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Caso Paula: um ano do desaparecimento e crime que chocou a região de Soledade

Na esquerda Paula Perin Portes. Na direita Delegada Fabiane Bittencourt. (Arte / Arquivo / ClicSoledade)
Na esquerda Paula Perin Portes. Na direita Delegada Fabiane Bittencourt. (Arte / Arquivo / ClicSoledade)

Na quinta-feira, 10/06, completou um ano do desaparecimento e crime que envolveu Paula Perin Portes, de 18 anos, no município de Soledade. Um caso complexo e de repercussão nacional, onde o corpo da jovem só foi encontrado na noite do dia 17/08/2020, enterrado em uma mata na localidade de Rincão do Bugre, interior do município.

A localização do corpo foi o reflexo de um longo trabalho realizado pela Polícia Civil de Soledade. A maior parte da investigação teve o comando da delegada Fabiane Bittencourt. “Eu sempre tive a convicção que iríamos achar o corpo, e a gente se dedicou para que isso fosse possível, com a participação de diversos agentes, trabalhando diretamente na investigação. Estávamos realmente focados na localização do corpo da Paula, trabalhando dia e noite, e até nos finais de semana”, disse Bittencourt.

A delegada lembra que, mesmo com anos de experiência na polícia, ficou impressionada com o que viu na noite da localização. “Eu pude perceber, por onde achamos o corpo da Paula, a brutalidade como tudo aconteceu. Ela estava enterrada, num local úmido, de difícil acesso. Esse não é o destino que esperamos para ninguém. Contudo ficamos muito satisfeito por ter localizado o corpo e ter entregue para a mãe da jovem”, relatou Fabiane.

Foto: Mauricio Orsolin / ClicSoledade
Foto: Mauricio Orsolin / ClicSoledade

Segundo ela, mesmo após a conclusão do inquérito, o Caso Paula conta até hoje com outros desdobramentos. “É possível perceber a amplitude deste crime, pois levou a outros. Os envolvidos pertencem a uma organização que vinha praticando diversos delitos na região, e que ainda seguem em investigação. Além disso, tivemos o caso de muitas pessoas que foram ameaçadas e estão sob proteção”, afirmou Fabiane.

A delegada conta ainda, que uma das testemunhas do Caso Paula, veio a óbito por problemas de saúde. “Nós tínhamos uma testemunha muito importante desse fato, que nos auxiliou na localização do corpo. Ela estava no programa de proteção a testemunha por causa do risco que corria, e infelizmente por questões de saúde acabou morrendo. De certa forma isso não é bom para a fase processual, mas temos tudo documentado e gravado”, pontuou.

Ainda, de acordo com a delegada, praticamente todos os detalhes foram esclarecidos. “Ficaram algumas pequenas questões na época, como o veículo que foi utilizado para o transporte da Paula. Nós não conseguimos identificar e nem localizar ele. Se tivéssemos localizado, teríamos uma prova a mais. Esse é um dos aspectos que ficou pendente, mas não é circunstancial na resolução do crime, mas agregaria ao conjunto”, esclareceu.

Foto: Maurício Orsolin / ClicSoledade
Foto: Maurício Orsolin / ClicSoledade

Outro aspecto abordado por Fabiane diz respeito a motivação do crime. “Não conseguimos esclarecer o real motivo. O telefone dela nunca foi encontrado, talvez se tivéssemos, teríamos mais provas. A Paula sabia de alguma coisa, tinha informações importantes, mas não conseguimos provar isso. Eu acredito, por convicção pessoal, que seja algo relacionado o com contrabando e comercialização de cigarros por parte dos autores do crime”, disse a delegada.

A maior parte desse grupo se encontra presa por esse crime e outros que cometeram. “Acredito que não tenham outros envolvidos além dos identificados nos autos. Um deles, que teria sido o mentor da morte da Paula, é um dos maiores líderes da facção Os Manos em Soledade. Ele estava vinculado diretamente com o contrabando e comercialização de cigarros na cidade. Sendo este o principal autor e juntamente com o último capturado em Santa Catarina, que também estaria bastante envolvido no crime. Assim, não acreditamos que tenha um mandande, mas sim que todos tenham envolvimento. No total quatro pessoas estão presas pela morte de Paula”, finalizou a delegada.

Relembre o Caso Paula

A denúncia do Ministério Público narra que na noite do dia 10 de junho um dos denunciados atraiu Paula para um imóvel localizado no bairro Fontes, em Soledade. Lá, em comunhão de vontades e conjugação de esforços com outros três comparsas, mataram a jovem de 18 anos por asfixia. Consta na peça que “para perpetrar o delito, um dos denunciados, dissimulando a intenção homicida, convidou a vítima, com quem já mantinha contato prévio por meio de redes sociais, para que se encontrassem sob o pretexto de ali confraternizarem”.

Foto: Arquivo Pessoal / Facebook
Foto: Arquivo Pessoal / Facebook

Em seguida, carregaram Paula até um veículo que foi estacionado por um dos acusados em frente ao local e a levaram até uma propriedade rural pertencente à família de outro dos denunciados, onde o corpo foi ocultado. Os demandados, inclusive, cobriram a terra revolvida com galhos e plantas. “Algum tempo depois da ocultação, após perceberem a enorme comoção gerada na comunidade pela morte brutal da jovem Paula e temendo que as autoridades policiais obtivessem informações a respeito do paradeiro do corpo ocultado, dois dos denunciados retiraram o cadáver do local inicial e o moveram até outra propriedade rural, na localidade Rincão do Bugre”, detalha a denúncia. O cadáver somente foi encontrado em 16 de agosto, mais de dois meses depois do homicídio.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Paula foi morta por motivo torpe, caracterizado por desejo de vingança nutrido por um dos denunciados por ela ter presenciado cenas de agressão praticadas por ele contra sua ex-companheira e também para que não contasse sobre o envolvimento dos denunciados com o crime organizado, com o tráfico ilícito de drogas e com cargas ilegais de cigarros.