Por Ana Claudia Nunes Perotti
INTRODUÇÃO
O presente estudo foi feito com o intuito de buscar melhor entendimento com relação à ludicidade no processo ensino-aprendizagem, bem como reforçar a importância do uso adequado de atividades dessa natureza como um suporte vital e uma estratégia eficaz para o ensino de conteúdos que são propostos para a primeira etapa da educação básica tão especial como é a educação infantil. Quando enfatizada, essa relevância não significa que seja um meio único e suficiente que solucionará todas as deficiências que se fazem presentes na educação da atualidade. No entanto, utilizada de forma correta, a prática de ensino lúdica pode trazer grandes benefícios para a aprendizagem, e consequentemente, ao desenvolvimento dos indivíduos que estão no início da idade escolar, deixando claro que brincadeiras sem propósito ou com objetivo de apenas entretenimento, não são de maneira nenhuma, ensino lúdico.
Dentro deste contexto, questiona-se: O lúdico tem desempenho importante no auxílio do processo de ensino-aprendizagem? É possível fazer uso da ludicidade de forma a agregar algo permanente no processo do desenvolvimento intelectual dos indivíduos que estão inseridos na educação infantil?
Justifica-se a pesquisa pelo fato de haver uma latente necessidade de mudança na forma em que o ensino se encontra, estando preso a preceitos antigos e que não fazem mais sentido diante das constantes modificações que a sociedade vem sofrendo em virtude da acelerada evolução digital. Isso reverbera no ambiente escolar e tem se mostrado necessário repensar as práticas pedagógicas com o intuito de possibilitar aos estudantes o máximo de proveito daquilo que é ministrado em sala de aula, além de despertar um maior interesse em aprender, pois é evidente o declínio no aprendizado de uma considerável parte dos estudantes da contemporaneidade.
A Importância da Ludicidade na Formação do Indivíduo
Quando se aborda o estudo lúdico ou a ludicidade em sala de aula ,embora seja ela frequentada por pequenos aprendizes, não se refere apenas às brincadeiras, mas também a toda e qualquer atividade que rompa com a identidade tradicionalista na forma de ensinar e aprender da educação infantil. A criatividade, o jogo e a imaginação são aliados imprescindíveis à atividade/ensino, trazendo uma íntima interatividade entre os estudantes, à ação proposta e os demais participantes ativos e não ativos, no processo de formação desse indivíduo. O desenvolvimento permeado pelo lúdico traz muitos benefícios para a criança em início de idade escolar. É integralizado , de acordo com Amâncio e Amâncio ( 2015, p.1): ” Quando brincam, as crianças aprendem a ser criativas, descobrem suas potencialidades e desenvolvem sua intelectualidade, além de estimular o processo de socialização”.
Vygotsky (1984, p.61) mostra isso quando afirma que:
[…] muitas atividades dão à criança experiências de prazer muito mais intensas do que o brinquedo, como por exemplo, chupar chupeta, mesmo que a criança não se sacie[…] existem jogos nos quais a própria atividade não é agradável, como por exemplo predominantemente no fim da idade pré escolar, jogos que só dão prazer à criança se ela considerar o resultado interessante.
Nessa fase, a criança tem seu foco voltado, grande parte do seu dia, para brincadeiras (muitas vezes preferindo brincar a estudar ou realizar outras atividades que fujam desse território), pois, geralmente não existem atividades que despertem seu interesse em realizá-las. Atividades lúdicas bem elaboradas se sobressaem a brincadeiras sem propósito
Pensando em entender como orientar a criança no seu desenvolvimento social e cognitivo, é necessário levar em conta as necessidades dela e os incentivos que serão amplamente eficazes para só então, colocar em ação as práticas que farão a diferença no seu aprendizado(Vygotsky, 1998).
Por meio do ensino da atualidade, não é possível desenvolver materiais referentes ao ensino infantil ( assim como em qualquer outra modalidade de ensino), sem observar a realidade do estudante, pois é o meio onde ele, muitas vezes permanece por toda sua vida e precisa aprender a adaptar-se onde ele estiver.
Se forem bem projetadas, essas atividades podem fazer com que o estudante consiga grandes avanços no seu processo de ensino-aprendizagem e desperte a vontade de aprender durante toda sua caminhada escolar. Cada atividade precisa ter um tempo de duração previamente definido, ou seja, quando termina uma, inicia outra com níveis de dificuldade e propósito diferentes, tendo como base de elaboração, a progressão daquilo que é utilizado para que sejam desenvolvidas e consolidadas competências de forma gradual no indivíduo, isto é, a sua aplicação necessita ter objetivos claros, específicos e organizados de forma a não limitar precocemente aquilo que é apresentado, reverberando negativamente na capacidade dos alunos.
De acordo com Pereira, ( 2002, p. 17), “as atividades lúdicas permitem que o indivíduo vivencie sua inteireza e sua autonomia em um tempo-espaço próprio particular. Esse momento de inteireza e encontro consigo mesmo gera possibilidade de autoconhecimento e de maior consciência de si mesmo”. Ou seja, elas também contribuem( assim como afirma a autora acima) para que o indivíduo possa desenvolver-se e conhecer-se respeitando sua velocidade de cada um dos que estão fazendo parte desse processo de construção de determinado conhecimento. Siaulys( 2006, p.4) reforça esse pensamento quando diz:
A criança que não pode ver as outras brincando, que não sabe brincar junto e não entende as brincadeiras, tende a permanecer isolada em seu canto, podendo ficar marginalizada e ter prejudicado seu desenvolvimento, pois as crianças aprendem a brincar umas com as outras, observando-se mutuamente, movimentando-se juntas, imitando, participando de jogos.
Quando se refere à criança fazer o uso de atividades lúdicas não é de forma individualizada, mas sim, interagindo com outros indivíduos, sejam eles da sua faixa etária ou não. O propósito é o fortalecimento nas diversas áreas do desenvolvimento humano que são: a linguagem, adaptação, coordenação motora, psicomotricidade, afetividade e cognitiva.
A Metodologia da Escola e o Ensino Ideal
As metodologias adotadas servem de norte para todo trabalho educacional, por isso, elas precisam estar alinhadas aos princípios e objetivos da instituição de ensino. Pode-se até mesmo combinar duas ou mais linhas pedagógicas, desde que elas sejam complementares. A exemplo disso, temos os princípios da abordagem freireana que podem conviver bem com os métodos construtivistas, já que o aluno tem protagonismo em ambas as linhas. Para os gestores, vale a pena refletir sobre o alinhamento da metodologia com o PPP( Projeto Político Pedagógico) da escola, além de envolver os coordenadores e docentes nessa reflexão.
A importância da metodologia educacional as particularidades de algumas das mais praticadas no Brasil. Para a escola, é fundamental escolher as linhas e perspectivas pedagógicas alinhadas aos seus propósitos, além de sempre buscar a inovação para melhorar o desempenho dos pequenos.
A abordagem freireana é baseada nos conceitos elaborados pelo educador Paulo Freire. Nela, o repertório sociocultural do aluno é decisivo para a condução das aulas, pois se entende que a melhor maneira de assimilar um conteúdo é por meio da aproximação com as experiências de vida de cada um. Desse modo, o educador precisa ouvir e entender seus alunos, ajudando-os a ganhar confiança e compreender melhor o mundo por meio do conhecimento, isto é, desenvolver uma consciência crítica. O objetivo é, portanto, utilizar a educação como uma forma de emancipação social, cultural e humana.
Apesar de ser aplicada em qualquer nível de ensino, a abordagem freireana como resposta às necessidades da alfabetização de jovens e adultos, público ao qual Paulo Freire mais se dedicou. A metodologia construtivista é uma das mais alinhadas com as tendências da educação, pois coloca o aluno como protagonista de seu próprio aprendizado. Como o nome indica, acredita-se que o estudante não absorve o conhecimento, mas sim, o constroi de forma ativa, ou seja, a escola ensina “como aprender”.
Os professores são vistos então como mediadores desse processo, cabe a eles apresentar os materiais e propor problemas para que os alunos, de forma autônoma, possam refletir, levantar hipóteses e explorar conceitos. Nessa linha pedagógica, são utilizados os métodos ativos de aprendizagem, como desafios, gamificação( aprendizagem baseada em jogos), sala de aula invertida, debates, experiências mão na massa(cultura maker), projetos em grupos, entre outras atividades que propiciam maior envolvimento dos alunos na resolução de atividades dessa natureza.
As avaliações também não são vistas como “testes de conhecimento”, mas sim, como um instrumento para acompanhar a aprendizagem e são aplicadas sobretudo, avaliações diagnósticas.
A Formação de Professores para as Metodologias Ativas
Na reflexão sobre a formação continuada ou inicial de professores para o uso de metodologias ativas, pensar a melhor forma de implementação das diferentes propostas na realidade brasileira é um dos maiores desafios, mesmo porque não há uma realidade brasileira, mas várias delas. Encontramos escolas brasileiras nas quais as tecnologias digitais estão presentes de forma intensa, com certa obrigatoriedade de uso por parte dos docentes. Há ainda, escolas em que a tecnologias estão presentes e seu uso é facultativo, também encontramos escolas onde não existem tecnologias digitais à disposição, mas há entusiastas em seu uso, e ainda encontramos escolas sem nenhum indício da presença dessas tecnologias. Nessas muitas realidades,é possível pensar em metodologias ativas desde que seja uma forma sustentada de implementação, não como uma forma puramente disruptiva em relação ao modelo de ensino considerado “Tradicional”, mas caminhando em direção a essa possibilidade (Horn e Staker, 2015). Uma forma sustentada de atuação envolve ações como incentivar a utilização de metodologias ativas em diferentes momentos, de forma equilibrada, contextualizada e, principalmente, bem planejada. Mesmo sabendo que o planejamento norteia a ação do professor e não é um limitador, ter aulas bem planejadas é um suporte muito importante . A mudança de toda uma cultura escolar não pode ser feita subitamente e, em uma abordagem sustentada, ou incremental, é possível avançar porque, em determinado momento, seja possível oferecer algo novo como proposta em uma abordagem que realmente promova uma ruptura com o ensino “tradicional”. Nesse aspecto, o envolvimento das equipes da escola é fundamental. Algumas ações estão sob controle do professor que inicia a mudança em sua sala de aula. Gradativamente, desperta o interesse de outros professores da escola, que podem se envolver com a proposta e, nesse caso, é essencial o envolvimento de toda a equipe de gestão da escola, aprovando essas modificações e avaliando o impacto delas nas ações de ensino-aprendizagem e na instituição como um todo.
A pesquisa-ação, a experimentação e a possibilidade de troca entre os demais professores têm papel importante nessa formação. O registro por meio de uma filmagem, que pode ser feita a partir de um celular, da própria atuação em sala de aula, o pensar sobre ela e, depois, a oportunidade de discuti-la com os pares e a equipe diretiva, configura-se como ricamente de aprendizado.
Nesses momentos de análise do material produzido e selecionado pelo professor é possível confrontar-se com a imagem de seu trabalho e refletindo mais sobre ela. Segundo Clot.(2005,p.196), “a tarefa apresentada aos sujeitos consiste em elucidar para o outro e para si mesmo as questões que surgem durante o desenvolvimento das atividades com as imagens”, o que ainda segundo o autor, opera uma modificação na percepção da atividade realizada, possibilitando que ações do plano interpsicológico, por meio do diálogo com o outro manifestem-se intrapsicológico, no momento em que o sujeito, ao analisar suas ações e verbalizar sobre as condutas observadas, identifica condições de realizá-los da mesma forma ou, na maioria dos casos de uma forma aprimorando na próxima vez.
Resultados e discussão
Dentro do processo ensino-aprendizagem na educação infantil, é notório o trabalho com direcionamento a várias habilidades, assim sendo, é imprescindível que as questões teóricas e prática estejam envoltas no contexto educacional, não apenas para fins de uso nominal, mas para que o desenvolvimento sócio-cognitivo seja completo, levando o aluno a gostar do que está vivenciando e interiorizar esse conhecimento todo com a finalidade de avançar positivamente nas etapas da educação básica sem ficar lacunas no desenvolvimento de tais habilidades.. Considera-se ainda que, dentro do processo educacional, as constantes buscas pelos saberes( saber aprender, saber fazer, saber exteriorizar o aprendizado), sejam práticas prazerosas que façam com que o aluno se sinta integrado ao meio e obtenha o êxito necessário para se encontrar como sujeito que pratica o conhecimento adquirido por toda sua caminhada educacional e para sua vida cotidiana.
As crianças que aprendem brincando, observando seu professor e seus coleguinhas, recebendo ajuda para desvendar o segredo de uma determinada atividade, terão guardados em suas memórias para muitos anos o que vivenciaram na educação infantil, tendo como prêmio uma capacidade muito elevada de interiorizar outros conhecimentos que virão das mãos de outros mestres. Essas crianças iniciarão o ensino fundamental com força suficiente para construir saberes que utilizarão num futuro muito próximo e assim, passarão a conseguir integrar a classe daqueles que têm fome de aprender, de fazer, de quebrar paradigmas e crescer intelectualmente, se tornando sujeitos ativos e críticos na sociedade onde convivem.
Veja que, cada docente deve ser junto às habilidades dentro do processo educacional, ator e autor ao mesmo tempo, desenvolvendo para si e para os seus alunos e toda a comunidade escolar em geral, aptidões variadas que agregam valores históricos e culturais dentro do processo ensino-aprendizagem. Veja a citação de Pimenta:
Constroi-se, também, pelo significado que cada professor, enquanto ator e autor, confere à atividade docente no seu cotidiano a partir dos seus valores, de seu modo de situar-se no mundo, de sua história de vida, de seus saberes, de suas angústias e seus anseios, do sentido que tem em sua vida o ser professor. Assim como a partir de sua rede de relações com os outros professores, nas escolas , nos sindicatos e em outros agrupamentos.(Pimenta, 1996,p.76).
Acredita-se que as transformações que tanto sonham e pelas quais lutam os professores, se conquista de forma a abranger sucintamente o que ele aprende, ensina e ao mesmo tempo provoca dentro das esferas sociais, a começar pela escola, nos alunos, na comunidade escolar escolar, até chegar em todos os cidadãos da sociedade onde estão inseridos esses professores. Só assim, eles poderão ver o mundo transformado por aqueles que ensinam e com quem aprendem., colocando-os como protagonistas de ações que mudarão para sempre a vida de todos.
CONCLUSÃO
Conclui-se por meio do presente estudo que o professor tem um papel fundamental no desenvolvimento da criança nas suas primeiras noções básicas, pois é através dele que a criança vai se descobrindo como sujeito que aprende a aprender, aprende a fazer e, esses aprendizados são guardados para a vida toda se bem trabalhados. O cotidiano das crianças na escola, varia de acordo com o planejamento desenvolvido pelo professor em sala de aula, pois todas as atividades necessitam planejamento antecipado e bastante focado nas diferenças que sua classe apresenta, devendo seguir uma lógica cronológica e com conteúdos e atividades que façam com que as crianças consigam buscar meios de entender e desenvolver, com etapas previamente definidas para ir aumentando gradativamente as dificuldades e orientar as crianças nessa busca sucessiva pelo entendimento em todas a esferas do que lhes foi apresentado. Os métodos utilizados no desenvolvimento das crianças variam para que não se cansem facilmente, eles vão de brinquedos para montar até músicas e jogos educativos, tudo com o propósito único de desenvolver a aprendizagem de maneira lúdica.
Dessa forma, os professores são fundamentais, de extrema importância na vida das crianças durante todo processo ensino-aprendizagem, pois o papel que desenvolvem no desenvolvimento cognitivo delas, dentro do seu meio escolar, é crucial para a ascensão dos pequenos para o ensino fundamental. Sabe-se o quanto é importante também o empenho dos pais nessa fase tão bonita e reveladora das crianças, é a partir dessa fase que se descobrem as habilidades nos esportes, na musicalidade, nas ciências, nas linguagens, entre tantas outras habilidades importantíssimas para a vida do estudante. A escola tem um papel fundamental ao inserir a criança no meio social, levando conhecimento e informação que serão usadas na vida, com o intuito de formar e informar ajudando no desenvolvimento social e familiar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Amâncio, Karina Kelly;Amâncio, Jaqueline. O Lúdico e a Metodologia Educativa em Anos Iniciais do Ensino Fundamental. (1º ao 3º anos. Educon, 2015)
Anais[…] Aracaju,( V9.n1,pp.1 à 7, /set/2015)
Clot, Y. A Função Psicológica do Trabalho( Petrópolis: Vozes, 2006)
Horn, Michael B, e Stacker, Bundled,Usando a Inovação Disruptiva para Aprimorar a Educação ( Porto Alegre: Penso, 2015)
In: Porto, Bernadete de Souza(org). Ludicidade:O que é Mesmo Isso? (p.17,2002)
Pereira, Lúcia Helena P. A Ludicidade: Algumas Reflexões.
Pimenta, S. G. Formação de Professores- Saberes da Docência e Identidade do Professor. Revista Fac. Educacional SP (pp.76 a 89, jul/dez 1996- Vol 22).
Siaulys, A Importância do Ato de Brincar na Educação Infantil,(p.04,2006)
Vygotsky, A Formação Social da Mente(p.61, 1984)

















