Por Jocelaine de Oliveira Borges
Resumo
Este artigo discute, em primeira pessoa, a importância do aprender brincando na Educação Infantil, articulando fundamentos teóricos, documentos oficiais brasileiros e vivências práticas no contexto escolar. Apoiado na BNCC (2017), nas DCNEI (2009) e em autores como Vygotsky, Kishimoto e Hohmann & Weikart, o texto analisa o brincar como eixo estruturante do desenvolvimento infantil e como elemento fundamental da prática pedagógica. O estudo evidencia que o brincar promove avanços cognitivos, motores, sociais e emocionais, constituindo-se como direito da criança e base para sua formação integral.
Palavras-chave
Educação Infantil; Brincar; BNCC; Desenvolvimento Infantil; Prática Pedagógica.
1. Introdução
Como professora da Educação Infantil, aprendi que a criança não separa brincar e aprender. Elas vivem a aprendizagem de forma integrada, curiosa e espontânea. A BNCC (2017) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI, 2009) confirmam essa visão ao afirmar que as interações e as brincadeiras são os eixos estruturantes da prática pedagógica. Assim, este artigo tem como objetivo apresentar, com base em vivências profissionais e referenciais teóricos, por que aprender brincando é essencial para o desenvolvimento integral das crianças.
2. Fundamentação Teórica
O brincar é reconhecido como linguagem da infância. Vygotsky (1998) afirma que, ao brincar, a criança atua em um nível superior ao seu desenvolvimento real, movimentando-se dentro da zona de desenvolvimento proximal. Kishimoto (2010) reforça que o brincar envolve aspectos simbólicos, culturais e sociais, tornando-se ferramenta essencial de aprendizagem. Para Hohmann e Weikart (2002), o professor é parceiro ativo no processo, criando ambientes ricos que ampliem experiências. Esses autores convergem ao reconhecer que brincar não é acessório, mas núcleo do desenvolvimento infantil.
3. O Brincar como Eixo Estruturante da Educação Infantil
A BNCC (2017) estabelece que aprender brincando garante às crianças o direito de conviver, participar, expressar-se, explorar, brincar e conhecer-se. Na prática, percebo que o faz de conta, os jogos simbólicos, as brincadeiras motoras e as explorações com materiais diversos favorecem áreas como linguagem, coordenação motora, atenção, raciocínio lógico e habilidades sociais. Brincar permite que a criança lide com emoções, resolva conflitos, construa autonomia e compreenda o mundo.
4. Implicações Pedagógicas do Brincar
Compreender o brincar como eixo pedagógico requer planejamento intencional. Meu papel como professora não é controlar a brincadeira, mas criar contextos ricos: organizar ambientes, propor experiências desafiadoras, mediar interações e registrar descobertas. Como apontam Hohmann e Weikart (2002), a mediação adulta sensível amplia as possibilidades de aprendizagem sem retirar da criança seu protagonismo.
5. Conclusão
Aprender brincando é um direito da criança, uma necessidade humana e uma forma potente de construção de conhecimento. Através do brincar, a criança imagina, cria, explora, comunica-se e desenvolve-se integralmente. A escola que reconhece isso oferece uma educação mais humana, significativa e alinhada aos princípios da Educação Infantil. O brincar precisa ser defendido, planejado e valorizado como fundamento pedagógico e não como mero complemento.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular – Educação Infantil. Brasília: MEC, 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Resolução CNE/CEB nº 5/2009.
HOHMANN, M.; WEIKART, D. Educação Infantil: fundamentos do High Scope. Porto Alegre: Artmed, 2002.
KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2010.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
BROUGÈRE, G. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez, 1995.
WINNICOTT, D. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

















