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Polícia não acredita que autor de homicídio em Ibirapuitã agiu em legítima defesa

Delegada diz que o conjunto probatório, aliado aos depoimentos e cenário do crime, leva crer que jovem tinha intuito de praticar o crime
Reprodução / Facebook
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Após ouvir o jovem que assumiu ter cometido o homicídio contra Darci Doehring Ritter, que afirma legítima defesa, a Polícia Civil não acredita nesta versão. A delegada Fabiane Bittencourt presidiu a oitiva do adolescente, que se apresentou com sua advogada de defesa, na manhã desta terça-feira, 02/3, em Soledade.

Em depoimento, o acusado disse que foi até a casa da vítima para pedir esclarecimentos sobre uma conversa que o pai teve com a filha há alguns dias, deixando-a chateada. Ele teria ido de madrugada para cobrar satisfações, e no local se desentenderam, onde o sogro foi até a cozinha, pegou uma faca e investiu contra o genro, que conseguiu desarmá-lo e efetuou os golpes.

 

A delegada diz que a polícia não acredita nesta versão, frente ao conjunto probatório já realizado, aliado aos depoimentos e cenário do crime. “Entendemos que o autor foi até o local com intuito de praticar o crime, por algumas evidencias já levantadas, como o horário, que foi de madrugada, a porta estava arrombada indica que já ingressou com intuito violento, bem como algumas contradições no depoimento do investigado”, afirma.

Fabiane salienta que a namorada, que é filha da vítima e tem 14 anos, já prestou depoimento no início das investigações e a polícia não descarta sua participação nos fatos. “Ela teria ido junto com autor até a casa de seu pai já com intuito de praticar, junto com o namorado, o homicídio. Alguns trechos de seu depoimento deixa isso mais evidente”, assinala.

Ainda de acordo com a delegada, ela teria feito denuncia de estupro contra o pai, inclusive o inquérito que corre junto a Delegacia de Polícia de Soledade. “Durante as investigações, que foi presidida pela delegada Camila, ficou entendido que não houve a prática deste crime, então em tese, a denúncia realizada por esta menina não seria verídica”, pontua.

A polícia entende que esta denúncia possivelmente já tenha sido efetivada com intuito de poder namorar com o autor do homicídio. “O pai seria o empecilho desta relação, já que ele não permitia que ela namorasse com este indivíduo. Então esta é a visão da polícia pelas provas colhidas até o momento”, acrescenta.

A investigação está em fase avançada, com o crime praticamente solucionado. “Resta finalizar algumas questões para remeter ao Ministério Público, em virtude de envolver menores de idade. Como o autor não foi apreendido no momento do fato, hoje não paira contra ele nenhuma ordem de busca e apreensão. Para que seja internado junto ao estabelecimento adequado para jovens que cometem atos infracionais graves, precisa ter uma ordem judicial”, explica.

A delegada Fabiane encerra dizendo que pretende encaminhar nos próximos dias as peças da investigação para análise do MP. “É uma situação criminosa extremamente grave, e cabe a eles a decisão da necessidade da internação dele e quem sabe da menor, que no entendimento da polícia também teve envolvimento dos fatos”, conclui.