Por Jessica Braz de Boer
1 Introdução
A evolução das mídias sociais tem produzido impactos significativos em diversos aspectos da comunicação, entre os quais se destaca a transformação da linguagem escrita. Com o surgimento de plataformas digitais como redes sociais, aplicativos de mensagens e fóruns online, observa-se uma mudança tanto no modo como as pessoas interagem quanto no desenvolvimento de novas formas de escrita. Este cenário, caracterizado por neologismos e abreviações, reflete as necessidades de rapidez, praticidade e adaptação que permeiam as interações no ambiente virtual, tornando este tema relevante para discussões acadêmicas e sociais.
Este trabalho tem como objetivo analisar a influência das mídias sociais sobre a linguagem escrita, enfatizando como os neologismos e as abreviações surgem e se disseminam nesse contexto. Além disso, busca-se compreender como essas transformações impactam práticas comunicativas cotidianas, o aprendizado formal da escrita e a percepção sociocultural da língua. A relevância do tema está na necessidade urgente de compreender as interseções entre a norma padrão e os usos informais promovidos pela tecnologia, contribuindo para debates sobre o futuro da língua e sua funcionalidade em um mundo digitalizado.
A pesquisa utilizou uma revisão bibliográfica como metodologia, focando em estudos atuais e referências fundamentais que discutem a dinâmica linguística nos meios digitais. Entre os principais autores contemplados, estão Araújo (2024), Pimentel (2011), Crystal (2005) e Silva (2012), cujas reflexões oferecem perspectivas complementares sobre o fenômeno. Além disso, são mencionados dados e análises publicados na Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro (2025) para contextualizar os impactos educacionais e sociais dessa transformação linguística.
O texto está organizado em várias seções que buscam desenvolver o tema de maneira integrada. Inicialmente, é abordada a presença dos neologismos e como eles têm moldado o vocabulário contemporâneo. Em seguida, explora-se o papel das abreviações e sua influência na agilidade da comunicação digital. Por último, são analisadas as implicações dessas mudanças na educação e nas práticas sociais. Essas discussões apontam para a complexidade das alterações desenvolvidas na linguagem escrita em tempos de interações instantâneas e ambientes digitais dinâmicos.
Conclui-se que, apesar das críticas dirigidas à influência das redes sociais na língua, essas mudanças demonstram a capacidade de adaptação e renovação da linguagem, o que reforça sua funcionalidade como ferramenta de interação. Ao longo do trabalho, será proposta uma reflexão que considera não apenas os desafios, mas também as oportunidades de integração entre a norma padrão e os novos usos linguísticos mediados pela tecnologia.
2 A influência das mídias sociais na evolução da linguagem escrita: neologismos e abreviações
A evolução das mídias sociais tem transformado significativamente a linguagem escrita, atribuindo um papel crucial ao surgimento de neologismos e abreviações. Essas mudanças não apenas ilustram a dinâmica dos idiomas contemporâneos, mas refletem também a adaptação às exigências de rápida comunicação e concisão nos meios digitais. Araújo (2024) destaca que o advento das plataformas digitais remodelou as práticas linguísticas essenciais para as interações sociais, especialmente entre os jovens, criando um cenário em que as normas formais e o uso coloquial convivem de forma única e dinâmica. Esse fenômeno evidencia o impacto das novas tecnologias nos processos linguísticos, rompendo barreiras tradicionais e moldando a maneira como nos expressamos.
Os neologismos modernos, particularmente populares nas redes sociais, nascem da urgente necessidade de adaptar os idiomas a contextos digitais em constante mudança e às tendências culturais emergentes. Pimentel (2011) ressalta que essa prática é especialmente marcante na publicidade e nos ambientes digitais, em que palavras emprestadas de outros idiomas e expressões inéditas têm fluído da linguagem informal para a formal, tornando-se parte integrante do discurso cotidiano. Essa transformação constante resulta em um repositório linguístico dinâmico e vivo que reflete, com precisão, as mudanças sociais, econômicas e tecnológicas que influenciam o comportamento humano.
As abreviações surgem como outro elemento fundamental da evolução da linguagem escrita impulsionada pelas mídias sociais. Essas expressões condensadas surgiram como resposta à necessidade de praticidade e agilidade nas interações digitais, muitas vezes em oposição às regras formais da língua. Araújo (2024) identifica o crescimento exponencial de siglas e termos encurtados que variam de “vc” (você) e “pq” (porque) a “blz” (beleza). Embora simples à primeira vista, esse fenômeno revela um importante processo de otimização da comunicação, refletindo as necessidades psicossociais de adaptação a ambientes virtuais acelerados.
David Crystal (2005) explora a flexibilidade e a criatividade da internet como um ambiente ideal para a experimentação linguística. A natureza adaptativa das plataformas digitais permite que os usuários transcendam as limitações das regras fixas de comunicação, personalizando a escrita para atender às demandas específicas de comunidades e contextos culturais. Para Crystal, a internet democratiza o uso da linguagem ao criar um espaço inclusivo para a criação de diferentes estilos e registros, que refletem não apenas as diversidades culturais, mas também a experimentação e inovação nos modos de transmissão da informação.
Além disso, as transformações na linguagem escrita que emergem das mídias sociais têm ramificações que vão além do ambiente digital, atingindo diretamente outros aspectos da vida, como a esfera educacional. A Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro (2025) discute como a escrita simplificada e informal usada em redes sociais influencia o desenvolvimento cognitivo de estudantes no ensino fundamental. Essa influência pode ser vista como uma espada de dois gumes: se, por um lado, aproxima os alunos da prática escrita cotidiana, por outro, apresenta desafios consideráveis na manutenção da norma culta, indicando a necessidade de um equilíbrio pedagógico sensível.
O “internetês”, conforme definido no contexto das mídias sociais, tornou-se um idioma próprio, caracterizado pela omissão de acentos, substituição de fonemas por números ou letras, e simplificação geral da linguagem. A adaptação a interações instantâneas levou a uma ruptura das normas tradicionais, criando uma nova estética textual que reflete a pressa e a pragmática da comunicação digital. Pimentel (2011) aponta que o internetês não apenas economiza tempo, mas também cria uma identidade própria para os usuários das redes sociais, promovendo formas inovadoras de interação que conectam comunidades globais e constroem um novo léxico coletivo.
As percepções dos universitários sobre essas variações linguísticas indicam uma crescente habilidade de adequação ao contexto comunicativo. Silva (2012) destaca a flexibilidade que os estudantes encontram ao transitar entre a linguagem formal das universidades e o ambiente mais descontraído das redes sociais. Essa habilidade transcultural reflete o impacto direto da convivência dessas normas na formação educacional e profissional de jovens adultos, promovendo competências comunicativas multifacetadas que atendem às demandas de diferentes ambientes sociais.
Outra perspectiva interessante destacada por Crystal (2005) é a capacidade das plataformas digitais de incentivar a inovação linguística. Palavras e abreviações criadas para contextos informais muitas vezes migram para discursos mais formais, sendo eventualmente incorporadas até mesmo a textos acadêmicos ou de negócios. Essa expansão demonstra a flexibilidade da língua em acomodar mudanças e a capacidade humana de moldar o idioma em resposta às mudanças de configuração social e tecnológica.
No campo da publicidade, o impacto das mídias sociais na linguagem escrita é especialmente notável. Pimentel (2011) aponta que os empréstimos linguísticos e expressões neológicas são amplamente utilizados para criar novas identidades de marca e capturar a atenção dos consumidores. As campanhas publicitárias modernas tiram proveito da natureza dinâmica da linguagem digital para se conectar com públicos diversos, incorporando neologismos das redes sociais como forma de garantir relevância cultural e engajamento emocional.
Araújo (2024) faz uma defesa robusta contra a visão tradicional de que essas alterações linguísticas representam uma deterioração da linguagem. Ela argumenta que essa transformação é, na verdade, uma manifestação da vitalidade e capacidade de evolução da língua. Por meio de acréscimos, adaptações e experimentações, a língua reflete e responde às necessidades de seus falantes, reforçando sua função social enquanto ferramenta de comunicação e expressão.
De maneira global, as mídias digitais introduziram um modelo de comunicação que transcende barreiras geográficas, permitindo a disseminação rápida de neologismos e variações linguísticas. A Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro (2025) destaca como as redes sociais funcionam como uma ponte cultural, transferindo expressões linguísticas entre diferentes comunidades e fomentando uma convergência entre idiomas e culturas de diversas partes do mundo.
Embora o “internetês” seja frequentemente criticado em âmbitos acadêmicos, ele também serve de catalisador para debates importantes sobre os métodos de ensino da linguagem. Silva (2012) argumenta que o reconhecimento da realidade das redes sociais nos currículos escolares poderia tornar o ensino mais atrativo e relevante para os alunos, equilibrando a norma culta e a coloquialidade com estratégias pedagógicas inovadoras para maximizar a eficácia do aprendizado.
Dentro das universidades, os estudantes parecem reconhecer a necessidade de adaptar seus estilos de escrita em função das expectativas daqueles que os lerão. Silva (2012) afirma que o domínio das habilidades de transitar entre registros informais e formais é uma competência essencial para o mundo moderno. Essa capacidade prepara os jovens para interagir eficazmente em contextos acadêmicos, profissionais e sociais, consolidando uma comunicação versátil e ajustada.
A tendência de oficializar os neologismos criados nas redes sociais como parte integrante do idioma é outro ponto de destaque. Pimentel (2011) comenta que a mídia escrita tradicional já começou a assimilar terminologias oriundas do universo digital, sugerindo que as palavras introduzidas por usuários de redes sociais poderiam, eventualmente, ser registradas em dicionários. Isso comprova o impacto significativo das redes na evolução da linguagem escrita e sua contribuição para a inovação linguística.
Os estudos de Araújo (2024) e Crystal (2005) convergem ao reforçar a ideia de que o impacto das mídias digitais na linguagem não deve ser encarado como um sinal de decadência linguística. Pelo contrário, as redes sociais democratizaram a construção e a negociação da língua, permitindo que milhões de pessoas participem ativamente da sua constante transformação. Essa renovação contínua destaca o poder da linguagem enquanto reflexo direto das experiências sociais, adaptando-se constantemente às inovações tecnológicas e culturais.
3 Considerações Finais
Os objetivos desta pesquisa foram plenamente atendidos ao analisar como as mídias sociais influenciam a evolução da linguagem escrita, com ênfase nos neologismos e nas abreviações. Foi possível compreender como a comunicação mediada pelas redes digitais tem fomentado uma transformação significativa na maneira como nos expressamos, adaptando-se a demandas de rapidez, eficiência e praticidade. Além disso, o estudo demonstrou que a língua, ao incorporar essas mudanças, evidencia sua capacidade de se renovar constantemente, sem perder a essência como meio de interação humana.
Essas transformações, embora desafiadoras para a norma padrão, também trouxeram oportunidades para a inovação da linguagem e para a criação de novas formas de expressão, especialmente entre os jovens. As discussões deste trabalho revelaram a flexibilidade e a resiliência da língua escrita, que continua a evoluir frente às exigências de um mundo digitalizado. Assim, conclui-se que o balanço entre o uso formal e informal da linguagem, além de ser desafiador, é necessário para garantir uma convivência harmônica entre tradição e modernidade no uso da língua.
4 Referências Bibliográficas
ARAÚJO, Luana Kalliany Lima. A influência das mídias digitais na linguagem escrita. 2024. 23 f. Monografia (Licenciatura em Letras-Português) – Universidade Estadual do Piauí, Santa Cruz do Piauí, 2024.
CRYSTAL, D. A revolução da Linguagem. Rio de Janeiro. Zahar, 2005. Disponível em: http://www.veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntasrespostas/linguagem.internet-celular.idioma-escrita-abreviada.jovens-adolescenteshtml. Acesso em: 17 jan. 2022.
DIGITAL LANGUAGE AND ITS INFLUENCE ON LEARNING TO WRITE AMONG ELEMENTARY SCHOOL STUDENTS. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, [S. l.], v. 3, n. 1, p. 1–17, 2025. DOI: 10.61164/rmnm.v1i3.3460. Disponível em: https://remunom.ojsbr.com/multidisciplinar/article/view/3460. Acesso em: 17 dez. 2025.
PIMENTEL, Marta Nascimento Faraco. Neologismos na mídia escrita: os empréstimos na publicidade. 2011. 190 f. Tese (Doutorado em Literaturas de Língua Inglesa; Literatura Brasileira; Literatura Portuguesa; Língua Portuguesa; Ling) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.
SILVA, Francisca Oleniva Bezerra da. Percepções de universitários acerca das diferentes formas de escrita: um estudo sobre as linguagens nas redes sociais. 2012. 149 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2012.

















