140 milhões de toneladas”. Para ele, o que irá determinar se o produtor irá aumentar o estoque de milho é justamente o consumo. “Tem uma tendência de aumento por parte das usinas de etanol e da produção animal, mas uma boa parte do milho brasileiro ainda precisa ser exportado. É aí que está o ponto-chave. Cinquenta por cento da demanda pela exportação de milho, neste momento, está concentrada no Oriente Médio. Então o grande desafio é, se não for restabelecer esse fluxo, para onde vamos exportar esse milho agora no fim de semestre. Vamos ter que buscar outros destinos”, avalia.
Com uma produção mundial de aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas, o período atual da safra tende a ser muito produtivo, garantindo o Brasil como o terceiro maior produtor de milho, com destaque para a safra gaúcha de mais de 6 milhões de toneladas. Com as incertezas geradas pelo cenário internacional, um das principais alternativas é o aumento do consumo interno do cereal.
O 17º Fórum do Milho é uma realização da Cotrijal, da CCGL e da RTC.



















