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Artigo – O lúdico na educação infantil

Por Ana Renata Antunes de Oliveira Damiani

INTRODUÇÃO

Este artigo se justifica pela preocupação em integrar elementos lúdicos à prática pedagógica, reconhecendo a necessidade de aprimorar o processo de ensino e aprendizagem para garantir que os alunos recebam uma educação de qualidade, que favoreça seu desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social. A escola deve constituir-se como um espaço pensado para promover habilidades e competências das crianças. O ato de brincar possibilita que elas construam conhecimento de maneira espontânea, prazerosa e significativa.

Os objetivos centrais deste estudo são enfatizar o valor do lúdico e das brincadeiras como ferramentas pedagógicas no processo de ensino-aprendizagem, evidenciando os benefícios do brincar na formação do conhecimento de forma natural e prazerosa. Pretende-se também destacar o potencial transformador das práticas lúdicas na educação e no desenvolvimento infantil, considerando seus aspectos afetivos, motores, sociais e cognitivos.

Diante disso, torna-se fundamental realizar pesquisas e aprofundar estudos que, à luz de referenciais teóricos, esclareçam o papel das brincadeiras e do lúdico no aprendizado e no desenvolvimento das crianças. Busca-se ainda orientar os professores, mostrando que é possível ensinar e aprender por meio da corporeidade, da espontaneidade e da ludicidade. Para essa finalidade, utilizou-se o método de pesquisa bibliográfica, com leituras, análises e reflexões baseadas em autores reconhecidos na área, com o intuito de esclarecer dúvidas e ampliar a compreensão sobre o tema.

Apesar de sua importância, o uso do lúdico, dos jogos e das brincadeiras na educação ainda representa um desafio para muitos docentes. A falta de preparo e a crença equivocada de que crianças em idade escolar somente aprendem mediante atividades escritas podem limitar o trabalho pedagógico e, em muitos casos, atrasar o desenvolvimento infantil.

É fundamental compreender que a ludicidade e o brincar não devem ser utilizados apenas como preenchimento do tempo de aula. Ao contrário, estruturam uma proposta educativa que exige do professor um planejamento cuidadoso: selecionar, organizar e aplicar os jogos, além de participar ativamente das atividades, quando necessário. Cabe ao educador criar situações estimulantes e eficazes para a aprendizagem, tornando o uso de jogos, brincadeiras e atividades lúdicas uma alternativa mais envolvente e significativa para o ensino dos conteúdos escolares.

A revisão de literatura abordará a relevância do lúdico, a construção do conhecimento por meio das brincadeiras e o impacto transformador dessas práticas no desenvolvimento das crianças e, consequentemente, no processo de ensino e aprendizagem. Entre os principais autores que fundamentam este estudo estão: Kishimoto (1993), Santos (1997), Haetinger & Haetinger (2009), Rosado (2005), Macedo e Passos (2005), entre outros. Como documentos de apoio, serão utilizados o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (BRASIL, 1990), lei nº 8069/90, que dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente e Brasil (2012).

Para melhor compreensão do assunto, trabalharemos em três eixos centrais: O lúdico, os jogos e as brincadeiras; A criança em desenvolvimento e o ambiente escolar: Do imaginário ao real e por último, O papel do professor e o uso do lúdico e das brincadeiras como fonte do saber.

PROBLEMA

Como a ludicidade tem sido trabalhada no ambiente escolar com os alunos da Educação Infantil? Existem atividades lúdicas utilizadas para facilitar o processo de aprendizagem? De que maneira essas práticas são desenvolvidas? Os professores estão preparados para abordar essa temática de forma adequada?

Vygotsky destaca que, durante a brincadeira, “a criança age além do comportamento típico de sua idade, ultrapassando suas ações cotidianas; no brinquedo, ela se comporta como se fosse mais madura do que realmente é” (2007, p. 122).

REVISÃO DA LITERATURA

Lúdico e o Processo Educativo

O lúdico desempenha um papel essencial no processo educativo, apresentando contribuições significativas em todas as etapas da vida humana. Ele permite compreender como a criança se relaciona com o mundo ao seu redor, além de integrar estudos específicos sobre sua relevância na construção da personalidade.

Antunes (2005, p. 34) afirma que a ideia de cultura lúdica é resultado de uma construção histórica, que se transforma ao longo do tempo de acordo com cada sociedade e cada período, não permanecendo igual em diferentes contextos históricos.

Segundo Carneiro (1995, p. 66), “todas as pessoas possuem uma cultura lúdica, que consiste em um conjunto de significados atribuídos ao lúdico”. Dessa forma, pode-se afirmar que essa cultura é constantemente criada pelos indivíduos, sendo moldada desde cedo por meio das brincadeiras que as crianças realizam.

Para a criança, uma das maneiras mais naturais e eficazes de se expressar corporalmente é por meio do lúdico — seja através de brinquedos, jogos ou atividades espontâneas. Como alerta Almeida (1990):

O jogo é integrador de personalidade, pois o ser que brinca e joga é o ser que age, interage em relação aos outros, aquele que sente (gera envolvimento emocional), é aquele que pensa, aprende e se desenvolve. O jogo permite a confrontação de pontos de vista, como também mobiliza os esquemas mentais, estimula o pensamento. Assim, a ludicidade e a corporeidade deixam à mostra a metodologia construtivista-integracionista em que a criança opera sobre os objetos, interage com os colegas e desenvolve ferramentas estruturais mentais, sócias afetivas e motoras, que garantirão a vivência do corpo inteiro nas aprendizagens e a ocorrência, de fato, do desenvolvimento integral, dessa forma o processo educativo, tem, no jogo um recurso multidimensional e um valor importante pelo prazer e o esforço espontâneo que ele provoca a criança. Também se considera o relacionamento das pessoas envolvidas, desenvolvendo a motivação as relações sócias afetivas garantirão a vivência inteiro completando com as palavras. (ALMEIDA, 1990, P. 19-32).

Os jogos, os brinquedos e as brincadeiras constituem atividades essenciais na infância. O ato de brincar estimula a curiosidade, incentiva a iniciativa e fortalece a autoconfiança, favorecendo a aprendizagem e o desenvolvimento da linguagem, do raciocínio, da concentração e da atenção. Por meio do jogo, a criança amplia sua capacidade de reconhecer atitudes de cooperação, já que está em processo de formação e tem a oportunidade de descobrir suas próprias habilidades, convivendo e interagindo com os colegas. (ALMEIDA, 1990)

Contribuições da Ludicidade No Desenvolvimento Do Processo de Ensino Aprendizagem

Para Gomes (2004, p. 47), a ludicidade representa uma dimensão da linguagem humana que permite “a expressão do sujeito criador, capaz de atribuir sentido à própria existência, ressignificar e transformar o mundo”. Mais adiante, o autor complementa: “Assim, a ludicidade constitui uma possibilidade e uma habilidade de brincar com a realidade, reinterpretando o mundo” (GOMES, 2004, p. 145). Ao tratar do lúdico, Gomes oferece o ponto central que orienta nossa reflexão ao afirmar:

Como expressão de significados que tem o brincar como referência, o lúdico representa uma oportunidade de (re) organizar a vivência e (re) elaborar valores, os quais se comprometem com determinado projeto de sociedade. Pode contribuir, por um lado, com a alienação das pessoas: reforçando estereótipos, instigando discriminações, incitando a evasão da realidade, estimulando a passividade, o conformismo e o consumismo; por outro, o lúdico pode colaborar com a emancipação dos sujeitos, por meio do diálogo, da reflexão crítica, da construção coletiva e da contestação e resistência à ordem social injusta e excludente que impera em nossa realidade. (GOMES, 2004, p. 146)”

Para Santos (1990), o significado de ludicidade é uma experiência vivenciada que nos dá prazer ao realizá-la e, através da ludicidade a criança se relaciona com o outro e aprende a ganhar e perder, a respeitar ordens e situações, entender e aceitar as frustrações, e a expressar as suas emoções. Ou seja, pode-se usar o termo lúdico para qualquer atividade que cause experiências positivas, divertidas e prazerosas.

As aulas de ludicidade na sua maioria proporcionam às crianças e jovens experiências lúdicas, por meio dos seus conteúdos, metodologia e espaço físico. As experiências bem sucedidas na quadra, pátio ou na sala de aula poderão ser utilizadas em outras disciplinas que, ao se apropriarem dos jogos e brincadeiras, poderão proporcionar um aprendizado lúdico e prazeroso. (SANTOS 1990)

[…] Quando socializamos os saberes, oportunizamos o crescimento coletivo, favorecendo um aprendizado mais efetivo e comprometido com a formação global. Sendo assim devemos buscar estratégias que enriqueçam as aulas com momentos lúdicos e conhecimentos múltiplos, seja na educação física ou na matemática. Proporcionar verdadeiramente atividades lúdicas durante o processo ensino aprendizagem significa quebrar resistências e barreiras. […] (DOHME, 2003, P. 117).

De acordo com Almeida (1990), atividade lúdica é expressa como fonte importante no processo de desenvolvimento e aprendizagem infantil para as crianças. Essas atividades contribuem expressivamente para a construção do conhecimento, sendo o jogo uma fonte de prazer e descoberta para elas, ajudando assim em diversos fatores importantes para o desenvolvimento e aprendizagem da criança. A contribuição do jogo para esse desenvolvimento vai depender da concepção que se tem sobre o jogo, criança aprendizagem de desenvolvimento. A educação lúdica integra em sua essência uma concepção prática e teoria atraente e concreta. Seus objetivos são a relações cognitivas, afetivas, psicomotoras sócias, mediante seu conhecimento e sua aprovação para uma reação ativa e criativa da criança. O brinquedo faz parte da vida da criança simbolizando a relação pensamento-ação, constituindo toda a atividade, ao tornar possível o uso da fala, do pensamento e da imaginação.

O Papel Da Brincadeira Na Educação Infantil

Aprender a brincar com os outros numa legítima experiência de socialização, percebem rapidamente que para fazer parte de um grupo, precisa aprender a controlar seus impulsos de agressividade e hostilidade.

O espírito lúdico da convivência prazerosa e criativa, que vinha sendo praticamente desenvolvido desde o nascimento, com o próprio corpinho e com a mãe, e depois no faz-de-conta solitário, passa pouco a pouco a fazer parte do universo social, agora transversal entre, pares, com sua complicada trama de relações, suas regras e acordos, muitas vezes ainda implícitos e velados. (OLIVEIRA, 2000, p.22).

Vygostsky (1998), afirma que o brincar é um espaço de aprendizagem onde a criança age além do seu comportamento humano. No brincar, ela age como se fosse maior do que é na realidade, realizando simbolicamente, o que mais tarde realizará na vida real. Embora aparentemente expresse apenas o que mais gosta, a criança quando brinca, aprende a se subordinar às regras das situações que reconstrói.

Ao brincar, a criança elabora situações que vivência na realidade, mas engana-se o leitor se imagina que o ato de brincar é, na visão desse autor, simples reedição da vida real. Vygotsky explica que, ao brincar, a criança interpreta a as ações dos adultos, projetando-se no mundo deles, assumindo um comportamento e desempenhando papéis que nem sempre são infantis. O autor também destaca que ao brincar, a criança altera a dinâmica da vida real, pois não reproduz o jogo da mesma forma em que a situação foi vivenciada.

[…] O jogo da criança não é uma recordação simples do vivido, mas sim a transformação criadora das impressões para a formação de uma nova realidade que responda as exigências e inclinações da própria criança […] (VYGOTSKY, 1998, p. 12).

Vygotsky (1998) preconiza em sua teoria a importância das relações sociais para o desenvolvimento dos indivíduos, nesse contexto, destaca que a brincadeira pode ter caráter fundamental.

Os Benefícios Dos Brinquedos e Dos Jogos No Desenvolvimento Infantil

Conforme afirma Vygotsky (1998), é preciso reconhecer que a imaginação e a fantasia fazem parte de todas as práticas sociais e culturais, envolvendo tanto crianças quanto adultos. Assim, torna-se fundamental compreender e estimular a capacidade criativa das crianças, pois é por meio dela que elas se relacionam com o mundo e o reinterpretam de acordo com sua lógica infantil.

A impossibilidade de realização imediata dos seus desejos faz com que a criança se envolva com o ilusório e o imaginário, onde seus desejos podem ser realizados, e é o mundo dos brinquedos que leva a criança a tocar, brincar e sentir as cores, sons e desenvolver sua criatividade (VYGOTSKY 1998, p. 85-102).

Segundo Piaget (1998, p. 62), o brinquedo não deve ser entendido apenas como uma forma de diversão ou um meio para gastar energia, pois ele contribui para o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e moral da criança. É por meio do brincar que ocorre a construção do conhecimento, especialmente nos estágios sensório-motor e pré-operatório. Ao manipular objetos, as crianças, desde muito cedo, organizam seu espaço e seu tempo, desenvolvendo a noção de possibilidades e o pensamento lógico. Além disso, o interesse em brincar bem aumenta a motivação para usar a inteligência, incentivando-as a superar desafios tanto cognitivos quanto emocionais.

Segundo Cacilda Gonçalves Velesco:

O jogo e a brincadeira na infância estruturam-se no movimento. Este tem como função: a exploração e relação do corpo e dos objetos, os sentimentos e as emoções. A criança, desta maneira estabelece conceitos, interage com os objetos e as pessoas, favorecendo a comunicação e a inteligência, daí o pensamento e a aprendizagem virem como resultado importante desse brincar (VELESCO, p. 78).

O lúdico, o jogo e o brinquedo são componentes essenciais para o desenvolvimento infantil, pois podem despertar na criança sentimentos de alegria, curiosidade, encanto, vontade de aprender e admiração. Por isso, é fundamental que a ludicidade seja trabalhada com sensibilidade, compreensão e, sobretudo, paciência, de modo que os objetivos propostos possam ser alcançados. Empregar atividades lúdicas, ou qualquer ação que estimule a criança a explorar, criar, analisar, comparar e distinguir, é sem dúvida extremamente relevante para sua formação e crescimento. (VELASCO, 1996, p. 79).

De acordo com Vygotsky (1998), “a criança que compreende e domina o mundo ao seu redor é aquela que busca agir sobre ele. Para isso, utiliza objetos substitutos, atribuindo-lhes significados diferentes dos que possuem originalmente. No brinquedo simbólico, o pensamento se separa dos objetos, e a ação passa a ser guiada pelas ideias, e não pelas coisas concretas”.

Diversos estudos têm evidenciado a importância do lúdico para o êxito no processo de ensino e aprendizagem. O aspecto afetivo presente no jogo e na brincadeira deve ser explorado durante as atividades educativas, já que essas práticas, como mencionado anteriormente, favorecem o desenvolvimento cognitivo das crianças. Ao inserir o lúdico na educação, cria-se um ambiente no qual a criança pode expressar seus sentimentos e desenvolver sua afetividade, além de facilitar a construção de novos conhecimentos. Por meio das atividades lúdicas, ampliam-se as possibilidades de ação simbólica e de uso da linguagem, permitindo trabalhar limites, regras e a relação entre imaginação e realidade

METODOLOGIA

Este artigo resulta de uma pesquisa de campo, iniciada por meio de um levantamento teórico embasado em fontes como livros e sites mencionados nas referências bibliográficas.

Os autores consultados apresentam ideias que, embora divergentes em alguns pontos, acabam se complementando ao evidenciar a relevância das atividades lúdicas no processo educativo.

Com a fundamentação teórica concluída, passou-se à elaboração de um questionário, do qual participaram professores da educação infantil.

ANÁLISE DE DADOS

O questionário foi iniciado com perguntas sobre a formação profissional dos participantes. Foram entregues cinco formulários e recebemos quatro de volta. Verificou-se que, entre os respondentes, apenas um possui magistério como formação inicial, enquanto os outros três são formados em pedagogia.

Na segunda etapa da pesquisa, os professores foram questionados sobre diversos aspectos, sendo o primeiro relacionado à compreensão que têm sobre a ludicidade. As questões e os resultados obtidos estão resumidos a seguir:

O lúdico é essencial para a aprendizagem infantil?

Os quatro docentes afirmaram que, quando utilizado como estratégia motivacional na aplicação dos conteúdos e nas intervenções pedagógicas, o lúdico se torna uma forma de ensino e aprendizagem que possibilita à criança aprender com prazer, respeitando seu tempo e suas necessidades.

A ludicidade contribui para o desenvolvimento integral da criança e está presente em todos os momentos da educação infantil?

De modo geral, os participantes destacaram que sim. Segundo eles, a ludicidade e as brincadeiras têm grande importância no processo de aprendizagem, pois estimulam, despertam e ampliam o universo imaginativo da criança. Para os professores, o lúdico é um recurso que deve ser aplicado em diferentes contextos educativos.

A ludicidade pode ser utilizada como metodologia em sala de aula para proporcionar momentos agradáveis, considerando o aprendizado e o desenvolvimento?

Todos os entrevistados concordam que atividades lúdicas tornam a aprendizagem mais eficiente e prazerosa, despertando maior interesse e motivação nas crianças.

A ludicidade é uma metodologia que torna a aula ou atividade mais agradável?

Os professores destacam que, desde que aplicadas de maneira adequada, as atividades lúdicas são eficazes e prazerosas. Observa-se que as crianças demonstram maior interesse e entusiasmo ao participar delas. Trata-se de um trabalho criativo, que estimula a imaginação e desenvolve a criatividade infantil.

Os resultados obtidos foram bastante positivos. A pesquisa permitiu constatar que aprender brincando é muito mais significativo para a criança, pois o ato de brincar faz parte do seu universo e de seu processo de desenvolvimento. É por meio das diferentes formas de utilização do lúdico em sala de aula que conseguimos despertar prazer pelo ato de aprender.

A partir da análise das informações coletadas no trabalho de campo, conclui-se que o uso do lúdico em sala de aula tem grande relevância para a saúde mental da criança, criando um ambiente que exige atenção de pais e professores. Esse espaço representa a expressão mais autêntica do ser infantil e constitui um direito fundamental das crianças, permitindo o exercício das relações afetivas com o mundo, com outras pessoas e com os objetos ao seu redor.

Por fim, nota-se que a educação é um caminho de esperança e inclusão para muitos estudantes. Entretanto, para que isso se concretize, é indispensável o empenho e a dedicação de cada professor. As atividades lúdicas são um recurso essencial nesse processo, pois contribuem diretamente para diversos aspectos que impactam a dinâmica da sala de aula e, consequentemente, a sociedade como um todo.

CONCLUSÃO

Constatou-se, por meio deste estudo, que o brincar e o lúdico são essenciais tanto para a criança quanto para o professor. Quando estes recursos são utilizados de forma consciente, proporcionam uma aprendizagem mais alegre, criativa e, muitas vezes, espontânea.

Brincar, divertir-se, recrear-se e praticar esportes são direitos da criança e representam formas de inseri-la em um contexto social saudável e significativo. Essas práticas contribuem para uma vida mais alegre e ativa, respeitando seus desejos, expectativas e fantasias, elevando sua autoestima e favorecendo a construção — ou reconstrução — de sua própria realidade. Dessa forma, tais vivências ampliam também o nível de conhecimento da criança.

O trabalho apresentado demonstra que não existe um modelo pedagógico pronto ou uma receita fixa a ser aplicada em sala de aula. Pelo contrário, evidencia caminhos e alternativas que possibilitam ao professor desenvolver sua proposta pedagógica em benefício da aprendizagem infantil. Esses caminhos estão profundamente relacionados ao uso de jogos e brincadeiras na perspectiva lúdica do ensino e da aprendizagem, por meio de ambientes e organizações que incentivem e estimulem as descobertas.

Assim, percebe-se que o brincar, o lúdico e os jogos — toda essa expressão simbólica e corporal — devem estar presentes na rotina escolar e também fora dela. Muitas dessas oportunidades dependerão diretamente do professor, que frequentemente será responsável por introduzir esse repertório de brincadeiras na vida das crianças. Isso envolve seu planejamento, suas práticas pedagógicas e seu compromisso em despertar na criança o prazer de pensar, sentir e agir dentro do universo imaginativo do brincar, contribuindo para um desenvolvimento saudável e prazeroso.

Considerando que a escola é um ambiente social, ela deve ser um espaço favorável à troca de experiências, contribuindo para a melhoria da qualidade de ensino de todos os envolvidos. Como mediadores do conhecimento, os educadores precisam oferecer um ambiente acolhedor, estimulando interações sociais e favorecendo o desenvolvimento autônomo e ativo da criança, permitindo que ela construa seu próprio processo de aprendizagem.

Este artigo teve como objetivo destacar a importância do uso do lúdico para a melhoria da qualidade do ensino público. As atividades lúdicas são ferramentas pedagógicas capazes de agregar valor ao processo educativo sem gerar impactos administrativos ou financeiros para a gestão escolar.

Entretanto, é necessário mencionar que, na prática, o lúdico muitas vezes é deixado de lado durante o processo de ensino-aprendizagem, sendo utilizado apenas em momentos pontuais e de forma restrita, o que acaba separando prazer e conhecimento. As brincadeiras e os jogos, porém, são fundamentais para promover uma aprendizagem prazerosa e dinâmica, além de facilitar o trabalho pedagógico desenvolvido em sala.

É importante lembrar que, ao propor atividades lúdicas, o professor deve compreendê-las não apenas como simples brincadeiras, mas como oportunidades reais de promover o ensino e a aprendizagem. Elas também podem ser utilizadas como momentos de entretenimento, desde que não se desvinculem completamente da aprendizagem significativa.

Por fim, ressalta-se que as diferentes formas de abordagem do lúdico podem ser entendidas como práticas sociais privilegiadas de interação e construção do conhecimento da realidade vivida pelas crianças, contribuindo para a formação do sujeito-criança como protagonista de sua própria história.

REFERÊNCIAS

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__________. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa. Ludicidade na de sala aula: unidade 04. Brasília 2012.

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SANTOS, Santa Marli Pires dos. (org.). Brinquedoteca: o lúdico em diferentes contextos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.

__________, Santa Marli Pires dos. O lúdico na formação do educador. 5 ed. Vozes, Petrópolis, 2002.

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