“A próxima grande novidade do varejo virá da China. O futuro do setor está sendo desenhado naquele país”, salientou o empresário, co-fundador da FGCI, autor do livro O Poder da China e um dos maiores especialistas do mercado chinês, Ricardo Geromel, que proferiu a palestra de abertura na manhã desta quinta-feira (20), último dia da 43ª Expoagas, na Fiergs.
Em sua apresentação, intitulada “O Futuro do Varejo”, Geromel transmitiu uma visão estratégica sobre as transformações que já estão acontecendo no mercado e apontou para a China como um dos principais laboratórios de inovação do varejo mundial. A partir das experiências adquiridas desde 2009, quando passou a residir no país, e dos conceitos apresentados em seu livro O Poder da China, o palestrante mostrou como a relação econômica entre Brasil e China influencia diretamente nos negócios brasileiros. A China é, hoje, o maior parceiro comercial do Brasil, responsável por uma parcela expressiva das exportações brasileiras, especialmente de alimentos, com mais de dois terços da soja nacional tendo o país asiático como destino. Para Geromel, compreender a China é fundamental para antecipar os movimentos que chegarão ao varejo brasileiro.
Geromel trouxe exemplos de como tecnologia, logística, inteligência artificial e automação estão redefinindo a experiência de compra. Na China, robôs humanóides já atuam em serviços como entrega de alimentos, preparo de bebidas e atendimento ao consumidor, enquanto supermercados transformam suas lojas, integrando experiências físicas e digitais. Em algumas redes supermercadistas, mais da metade das vendas já acontece pelo ambiente online, com entregas realizadas em um raio de poucos quilômetros em cerca de 30 minutos. “O reconhecimento facial é uma das formas de pagamento mais recorrentes, além da possibilidade do consumidor acessar, via QR Code, a história e a origem dos produtos adquiridos, além, claro, da presença de robôs em operações logísticas que mostram um varejo que combina conveniência, tecnologia e experiência”, descreveu. A dimensão desse avanço também aparece na infraestrutura: a China possui mais robôs industriais do que o restante do mundo somado e vem criando soluções de automação em escala que antecipam tendências globais.
O empresário trouxe ao público dados que mostram a grandiosidade do mercado chinês na economia mundial. “O apetite do dragão é inexorável. Na China tem mais robôs industriais do que o resto do mundo somado. Você pede algo para comer no quarto de hotel, e quem entrega para você é um robô humanóide”, contou. Geromel também destacou que a Alibaba, fundada na China por Jack Ma, transformou-se em um dos maiores impérios empresariais do mundo, muito além do comércio eletrônico. O grupo atua em diferentes segmentos, com negócios que vão de plataformas de compras e venda de passagens aéreas a produção de filmes e comercialização de produtos tão diversos quanto rações para animais. Sua escala impressiona: em apenas um dia, a Alibaba movimenta um volume de vendas comparável ao que todo o e-commerce brasileiro movimenta em um ano. “Mais do que uma empresa de tecnologia, a Alibaba se tornou um ecossistema global que revela a dimensão, a velocidade e o poder de transformação do mercado chinês”, afirmou.
Outro eixo central apresentado por Geromel é a transformação do vídeo, do conteúdo e da influência digital em ferramentas de venda. Na China, existem milhares de empresas dedicadas exclusivamente à gestão de influenciadores, enquanto os chamados nano influencers, com poucos milhares de seguidores, ganham espaço pela proximidade e pela credibilidade. “A lógica é simples: humano compra de humano. Nesse cenário, toda pessoa e toda empresa podem se transformar em uma marca, e a relação com o consumidor passa a depender cada vez mais de confiança, autenticidade e conteúdo”, ressaltou Geromel.
O empresário finalizou a palestra, lembrando que “para o varejo, a pergunta deixa de ser apenas como vender mais e passa a ser o que estamos fazendo para que nosso cliente nos traga novos clientes?”. Na sua visão, o futuro será marcado pelo equilíbrio entre tecnologia e humanidade: “Não fique no meio termo. Seja ou muito humano ou muito tecnológico. O desafio será entender qual caminho cada empresa deve escolher, antes que o futuro chegue ao mercado brasileiro”.



















