Por Ivanete Maria de Oliveira
A escola ao formar leitores, capacita-os ao exercício da cidadania. Essa valorização se dá em todos os níveis da educação formal brasileira. A capacidade de expressar e interpretar se aperfeiçoa com a maturação do processo, que nem sempre depende da idade do estudante. Há adultos analfabetos funcionais e crianças com alta competência em leitura e escrita.
Cabe a escola favorecer o desenvolvimento das competências específicas da leitura, desde a educação infantil o contato com os livros e textos multidisciplinares em várias linguagens é indispensável. Conviver com os diferentes gêneros textuais aguaça a capacidade de distingui-los e de entender o seu funcionamento. A tarefa de graduar esses, é atribuição do professor. É recomendável introduzir textos cada vez mais complexos a partir de cada etapa vencida. No caso da literatura, o que se observa é que os professores permanecem trabalhando com poemas e narrativas simplificadas até o fim do ensino fundamental. Essa maneira de trabalhar acarreta grandes dificuldades no ensino médio, inibindo no estudante a facilidade de trabalhar com texto complexos como os científicos, os técnicos e a literatura de qualidade.
Para tanto o professor precisa ser um leitor competente e dominará estratégias de trabalho. Para formar leitores é indispensável que ele seja também um leitor de muitos textos, com conhecimento teórico, gosto pela leitura e reconhecimento da importância dos textos em formato de livros ou não.
Para essa atribuição, o formador de leitores, que é o professor, e não exclusivamente o professor de Língua Portuguesa, possa ser colocada em prática, lembramos que os textos são constituídos de diferentes níveis inter-relacionados de sentido, a demandar estratégias diferenciadas no tratamento analítico e de interpretação: a compreensão viaja por estados lexicais, sintáticos, estilísticos, culturais, ideológicos e intertextuais. Cada um deles propícia abordagens específicas e complementares.
Os exercícios de compreensão e interpretação dos textos da cultura propiciam o entendimento e como eles funcionam e porque se criaram esses objetos de leitura dos estudantes.
Quanto mais estudantes e professores exercerem a compreensão abrangente e diversificada dos textos, tanto mais completa será a formação do leitor e mais preparada estará a comunidade escolar para viver a cidadania.
A leitura dos textos verbais impressos é atividade exigente. A alfabetização não garante o bom desempenho do estudante, porque os textos cumprem papéis sociais que, se não forem levados em conta, tendem a deixar incompleta a compreensão. A linguagem fragmentada e artificial das cartilhas e dos livros para alfabetizar demostra o restrito papel desse tipo de texto; serve apenas para ensinar a tecnologia do alfabeto. O leitor atua com informações, conhecimentos, experiências de leitura de vida; sensações específicas ao se defrontar com o trabalho de ler e ele executa essa função sem muita consciência de toda essa complexidade. Um leitor interpreta um texto com os sentidos que pode ler. Cabe ao professor um completo trabalho de mediação, aumentar esse poder do aluno. Para tanto, a leitura compartilhada permite a troca de descobertas, o acompanhamento da compreensão do texto e o reforço da leitura, porque se aprende a ler lendo e observando como os outros leitores lidam com os textos e produzem sentidos.
Para conseguir motivar o aluno é recomendável classificar-se a atividade de acordo com o nível dos leitores, para isso há várias estratégias preparatórias como pesquisas, leituras prévias de textos semelhantes, questionários, depoimentos, discussão sobre o tema do texto a ser lido ou previsão do possível conteúdo a partir de algumas indicações como título capa, autor, nome de personagens.
No decorrer do trabalho de leitura do texto selecionado é recomendável observar uma linguagem científica, técnica, narrativa ou poética. As palavras, as construções sintáticas, o modo como as partes do texto se organizam, o valor semântico plurissignificativo de todas as camadas do texto, as omissões, a ironia, a intertextualidade…
As atividades exploratórias realizadas após a leitura do texto são as mais utilizadas pelos professores, sendo aquelas que traduzem o verbal para outras linguagens, como a ilustração, o texto, a fotografia, a música, o cinema, os quadrinhos e outros. Toda atividade de tradução como as especificadas, produz outro texto, trata-se mais de um trabalho de escrita do que de interpretação. Se queremos incentivar a leitura, é preferível estimular o contato como maior número de textos e usar essas atividades exploratórias esporadicamente. O estudante pode entender que para conhecer e interpretar um texto ele deve ser capaz de criar outro ao contrário, muito do prazer da leitura de textos, em especial o texto literário, reside na leitura mesmo, sem o compromisso de um prazer posterior. É evidente que a leitura de um manual de instruções, uma prática habitual. O mesmo não ocorre com a literatura.
A leitura é poderosa: instrui, educa, nutre o imaginário, ensina a olhar o mundo e as pessoas de maneira diferenciada, instrumentaliza a visão crítica e permite à pessoa construir a sua história e entender a dos outros.

















