Por Gizele Luzia da Cas
1. Introdução
O avanço das tecnologias tem provocado mudanças significativas nas práticas pedagógicas, especialmente no ensino da Matemática. Entre os recursos tecnológicos disponíveis, a calculadora ocupa um lugar de destaque, tanto por sua ampla disseminação quanto pelas controvérsias que envolvem seu uso em sala de aula. Durante muito tempo, a calculadora foi vista como um obstáculo ao desenvolvimento das habilidades de cálculo, sendo proibida ou restringida em muitos contextos escolares.
Entretanto, estudos recentes apontam que a calculadora, quando utilizada de forma adequada, pode contribuir para a aprendizagem matemática, favorecendo a compreensão de conceitos, a investigação de padrões e a resolução de problemas. Nesse sentido, este artigo tem como objetivo discutir o uso da calculadora em sala de aula, destacando suas potencialidades pedagógicas e os desafios de sua implementação no ensino da Matemática.
2. A Calculadora no Contexto da Educação Matemática
A Educação Matemática contemporânea defende uma abordagem que vá além da memorização de algoritmos e do cálculo mecânico. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o uso de tecnologias deve ser incorporado ao processo de ensino e aprendizagem como meio de ampliar as possibilidades de exploração matemática.
Nesse contexto, a calculadora pode ser utilizada como ferramenta de apoio para a construção do conhecimento, permitindo que o aluno concentre seus esforços na análise de situações-problema, na formulação de hipóteses e na interpretação de resultados. Assim, seu uso não substitui o ensino dos algoritmos, mas complementa e enriquece o trabalho pedagógico.
3. Contribuições do Uso da Calculadora em Sala de Aula
Entre as principais contribuições do uso da calculadora, destaca-se o desenvolvimento do raciocínio matemático. Ao utilizar a calculadora, o aluno pode explorar diferentes estratégias de resolução, verificar conjecturas e identificar regularidades numéricas, o que favorece a aprendizagem significativa.
Além disso, a calculadora pode auxiliar na inclusão de alunos com dificuldades de aprendizagem, uma vez que reduz a sobrecarga cognitiva relacionada aos cálculos extensos, permitindo maior foco na compreensão conceitual. Em atividades investigativas, esse recurso também possibilita a exploração de números grandes, frações, porcentagens e relações algébricas que seriam difíceis de trabalhar apenas com cálculos manuais.
Outro aspecto relevante é a aproximação da Matemática escolar com o cotidiano, visto que a calculadora é amplamente utilizada em situações reais, como no comércio, na administração financeira e em diversas profissões.
4. Desafios e Limitações do Uso da Calculadora
Apesar de suas contribuições, o uso da calculadora em sala de aula apresenta desafios. Um dos principais é o receio de que os alunos se tornem dependentes do recurso, prejudicando o desenvolvimento das habilidades básicas de cálculo. Esse risco está diretamente relacionado ao uso inadequado da calculadora, sem objetivos pedagógicos claros.
Outro desafio refere-se à formação dos professores, que muitas vezes não se sentem preparados para integrar a calculadora às atividades didáticas de forma crítica e planejada. A ausência de propostas metodológicas bem definidas pode levar ao uso mecânico do recurso, esvaziando seu potencial educativo.
5. O Papel do Professor na Utilização da Calculadora
O professor desempenha papel fundamental na mediação do uso da calculadora. Cabe a ele definir quando e como esse recurso será utilizado, estabelecendo situações de aprendizagem que promovam a reflexão e o raciocínio matemático. A calculadora deve ser introduzida como instrumento de investigação e validação de resultados, e não como substituta do pensamento matemático.
Dessa forma, é essencial que o docente incentive os alunos a estimar resultados antes do uso da calculadora, interpretar as respostas obtidas e discutir os procedimentos utilizados, fortalecendo a aprendizagem crítica e consciente.
6. Considerações Finais
O uso da calculadora em sala de aula, longe de representar um prejuízo ao ensino da Matemática, pode constituir um importante aliado no processo de ensino e aprendizagem, desde que utilizado de maneira planejada e intencional. Ao favorecer a exploração de conceitos, a resolução de problemas e a aproximação com situações do cotidiano, a calculadora contribui para uma aprendizagem mais significativa e contextualizada.
Conclui-se que a integração desse recurso exige mudanças na postura pedagógica e investimento na formação docente, de modo que a calculadora seja compreendida como ferramenta didática e não como ameaça ao desenvolvimento das competências matemáticas dos alunos.
Referências
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática. Brasília: MEC, 1997.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
D’AMBROSIO, U. Educação Matemática: da teoria à prática. Campinas: Papirus, 2012.
BORBA, M. C.; PENTEADO, M. G. Informática e Educação Matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.

















