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Artigo – Os desafios da gestão escolar

Por Pricila Moreira da Silva

1 INTRODUÇÃO

O presente estudo pretende investigar e ampliar o conhecimento e a discussão sobre os desafios enfrentados pelos gestores escolares e também destacar a importância do Gestor Escolar na instituição de ensino bem como auxiliar na superação de problemas enfrentados no dia a dia no ambiente escolar, destacando a seriedade do gestor educacional dentro das escolas e como isso como ele é importante para o trabalho produtivo de toda equipe, para um bom clima organizacional e uma gestão de qualidade na educação. Para que a escola alcance bons resultados na qualidade de ensino e para que a aprendizagem aconteça, é indispensável que o gestor seja mediador, atuante e participativo nas ações que abranjam a área pedagógica da escola. Para que realmente possamos ter uma educação de qualidade, são necessárias políticas públicas que envolva todo o sistema educacional, com a participação conjunta de líderes políticos, gestores escolares, professores, pais, alunos, empresas e a própria comunidade das escolas. Como então superar os desafios e assim garantir uma educação de qualidade? Qual a importância do gestor escolar na qualidade da educação? Como uma gestão escolar democrática e participativa pode ajudar no planejamento e qualidade da educação?

Através desta problemática pretendemos apresentar uma reflexão sobre técnicas e práticas de gestão que ajudem a aumentar os padrões de qualidade da educação, envolvendo todos que fazem parte da equipe escolar.

Sendo o gestor escolar o maior responsável pelas áreas administrativa, financeira e pedagógica da instituição de ensino, ele deve liderar uma gestão participativa e democrática na relação com os professores, funcionários e com a comunidade, ele tem como finalidade assumir o desafio de se trabalhar com os docentes a qualidade de ensino.

O gestor é a parte fundamental do processo educacional, tem muitos desafios a enfrentar e em inúmeras vezes irá sentir-se só.

Tendo como principal objetivo mostrar a importância do gestor escolar na instituição de ensino, por ser ele o principal na construção de um ambiente de ensino onde o diálogo e de participação de todos, seja a referência e influência nos resultados educacionais, que todos desejam. Mostrando assim que a gestão escolar que busca a qualidade da educação e uma escola eficaz, onde a liderança não é somente mais uma função exclusiva do indivíduo, é também uma função do grupo. Com isso Gestor Educacional deve possuir uma visão do futuro que para junto com a sua equipe alcance todos os seus objetivos. Com isso, ele influencia toda a comunidade, incentiva e a inspira na criação de um futuro melhor para seus educandos. Ao orientar suas práticas para o fortalecimento de sua própria autonomia, a escola pode construir o seu conceito de qualidade de ensino e adequar melhor a sua função às necessidades da comunidade.

O desenvolvimento do presente trabalho será através de uma pesquisa de abordagem qualitativa que é compreendida como aquela que dá maior profundidade e reflexão sobre o tema investigado. A pesquisa será baseada na investigação bibliográfica, ou seja, constituído de artigos científicos, livros, e internet. O presente estudo será organizado da seguinte forma, Introdução destacando a importância dessa pesquisa, na segunda seção apresenta alguns conceitos sobre Gestão Escolar e seus desafios para a qualidade na Educação; Gestão Democrática e Participativa e na última seção conclui-se o trabalho.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELO GESTOR ESCOLAR

A gestão escolar é uma das funções mais importantes na instituição de ensino, pois é a gestão que promove a organização, a mobilização e a articulação de todas as condições materiais e humanas necessárias para garantir assim a aprendizagem. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394/96 estabelece que a formação dos Gestores Educacionais deva acontecer em Cursos de Especialização, Pós-Graduação na área da Educação. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), em seu artigo 64 diz que:

A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional.

A educação é um processo que se deve ligar ao mundo do trabalho e à prática social, portanto, é necessária a participação para se construir projetos voltados às pretensões da comunidade. As ações educativas estão ligadas com as ações políticas, assim entendemos a importância que os gestores escolares possuem, ou seja, uma formação que venha ao encontro dessa demanda, com visão estratégica de futuro. Conforme Luck (2000) nos mostra:

“A escola se encontra no centro de atenções da sociedade. Isto porque reconhece que a educação, na sociedade globalizada e economia centrada no conhecimento, constitui grande valor estratégico para o desenvolvimento de qualquer sociedade, assim como condição importante para a qualidade de vida das pessoas.” Luck (2000).

As escolas procuram promover o desenvolvimento das potencialidades físicas, cognitivas e afetivas de seus alunos por meio da aprendizagem, para que com isso consiga transformar eles em cidadãos participativos e atuantes na sociedade em que vivem. Seu principal objetivo, portanto, são o ensino e a aprendizagem, que se unem pelas atividades pedagógicas, curriculares e docentes, estas, por sua vez, viabilizadas pelas formas de organização escolar e de gestão. A Lei de Diretrizes e Bases de 1996 reproduz o princípio a gestão democrática definido na Constituição, definindo-a em seu artigo 14:

Art. 14 – Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II – participação da comunidade escolar local em conselhos escolares ou equivalentes.

Para entender a importância da atuação do gestor escolar na organização do trabalho pedagógico na escola e na qualidade da educação, é preciso compreender os conceitos de política, planejamento, gestão e avaliação tomando como referência os conceitos do Programa Nacional de Pesquisa e Associação Nacional de Política e Associação na Administração da Educação (Anpae), quando estudados e desenvolvidos suas investigações (CAMPOS, 2009, p. 70):

Políticas são as orientações mais gerais do processo, a direção de atuação a serem efetuadas. Elas norteiam e lhes dão sentido. São as diretrizes ou linhas de ação, que norteiam ou definem práticas, como normas, leis e orientações.

Planejamento é o processo de elaboração de planos de ação que obedece e operacionaliza diretrizes com vistas à sua concretização.

Gestão é o processo de organização de execução de uma linha de ação, executar um plano. Embora haja uma visão de gestão com significado mais amplo, tomando – a como sinônimo de administração. Gestão é considerada como uma função ou parte de uma administração.

Avaliação é um processo de análise ou julgamento da prática. É um processo de acompanhamento garantidor da qualidade do processo educativo.

Com isso percebemos que o gestor precisa ter um perfil especial, que esteja atento aos diversos desafios e demandas sociais que vão surgindo e que também tenha novos conhecimentos e habilidades para que possa dar conta dessa educação que é responsabilidade de todos e que está sendo construída no dia a dia atendendo às características específicas da comunidade na qual está inserida e com a qual deve assumir um caráter educativo que desenvolva o ser humano.

Sendo que a escola é um ambiente importante e privilegiado, que realiza um papel fundamental na formação dos alunos resgatando valores, hábitos e conhecimentos e suas ações devem visar atender com qualidade as necessidades das crianças, atendendo as especificidades de cada aluno, contribuindo para o desenvolvimento integral do aluno, a mesma escola deve promover atividades que favoreçam as relações que a criança estabelece no cotidiano, sendo que o conhecimento científico é fundamental para o sucesso escolar na vida da criança.

O aluno é o componente principal da rede escolar, assim como todas as ações são voltadas para a aprendizagem do mesmo. Com isso, todas as atividades no ambiente educativo permitem tanto a aprendizagem quanto o exercício da cidadania.

A formação continuada para professores contribui para melhorar a qualidade do ensino através da qualificação, atualização e valorização do professor, a fim de garantir melhor desempenho dos alunos. Esses pontos juntam todos os envolvidos no processo educacional. O PPP é uma ferramenta de planejamento estratégico e de extrema importância, entretanto, só funcionará como instrumento de motivação na busca da qualidade, se for realmente construído democraticamente¸ envolvendo todos do grupo que atuam diretamente no processo educativo das escolas, e vivenciado em todos os momentos, em especial na tomada de decisão.

2.2 GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA E PARTICIPATIVA

A gestão democrática-participativa aumenta a participação da comunidade escolar nas decisões, idealiza a docência como um trabalho de interação com todos que fazem da rede de ensino, aplicada na construção coletiva dos objetivos e funcionamento da escola, por meio do diálogo e do consenso.

É importante que a escola não só proporcione o conhecimento, mas que também fortaleça as relações sociais, culturais e afetivas de seus membros. Para que isso aconteça, é necessária uma gestão que permita aos seus integrantes uma participação ativa na realização de objetivos que visam desenvolver metodologias para acompanhar as mudanças que a informatização tem provocado, e sanar os problemas que este ambiente venha encontrar por acolher as mais diversas realidades da sociedade atual a qual está inserida.

Segundo Santos (2008),

O importante é não perder de vista que o objetivo principal da gestão escolar que é criar condições para que os decentes desenvolvam bem o processo de ensino-aprendizagem, pois a boa gestão escolar é uma característica significativa de escolas bem sucedidas.

O Diretor-Gestor é um líder democrático, que trabalha, coopera, sugere que sabe fazer, participando das tarefas, que dizemos “nós” para avaliação dos efeitos positivos ou negativos da instituição. Ele é o guia da instituição que aprende e que ensina, assumindo responsabilidades, possibilitando a autonomia, interagindo, participando e buscando as soluções e construindo possibilidades. Os autores usados como referência neste trabalho destacaram a gestão democrática e participativa como sendo uma ferramenta de mudança e transformação para todos, professores, funcionários, pais, alunos, comunidade e principalmente à equipe gestora que para realizar uma verdadeira gestão democrática e participativa, proporcionando a participação efetiva da comunidade no processo educacional e na autonomia progressiva da escola, são imprescindíveis para a realização de um ensino de qualidade para todos. Os professores e os gestores precisam trabalhar juntos unidos para melhorarem a qualidade do ambiente escolar, criando as condições necessárias para o ensino e a aprendizagem mais eficaz, identificando e modificando os aspectos do processo do trabalho, considerados adversários da qualidade do desempenho.

Entende-se que a educação deve estreitar, ainda mais as relações entre a escola e a comunidade, visando relacionar a aprendizagem com o cotidiano do educando, transformando, assim, a escola num espaço de integração comunitária. Para se tiver uma escola com resultados positivos na aprendizagem, com aumento de rendimento, de satisfação dos alunos e professores e da participação da comunidade é necessário que haja a ação e envolvimento de todos da equipe escolar, visando um trabalho individual conectado em atuações coletivas, tendo como resultado o planejamento participativo. Segundo Silva (2005):

Um trabalho com ação participativa em que todos os integrantes têm um alvo comum é indubitavelmente satisfatório e positivo, enquanto um trabalho com discussões polarizadas, com ideias fragmentadas, não possibilitará resultados eficazes ou, nem mesmo, haverá nesse trabalho objetivos traçados visando o bem estar social e, em se tratando do aluno, a formação de um cidadão crítico e preparado para a sociedade.

Um gestor consciente e crítico deve ser aquele que promove um ambiente favorável para a participação de toda a comunidade escolar, seja ela dentro ou fora da escola, para que todos os seus membros possam se sentir responsáveis e atuantes no processo de ensino e assim contribuírem com ideias e soluções, criando um vínculo entre eles e a instituição. A gestão escolar participativa é aquela em que toda a comunidade participa do planejamento, execução e fiscalização dos recursos da escola. O processo participativo visa envolver todas as pessoas da instituição escolar na busca comum e na responsabilidade pelo todo da instituição.

As decisões são tomadas pelo conselho escolar, formado por representantes dos pais, alunos, professores, coordenadores, secretários e diretores escolares. Já a gestão escolar democrática tem como principio a participação de toda a comunidade escolar na gestão da instituição de ensino. Isto quer dizer o envolvimento de pais, alunos, professores, diretores, coordenadores pedagógicos, secretários escolares, secretários de educação e até prefeitos.

Assim o gestor consegue desenvolver a qualidade no ensino, liderando, planejando, com a participação de todos os envolvidos no cenário escolar, organizando, dirigindo e controlando todo o processo administrativo, utilizando-se de concepções e ferramentas administrativas para obter o sucesso tão desejado.

3 CONCLUSÃO

Após os estudos realizados podemos perceber claramente o quanto a presença do Gestor Escolar é necessária no ambiente escolar, pois seu trabalho caracteriza-se por um trabalho muito mais abrangente do que se possa imaginar, ele é comprometido com a formação de um sujeito/aluno criativo, ético, crítico e consciente de seus direitos e deveres, dando suporte a sua formação em geral, para que este possa atuar como cidadão na própria sociedade.

Sua atuação, hoje, relaciona-se ao compartilhamento de experiências, com todos os profissionais da educação, discentes, docentes, família e comunidade escolar, contribuindo assim para o processo de integração escola-família-comunidade, agindo como um elo de comunicação entre todos. Atua como mediador e conciliador, junto a todos os segmentos da escola, criando ações efetivas e concretas, evitando a evasão e a exclusão dos alunos, proporcionando uma educação de qualidade.

O Gestor procura todos os elementos necessários para que a escola desempenhe seu papel de ensinar da melhor forma possível de acordo com seu projeto político-pedagógico, promovendo as condições básicas para formação da cidadania dos alunos. Para que o processo de inclusão ocorra nas escolas regulares, professores, orientadores, gestores e pais têm de estar interagindo juntos para que o aluno possa se sentir amparado no decorrer do processo de aprendizagem. Ele também precisa estar atento às dificuldades, inquietações e sugestões pedagógicas do professor, interagindo dia a dia com este professor para que o processo de inclusão possa realmente acontecer e com sucesso, mais do que nunca se faz necessária na escola a contribuição do Orientador e Supervisor atuando como aliados para ajudar a escola e os alunos em especial para superar as dificuldades de aprendizagem e na construção de sua cidadania. É necessário também que as escolas desenvolvam atividades socioeducativas, trabalhando o desenvolvimento ético do aluno.

Podemos destacar que um bom gestor escolar é aquele que promove parcerias entre a equipe, ele envolve professores, coordenadores, orientadores, funcionários e sempre que possível às famílias, colocando todos no processo de decisão, com isso ele desenvolve a escuta, acolhe a equipe e oferece as ferramentas necessárias para que cada um dentro da escola seja capaz de encontrar soluções que favoreça a aprendizagem do aluno. Com isso conseguimos ter uma educação com planejamento e qualidade na educação.

4 REFERÊNCIAS

BRASIL (1996). Ministério da Educação e do Desporto. Lei de diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF.

CAMPOS, Casemiro de Medeiros. Gestão Escolar e Docência. Paulinas, 2009.

CATANI, A. M. et al. Gestão da educação: impasses, perspectivas e compromissos. São Paulo: Cortez, 2009.

FREIRE, Paulo, 1997. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra.

LIBÂNEO, J. C., Organização e gestão da escola: Teoria e prática, 5 ed. Goiânia: Alternativa, 2001.

LUCK, H. Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto à formação de seus gestores. Em aberto, Brasília, v. 17, n.72, 11-33, fev. /jun.2000.

MEC, 2009. Documento Referência: Conferência Nacional de Educação. Brasília: MEC.

SANTOS, C.R.S. A gestão educacional e escolar para a modernidade: São Paulo: Cegange Leanirg, 2008.

https://docplayer.com.br/21078149-A-importancia-do-gestor-escolar-na-qualidade-do-ensino-ofertado.html acesso em 15 de jul. 2020.

http://exame.abril.com.br/blog/crescer-em-rede/como-alcancar-uma-educacao-publica-de-qualidade/ acesso em 25 de jul. 2020.

https://monografias.brasilescola.uol.com.br/pedagogia/gestao-escolar-espaco-para-participacao.htm acesso em 21 de jul. 2020.

https://pt.scribd.com/document/306839503/GESTAO-ESCOLAR-1-1-PDF-pdf acesso em 28 de jul. 2020.

http://www.faal.com.br/arquivos/complm/Semana2Texto4.pdf acesso em 18 de jul. de 2020.

https://www.geekie.com.br/blog/gestor-escolar/ acesso em 05 de ago. 2020.

http://www.isciweb.com.br/revista/970-psicologia-educacional-e-gestao-democratica-no-ensino-publico acesso em 03 de ago. 2020.