Por Daniela Finatto de Vargas
1 INTRODUÇÃO
A atuação humanizada é primordial no acolhimento ao paciente de urgência/emergência, e a principal papel da(o) enfermeira(o) assistencialista na sala de emergência é de determinar de modo seguro e sem riscos. Os atendimentos de urgência e emergência são determinados pela assistência a pessoas em casos graves, em risco de morte e/ou grande sofrimento, no entanto, a maior parte dos pacientes que necessitam destes atendimentos poderiam ter seus casos atendidos na atenção primária “Unidade Básica de Saúde” – UBS.
A(O) enfermeira(o) se sobressai pelas suas particularidades generalistas, que lhe possibilitem a prática de triagem no campo da emergência encarregar-se pelo atendimento primário do usuário, começar a elaborar o diagnóstico, encaminhar o usuário para o setor clínico correto, monitorizar a fluidez de atendimento, ter liberdade e coordenar os outros colegas da equipe. Sendo primordial um conjunto de saberes, ações, competências e habilidades que qualificam o profissional a um serviço humanizado.
A Humanização como práxis de todos os profissionais recobra um dos fundamentos que norteam a Política Nacional de Humanização – PNH, que é “o fortalecimento do trabalho em equipe multiprofissional, estimulando a transdisciplinaridade e a grupalidade”.
Com o atendimento humanizado à saúde nasce o acolhimento com o método de avaliação e classificação de risco, definido como um instrumento de transformação no trabalho da atenção e promoção de saúde, caracterizado por um método dinâmico de identificação dos usuários que precisam de atendimento imediato, conforme o potencial de risco, gravidade ou nível de sofrimento.
Na percepção da(o)s enfermeiros, o acolhimento é definido como forma de escuta e de compromisso com o paciente, o que reflete um ponto de vista bem próximo da definição da PNH. Todavia na compreensão dos pacientes o cuidado oferecido pela enfermagem é tachado como rápido e com pouco diálogo, o que denota distinção entre o trabalho prestado e o recomendado pelos preceitos da PNH. O que torna imprescindível a qualificação dos profissionais para o entendimento da noção do que é acolhimento.
Uma das normas mais importantes na política de humanização é o acolhimento, definido como processo de ações em saúde que resultam na responsabilização da equipe de saúde pelo paciente. Para que essa diretriz funcione é fundamental à qualificação da(o) enfermeira(o) a fim de dar conta peculiaridades dos indivíduos, saber escutar as queixas dos pacientes e definir a estratégia que mais apropriada a cada indivíduo, assegurando um assistência global e humanizado, com resolutividade no atendimento e ingresso a serviços externos, objetivando a transversalização da atenção à saúde.
Este artigo justifica-se por trazer à luz, a importância da função da(o) enfermeira(o) na atuação humanizada nas urgência e emergência. Tendo em vista que este ambiente demanda serviço de alta complexidade, onde a enfermaem precisa do saber cientifico e prático para oportunizar um atendimento seguro e livre de riscos.
2 SERVIÇO HUMANIZADO
O serviço humanizado, seja em saúde ou não, deve enfatizar o respeito afetivo ao outro, valorizar a melhora na vida e nas interrelações como um todo. Quando se fala de humanização do atendimento em saúde, pensa-se em descentrar o serviço e na importância de este ser mais humanizado com base na dignidade dos indivíduos que precisam de cuidados e/ou atenção. Em situações extremas, os danos à saúde podem acontecer, em alguns casos de emergência, como nas de epidemias, acidentes ou catástrofes.
A humanização do atendimento em saúde requer qualidade tanto na habilidade clínica como comportamental da equipe seja de Enfermagem ou de qualquer outro setor de atendimento. Humanizar o serviço prestado é empregar ações nas quais o profissional respeite o paciente, entendendo-o como um sujeito independente e digno. No que diz respeito às unidades de urgências e emergências hospitalares, observa-se que estes setores possuem uma rotina frenética, o que pode tornar um local exaustivo e criador de divergências entre os profissionais. Frequentemente, o olhar integral ao indivíduo, perde-se em meio a casos de risco elevado de morte, consequentemente, tornando o atendimento emergencial pouco humanizado.
O termo humanização, literalmente, quer dizer ato ou efeito de humaniza, ou seja, tornar humano, “compassivo, benevolente”. Quando discutimos sobre humanização nos relacionamentos interpessoais, podemos resgatar os sentidos denotativos do termo, isto é, caracterizar a humanização como algo inerente ao indivíduo, um instinto que todas as pessoas possuem, onde surgem ações e atos de “bondade”, amor ao próximo tendo o bem como propósito nortear as relações sociais. Porém, a definição de humanização é muito mais extensa quando entramos em vários níveis.
É fundamental salientar que o serviço humanizado não é só requisito técnico, bem como, a solidariedade, o respeito e o amor próximo. Sendo essencial evidenciar que de todos os profissionais da saúde implicados no atendimento, a(o) enfermeira(o), é o que tem mais responsabilidade nesta humanização, visto que mantém sob sua responsabilidade um vasto número de enfermeira(o)s, que precisarão comprometer-se com este atendimento. Desse modo, a enfermagem pode ser vista como primordial na criação e manutenção da organização e humanização do atendimento nos setores de urgências e emergências, gerando alivio instantâneo do sofrimento e reorientações de procedimentos .
2.1 Urgência e Emergência
Urgência e emergência são palavras utilizadas na medicina, que por vezes são confundidas por pacientes e equipes de saúde. Urgência é um cenário que demanda atendimento rápido, em um período que não exceda a duas horas, para prevenir problemas e sofrimentos, emergência é toda condição em que exista risco de morte, grande sofrimento ou ameaça de lesão permanente, sendo necessário uma assistência imediata.
Os atendimentos de emergência hospitalares no Brasil são um fenômeno global, caracterizado por todos os leitos do setor de emergência preenchidos, usuários internados nos corredores, tempo de espera para o atendimento dura mais de uma hora, grande apreensão no grupo de trabalho, imensas tensões na procura do serviço o que pode ocasionar em uma baixa performance do serviço de saúde.
O serviço de urgência e emergência é crucial para a preservação da vida. Logo é importante a qualificação das equipes de enfermagem, em todas as áreas do atendimento, baseada em uma visão estratégica promocional, abrangendo toda a administração e cuidado extra hospitalar fixo e móvel, hospitalar e pós-hospitalar, incluindo equipes de nível superior técnico, conforme as normas do SUS e assentada nos centros de ensino onde tem de estar estruturado o serviço de urgência e emergência convencionado pela legislação do Ministério da Saúde.
2.2 Classificação de Risco
A classificação de risco é um instrumento que, além de ordenar a fila de espera e sugerir outra ordem de acolhimento, procura garantir o atendimento imediato do paciente com alto risco; avisar o indivíduo que não está em risco eminente, sobre o possível período de espera; viabilizar a atuação da equipe; melhorar o ambiente de atuação para as equipes; ampliar a satisfação dos pacientes e sobretudo, garantir e incitar a união e a criação de redes internas e externas de assistência.
O protocolo de Manchester como condutor no gerenciamento do serviço propicia uma fluência satisfatória no modo de atuação, na preparação e utilização do ambiente e clareza na assistência. Este protocolo é constituído por dois extremos e setores que apontam o grau de risco dos usuários. A classificação vermelha indica o usuário grave com risco de morte, a azul identifica o usuário aparentemente não grave, mas que precisa ou busca o serviço de urgência.
O setor vermelho está relacionado a clínica do usuário grave com risco de morte e é constituído pelo seguinte grupo: vermelha, laranja, amarela e verde de conforme a gravidade, sendo a vermelha a mais grave e precisa de atendimento imediato e o verde, o menos grave, mas não necessariamente, menos importante. E o setor azul que indica os pacientes não graves, mas que precisam de assistência e definição do grau de risco para melhorar o fluxo do serviço.
O Método de Triagem por Prioridades foi criado em Manchester, na Inglaterra, no ano de 1997. Esse sistema consiste em proporcionar um atendimento conforme o quadro clinico determinando qual o tempo indicado para a assistência médica. O protocolo de Manchester conduz a seleção baseada nos sintomas do paciente e o separa por cores, que indica o nível de gravidade e o tempo de espera adequado para o atendimento.
O acolhimento com definição de risco pelo método de triagem é ilustrado na figura 1 encontramos o sistema de cores cuja divisão indica a prioridade na assistência ao usuário, lembrando que cada cor determina o tempo de espera na assistência.
O protocolo de Manchester só pode ser utilizado por enfermeiras(os) ou médica(os) e tem como objetivo assegurar orientações uniformes com os diversos grupos de trabalho, dar fim a classificação não científica, promover a segurança do usuário e da equipe, aumentar o nível de prioridades dos usuários, garantir mais segurança e neutralidade nos modos de classificação realizadas pela enfermagem.
É fundamental enfatizar que para o uso de protocolos de avaliação com definição de risco enfermeiras(os) e médicas(os) precisam apresentar certificados de habilitação conduzida pelo Grupo Brasileiro de Classificação de Risco. Dessa forma, a assistência com avaliação e definição de risco pode ocasionar em um método dinâmico de identificação das condições dos pacientes que precisam de atendimento imediato, conforme o seu potencial de risco, agravos à saúde ou nível de sofrimento; a equipe de saúde precisa estar habilitado para escutar as queixas, medos e expectativas do paciente, humanizando o serviço e promovendo soluções para o complicação apresentada.
Figura 1. Classificação de Risco – Protocolo de Manchester

Fonte: Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, 2010.
2.3 Sistematização da Assistência de Enfermagem
Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é a metodologia ideal para a equipe de enfermagem praticar seu saber técnico- científico no atendimento. Este método existente em diversas partes do mundo desde a década de 50, só chegou no Brasil nos anos 70 com Wanda de Aguiar Horta nomeado como “Processo de Enfermagem”.
A Resolução 358/2009 do COFEN24 caracteriza que o processo de Enfermagem é constituído de cinco etapas interligadas, interdependentes e usuais na seguinte sequência:
- – Coleta de dados de Enfermagem (ou Histórico de Enfermagem) – processo deliberado, sistemático e contínuo com finalidade de obter informações sobre a pessoa, família ou coletividade humana e respostas em um dado momento do processo saúde e doença;
- – Diagnóstico de Enfermagem – processo de interpretação e agrupamento dos dados coletados, resultando na tomada de decisão sobre os conceitos diagnósticos de enfermagem que representam as respostas da pessoa, família ou coletividade humana em um dado momento do processo saúde e doença e determinam a seleção das intervenções;
- – Planejamento de Enfermagem – determinação dos resultados que se espera alcançar e das ações ou intervenções que serão realizadas frente aos Diagnósticos de Enfermagem identificados;
- – Implementação – realização das ações ou intervenções determinadas na etapa de Planejamento de Enfermagem;
- – Avaliação de Enfermagem – processo deliberado, sistemático e contínuo de verificação de mudanças nas respostas da pessoa, família ou coletividade humana em um dado momento do processo saúde doença, para determinar se as ações ou intervenções de enfermagem alcançaram o resultado esperado; e de verificação da necessidade de mudanças ou adaptações nas etapas do Processo de Enfermagem. A execução do Processo de Enfermagem deve ser registrada formalmente, envolvendo:
- um resumo dos dados coletados sobre a pessoa, família ou coletividade humana em um dado momento do processo saúde e doença;
- os diagnósticos de enfermagem acerca das respostas da pessoa, família ou coletividade humana em um dado momento do processo saúde e doença;
- as ações ou intervenções de enfermagem realizadas face aos diagnósticos de enfermagem identificados;
- os resultados alcançados como consequência das ações ou intervenções de enfermagem realizadas.
Desse modo conclui-se que a assistência humanizada especialmente em caso de emergência requer da enfermagem raciocino rápido nas ações para alcançar os propósitos do cuidado, onde o processo de enfermagem é uma ferramenta fundamental para decisão por utilizar um guia criado para construir hipóteses clínicas. Logo, integrar a SAE é uma maneira dar um olhar mais científico á enfermagem, proporcionando uma atenção humanizada, constante, mais justa e de qualidade para usuário
3 Metodologia
A metodologia utilizada neste trabalho é de natureza aplicada, abordagem qualitativa, de objetivo exploratório-descritivo, com emprego de técnicas de pesquisa bibliográfica que, oportunizou averiguar importância da atuação da enfermagem nos setores de urgência e emergência.
4 Resultados e Discussão
De acordo com o estudo da literatura explorada verifica-se que a humanização do acolhimento nos serviços de saúde, evidencia-se no início do terceiro milênio, quando o Ministério da Saúde elaborou a PNH, que orientou a fundação do PNHAH.
“No âmbito hospitalar, a humanização dos cuidados torna- se necessária, à medida que alguns fatores como o avanço da tecnologia médica, as rotinas hospitalares e o paternalismo da equipe de saúde fazem, por muitas vezes, com que o cuidado seja apenas a aplicação de procedimentos técnicos com objetivos mecanicistas e, consequentemente, desfavorecedor da autonomia do paciente”.
O Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar construído no Brasil com a chegada do século XXI teve como propósito provocar mudanças no atendimento realizado nos serviços de saúde, por meio da introdução de novas formas de atendimentos objetivando o respeito à vida, ao indivíduo, a sua autonomia e a dignidade. As intervenções sugeridas pelo Programa foram produzidas a partir de queixas dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com o propósito de dar mais qualidade aos serviços ofertados, acrescendo ética a eficiência técnica e científica, respeito aos pacientes e às equipes de saúde.
Destaca-se que a Enfermagem tem um papel crucial na humanização do atendimento em saúde, pois ele possui mais contato como os pacientes dos serviços de saúde, responsabilizando-os pela eficácia no atendimento humanizado dentro da unidade de saúde, é ele quem comanda os profissionais de enfermagem, faz a classificação de risco, prioriza o atendimento conforme a gravidade do caso.
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