Por Andrieli B. Flores
INTRODUÇÃO
O processo de aprendizagem em nossa vida começa desde muito cedo, e a leitura é uma das maiores aprendizagens na vida do ser humano, pois através das primeiras histórias que as crianças ouvem, contadas pelos pais ou por pessoas mais próximas a elas a criança vai desenvolvendo o gosto pela literatura e vai desenvolvendo aos poucos sua percepção e criatividade com o mundo. Esses são seus primeiros estímulos com o mundo da leitura. Deste modo, fazendo a leitura de forma convencional ou não, as crianças também estão desenvolvendo a familiarização com a escrita, que por sua vez acaba facilitando o processo de aprendizagem da alfabetização.
Cada vez mais os livros têm sido substituídos pelo mundo virtual e por isso precisamos buscar novas e eficazes formas de tornar a literatura mais atraente às crianças na escola, o foco da pesquisa é buscar algo que desperte a imaginação e a curiosidade dos mesmos ainda na Educação Infantil, assim tornando a literatura uma grande aliada na hora de aprender de forma lúdica, garantindo a aprendizagem da criança.
2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Como surgiu a literatura no Brasil
Durante muito tempo a educação das crianças era uma tarefa que cabia às famílias, o dever de ensinar e como ensinar. Desde muito cedo elas tinham várias responsabilidades, eram vistas como adultos em formação, por isso muitas vezes acabavam aprendendo como os adultos. As crianças não tinham muitas formas diversificadas de aprender, de adquirir conhecimento de uma forma mais lúdica naquela época. Os livros eram geralmente grossos, com muitas páginas e quase não tinham gravuras para serem apreciadas pelas crianças. Foi nesse contexto que surgiu a necessidade de criar livros direcionados ao público infantil, os primeiros livros que foram direcionados a esse público surgiram a partir do século XVIII. No Brasil, um dos primeiros escritores que escreveu obras para as crianças foi Monteiro Lobato, no ano de 1920 ele publicou o livro “A menina do Narizinho Arrebitado”, iniciava assim a Literatura Infantil brasileira. Monteiro Lobato, uma vez, comentou numa carta escrita ao amigo Godofredo Rangel em 1926, “Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar.” (Lobato 07/05/1926, Apud Magalhães).
A partir daí, a literatura se tornou uma grande aliada no ensino/aprendizagem das crianças, a literatura é um recurso que ajuda na formação ética e moral, segundo Mallmann (2011), “a literatura infantil é um recurso fundamental e significativo, para a formação do sujeito, de um leitor crítico e ainda pode desenvolver os valores morais”, sendo assim, torna-se imprescindível para a educação.
2.2 O papel da literatura no desenvolvimento da criança
A Literatura Infantil tem um papel muito importante no desenvolvimento da criança, pois ela ajuda a desenvolver a imaginação, o cognitivo e principalmente a compreensão da realidade em que a criança vive, pois, a partir daí ela começa a compreender as situações em que está inserida. Na maioria das vezes é na escola que ainda alguns alunos possuem acesso ao livro, sabemos que estamos inseridos em uma realidade desigual, muitas vezes a escola é a mediadora que possibilita que todos tenham acesso às mesmas oportunidades. Sobre o trabalho da escola quanto ao ensino da literatura, Costa(2007) diz:
A formação do leitor é atribuição primordial e indiscutível da escola, à qual cabe muito maior responsabilidade do que cabe às outras instituições sociais, como igreja e a família. A escola deveria ter professores qualificados, acesso a biblioteca, planejamento necessário ao trabalho eficaz e eficiente com a aprendizagem da leitura, a formação do leitor e o desenvolvimento de forma gradativa de habilidades e competências para a leitura e sua extensão, a escrita.(Costa, 2007, p.95).
Por isso, muitas vezes os alunos chegam à escola ainda sem muito conhecimento sobre esse assunto; em suas casas eles não possuem um amplo acesso a livros e leitura. Isso pode acarretar em não interesse na literatura. Cury (2003) diz a seguinte frase: “Bons professores possuem metodologia, professores fascinantes possuem sensibilidade”.
Por isso os professores são mediadores que buscam novas formas de como fazer com que a criança da educação infantil aceite aquela atividade proposta com os livros, à leitura e como ainda conseguir fazer com que esta seja feita de forma prazerosa, e não pela obrigação de manusear um livro. É neste sentido que a escola deve buscar soluções e obras que sejam coerentes a este público infantil.
Sobre como usar métodos funcionais e criativos Costa(2007, p.95) ressalta:
O início do contato com a leitura e literatura remonta aos primeiros dias de vida da criança. Na escola, desde o primeiro dia de sua entrada, a criança precisa ser exposta ao contato com histórias e poemas contados oralmente pelo professor ou mostradas em livros ao alcance dos olhos das crianças. A criação de um ambiente favorável a leitura irá pouco a pouco construindo na mente infantil a imagem de uma atividade enriquecedora e prazerosa. Não se trata apenas de vocabulário, mas de estruturas poéticas e narrativas. (Costa 2007, p.95)
Desta forma então a leitura vai fazendo parte do dia a dia da criança, fazendo assim que ela faça por prazer. Que ela sinta falta de ler algo, de criar e imaginar os fatos das histórias. Para isso então na escola os professores devem tornar o local de leitura um ambiente que tudo seja ao alcance deles, salientando sempre os cuidados, mas deixando-os responsáveis para aquela tarefa que estão a fazer, manusear os livros, ao ver as inúmeras possibilidades na frente deles eles terão muitas opções para criar e imaginar diversas histórias para aquelas páginas.
A literatura infantil é o ponto de partida, o carro chefe onde tudo começa e onde devem estar às melhores formas de aprendizado. De acordo com KOCH e ELIAS 2010:
Quando as crianças chegam às escolas já dominam a língua falada. Ao entrar em contato com a escrita, precisa adequar-se ás exigências desta, o que não é tarefa fácil. É por essa razão que seus textos se apresentam eivados de marcas da oralidade, que, aos poucos deverão ser eliminadas. Na fase inicial de aquisição da escrita, a criança transpõe para o texto escrito os procedimentos que está habituada a usar em sua fala. Somente com o tempo e com a intervenção contínua e paciente do professor é que vai construir seu modelo de texto escrito. (KOCH e ELIAS 2010)
Resgatar ou criar o gosto pela leitura desde cedo, mesmo ainda na educação infantil é uma tarefa dos professores e da escola em um trabalho conjunto.
2.3 A prática da leitura na educação infantil, como formar bons leitores
O ato de realizar a leitura na educação infantil é algo muito valioso. Ainda que as crianças não realizem a leitura como os adultos a motivação para que eles leiam é muito importante. O professor tem papel mediador em buscar leituras apropriadas para a faixa etária e que chamem a atenção e entusiasmem as crianças em buscar aprender. Na educação infantil não é apenas o “cuidar”; e sim preparar eles para os ensinamentos que virão pela frente no aprendizado de cada um deles. Essas atividades de leitura e compreensão da atividade realizada precisam ser de acordo com a compreensão dos alunos, facilitando assim a aprendizagem.
Em uma reportagem ao site da revista Dentro da História, a pedagoga Claudia Onofre responsável pelos projetos de incentivo à leitura diz:
Quando o bebê nasce, o hábito da leitura deve se manter de forma prazerosa. Através da leitura a criança irá desenvolver a curiosidade, descobrir sons, corescriteeres e no decorrer da primeira infância (0 a 06 anos) o hábito da leitura contribuirá de forma significativa para o seu desenvolvimento. Por isso a importância de introduzir livros no cotidiano já nos primeiros anos de vida. (Onofre, 08 de fevereiro de 2019, p.2)
Para algumas crianças o ato de ler é feito por prazer, pois desde cedo eles são incentivados a realizarem a leitura e se interessarem por livros; mas para outros tantos a leitura pode ser uma coisa não tão prazerosa assim. Nem todos têm o mesmo acesso e incentivo a livros e a leitura, muitas vezes essa precariedade torna-se um obstáculo na aprendizagem da criança.
Onofre (2019), ainda salienta que a responsabilidade de fazer o incentivo para as crianças não é somente um papel que cabe a escola, a leitura deve ser incentivada pela família em casa para proporcionar o gosto pela leitura.
É importante fazer com que a criança não perca o interesse em buscar sempre por coisas novas, histórias novas e tudo mais. A formação do bom leitor depende inteiramente desse incentivo, realizado desde cedo nos primeiros anos de aprendizagem.
Sisto (20 de setembro de 2017) em palestra Textos e Pretextos afirma, “Moral da história: contar histórias é a possibilidade, sim, de formar leitores, num verdadeiro ato de subsistência, não só do já inventado, mas do universo que as palavras ‘transcriam’ para levitar”. Como afirma Sisto, ler e contar é uma possibilidade que se tem para formar bons leitores, pois só torna-se um bom leitor praticando a arte. A leitura abre caminhos, abre a imaginação, ler é viajar em um mundo fora da realidade.
2.4 A leitura em tempos de modernidades tecnológicas
Atualmente acesso à internet está presente em praticamente todas as casas, existem poucas que ainda não possuem realmente o acesso a essa importante fonte de informação. Segundo Passarelli 2004, em seu livro:
Os tempos hoje são outros. Nem melhores, nem piores. Apenas outros. Os indivíduos também mudam. Logo, é preciso que essas práticas se apresentem adequadas aos imperativos de hoje, resgatando do passado o que dele for pertinente para uma prática que contribua para a construção de um futuro real e não-utópico. E isso parece disser que, quando se verificam essas mudanças de horizonte, ainda não foi dito se as coisas vão melhorar ou piorar: simplesmente mudaram, e mesmo os juízos de valores deverão ater-se a outro parâmetro. (Passarelli 2004)
A internet que é de extrema importância para nós nos dias atuais, porém o seu mau uso pode causar grandes complicações no aprendizado de nossas crianças.
A revista Pais Atentos publicou uma entrevista com Ian Brenman sobre a leitura nos dias atuais:
Com os avanços tecnológicos e a disseminação dos smartphones e tablets, fica cada vez mais difícil convencer uma criança a largar os equipamentos digitais, sair da internet e pegar e ler o bom e velho livro de papel. Em tempos de redes sociais, bate-papos virtuais, comentários e curtidas em fotos postadas na web, parece que o livro perde cada vez mais espaço. Qual o impacto disso no desenvolvimento das crianças? A leitura feita em tablets é diferente da convencional, do livro de papel? Essa mudança afeta o processo cognitivo e o desenvolvimento da criança?(Brenman, Ian, p. 1).
Cada vez mais tem sido difícil manter a atenção de nossas crianças no livro que talvez não seja tão atrativa quanto o que está disponível a um clic na internet. Competir com um mundo tecnológico que está sendo inovado a cada dia é uma constante batalha, na internet também muitas coisas são evidenciadas e aprendidas, mas muitas vezes de maneiras mais práticas como a leitura ouvida que possibilita ouvir o que está escrito na história ou no texto. Assim desta forma mais fácil, como incentivar as crianças a ler um livro que terão que aprender e se esforçar para decifrar cada palavra se desta maneira está perfeitamente pronta? É hora de saber como aliar as práticas modernas no incentivo da leitura dos livros também. A leitura é um meio de busca de aprendizado e deve ser uma ferramenta do professor na busca por ajuda.
3 METODOLOGIA
Esta pesquisa foi realizada com base em estudos de artigos bibliográficos, textos informativos disponíveis na internet, revistas, e-Books, entrevista semiestruturada com a professora Sonia Dettenborn Luz, professora graduada de Letras Português, especialista em Literatura de Santa Cruz do Sul/RS. Esse método permitirá um estudo detalhado a partir de documentos já produzidos e de reflexões quanto aos autores pesquisados e estudados.
Segundo Gil (2002, p.44) a pesquisa bibliográfica se dá em trabalhos já elaborados dentre estes os livros e artigos científicos. E continua Gil (2002, p. 45) pontuando que “A principal vantagem de uma pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais amplos do que aquela que poderia pesquisar diretamente”.
Em relação à pesquisa, Marconi e Lákatos (2002, p. 94):
Na pesquisa despadronizada ou não estruturada o entrevistado tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão. Em geral, as perguntas são abertas e podem ser respondidas dentro de uma conversação informal.
Buscando assim, através deste estudo enfatizar ainda mais a importância da literatura infantil.
4 CONCLUSÃO
A pesquisa proporcionou diversos pontos importantes para a reflexão de como resgatar a literatura na educação infantil. Ao longo dos anos muitas coisas mudaram em relação a literatura brasileira, como eram os primeiros livros oferecidos às crianças, também podemos observar o quanto a literatura contribui para a formação da identidade e criatividade das crianças e a sua formação em sociedade e também usada para aprendizado associativo da escrita. Facilitando outro processo de aprendizagem do sujeito leitor. A leitura acima de tudo deve ser um ato de incentivo, jamais de forma forçada. Deve ser realizada por prazer, por isso a importância do estimulo e do exemplo para ser seguido.
Foi possível ver também as influencias que a internet e os meios eletrônicos em relação à literatura. Nos últimos anos ouve uma crescente utilização do meio nos hábitos da leitura. Podemos perceber que muitos locais de pesquisa e espaços destinados para o lazer da leitura já não são mais tão utilizados como antes. Então cabe a cada professor se reinventar em sala de aula, buscar suas formas e técnicas possíveis capazes de chamar a atenção dos alunos para que voltem a ler nos livros também, tornar aquele livro muitas vezes esquecido nas prateleiras ou guardados que tanto tem uma história para contar. Mas a principal ainda de motivar as crianças a serem bons leitores, é sendo um bom leitor. O maior incentivo neste caso ainda é o exemplo dado por cada professor, e o professor é responsável por buscar seu aperfeiçoamento e novidades para não deixar morrer a mais bela cultura que é à frente do conhecimento pessoal.
5 REFERÊNCIAS
BRENMAN, Ian. Tela ou papel, digital ou analógico: a leitura em tempos de internet.
Revista Pais Atentos. Disponível em:<https://www.revistapaisatentos.com.br/insa-sp/artigo/tela-ou-papel-digital-ou-analogico-a-leitura–116>.
CARVALHO de Natalia. As contribuições da contação de histórias para o desenvolvimento do processo de aprendizagem da criança no espaço da educação infantil. XVII Jornada científica dos campos gerais cuidar de si, para cuidar do outro. Ponta grossa, outubro, 2019. Disponível em:<https://iessa.edu.br/revista/index.php/jornada/article/viewFile/1289/419>.
COSTA, Maria Morais da.Metodologia do ensino da literatura infantil. Curitiba: Ibpex,2007, p. 171.Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=nTDbst5Y8BAC&printsec=frontcover&dq=inauthor:%22MARTA+MORAIS+DA+COSTA%22&hl=pt- BR&sa=X&ved=0ahUKEwjsnu6MoKfpAhXBGbkGHTjDAqsQ6AEIKDAA#v=onepage&q&f=false>
CURY, Augusto. Paisbrilhantes & Professores fascinantes. São Paulo, editora: Sextante, 2003.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ed. São Paulo: Atlas, 2002.
KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. 2 ed. São Paulo:Editora Contexto, 2010.
MAGALHÂES Adriana.Monteiro Lobato: personagens e ideias polêmicas,<https://www.camara.leg.br/radio/programas/317211-monteiro-lobato-personagens-e-ideias-polemicas-bloco-10741/>, 2020.<https://images.app.goo.gl/Ff3q6sa7s62W5cQK9>
MALLMANN, Michelle de Carvalho A Literatura Infantil no Processo Educacional,2011.
MARCONI, Marina de Andrade; LÁKATOS,Eva Maria.Técnicas de pesquisa, planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, analise e interpretação de dados. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
PASSARELLI, Lilian Ghiuro. Ensinando a escrita: o processo e o lúdico. 4 ed. São Paulo: Editora Cortez, 2004.
SISTO, Celso, Textos e Pretextos.Setembro, 2017. Disponível em: <https://www2.ufjf.br/noticias/2017/09/20/celso-sisto-faz-palestra-e-apresenta-seus-textos-e-pretextos-no-mamm/>.
ONOFRE, Cláudia.A importância da leitura em casa. RevistaDentro da História. Fevereiro,2019. Disponível em<https://www.dentrodahistoria.com.br/blog/educacao/alfabetizacao-e-leitura/a-importancia-da-leitura-em-casa/>.

















