Por Maria de Fátima de Moraes Azevedo
Este artigo discute a inserção da arteterapia na Educação Infantil como um caminho para o desenvolvimento integral da criança. A prática, que une expressão artística e cuidado emocional, permite que os pequenos se expressem livremente, favorecendo o autoconhecimento, a autoestima, a imaginação e as relações interpessoais. O texto também estabelece relação com os princípios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), evidenciando como a arteterapia contribui para as competências socioemocionais previstas no documento. O objetivo é destacar o potencial pedagógico dessa abordagem e sua relevância no contexto educacional contemporâneo.
Palavras-chave: Educação Infantil. Arteterapia. Desenvolvimento infantil. BNCC. Expressão artística.
1. Introdução
A infância é um período marcado por descobertas, curiosidade e intensa construção de vínculos afetivos. Nesse contexto, a Educação Infantil deve ir além da transmissão de conteúdos formais, proporcionando experiências que favoreçam o desenvolvimento integral da criança. A arteterapia, ao integrar arte e cuidado emocional, apresenta-se como uma ferramenta pedagógica potente para estimular a expressão criativa e contribuir para o bem-estar infantil.
2. Desenvolvimento
A arteterapia pode ser compreendida como um recurso terapêutico que utiliza diferentes linguagens artísticas — pintura, desenho, colagem, música, dramatização — como formas de expressão de emoções e sentimentos (ANDRADE; SILVA, 2020). Ao ser inserida no ambiente escolar, ela não tem como objetivo “corrigir” ou “tratar” comportamentos, mas sim abrir caminhos para que a criança reconheça suas emoções e encontre formas saudáveis de se expressar.
Segundo Kramer (2011), a criança comunica-se por meio de múltiplas linguagens, e o brincar é sua principal forma de elaborar experiências. Nesse sentido, a arteterapia valoriza o processo criativo e não o produto final, oferecendo um espaço de acolhimento livre de julgamentos. Isso fortalece a autoestima, amplia a imaginação e favorece a autonomia.
A inserção da arteterapia na Educação Infantil também dialoga diretamente com os princípios e direitos de aprendizagem previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento destaca a importância de garantir às crianças vivências que estimulem a escuta, a expressão, o convívio e a participação ativa. Ao proporcionar espaços onde os pequenos possam criar, sentir e se expressar com liberdade, a arteterapia contribui significativamente para o desenvolvimento das competências gerais propostas pela BNCC, especialmente no que diz respeito ao autoconhecimento, à empatia, à sensibilidade e à capacidade de se relacionar com o outro. Dessa forma, a prática vai ao encontro de uma educação mais humana, integral e conectada com as necessidades reais da infância.
Além disso, as práticas arteterapêuticas contribuem para o desenvolvimento de aspectos cognitivos, motores e sociais. Atividades como modelagem em argila, pintura com diferentes texturas, dramatizações ou músicas rítmicas estimulam a coordenação motora, a concentração e a cooperação entre pares (PEREIRA; SANTOS, 2018).
Outro ponto relevante é o papel do educador como mediador. Cabe a ele propor experiências que dialoguem com a realidade das crianças, respeitando suas singularidades. Ao incluir atividades de arteterapia no cotidiano escolar, o professor cria oportunidades de escuta, de ressignificação de vivências e de fortalecimento dos vínculos afetivos.
3. Considerações finais
A arteterapia, quando aplicada na Educação Infantil, não se restringe a um recurso complementar, mas se apresenta como uma prática integradora que enxerga a criança em sua totalidade — corpo, mente e emoção. Ao favorecer a expressão criativa, promove bem-estar, fortalece vínculos e amplia as possibilidades de aprendizagem. Investir nesse caminho é reconhecer o poder da arte como linguagem de vida e desenvolvimento humano.
Referências
ANDRADE, M. C.; SILVA, P. R. Arteterapia e educação: caminhos para a aprendizagem e o desenvolvimento socioemocional. Revista Educação e Humanidades, v. 12, n. 2, p. 45-59, 2020.
KRAMER, S. Infância e Educação Infantil: uma abordagem sócio-histórica. São Paulo: Cortez, 2011.
PEREIRA, L. F.; SANTOS, R. G. Arteterapia como recurso pedagógico na Educação Infantil. Cadernos de Pesquisa em Educação, v. 25, n. 3, p. 77-89, 2018.

















