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Debate entre candidatos ao Governo do RS aconteceu na manhã desta terça (18) na Expoagas

O primeiro debate dos candidatos ao governo do Estado, realizado na manhã desta terça-feira (18), integrou a programação da Expoagas 2026 – 43ª Convenção Gaúcha de Supermercados, realizada no Centro de Eventos Fiergs, em Porto Alegre. O painel “O que move o Rio Grande que empreende?” teve a participação de Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB). Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) não compareceram ao encontro. A mediação foi feita pelo jornalista Oziris Marins.

A abertura do debate foi feita pelo presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Jr., que defendeu a importância do diálogo com os candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul e a construção de uma agenda voltada ao desenvolvimento econômico do Estado. “Estamos aqui para defender o supermercadista gaúcho. Deveríamos ter quatro candidatos, porém dois deles acabaram não querendo vir participar do nosso debate”, afirmou. Peruzzo Jr. lembrou que “temos 83% de indecisos ainda, conforme a última pesquisa, e entendemos que isso é uma forma de nós debatermos, trazermos as demandas do nosso setor, ouvirmos os candidatos, entendermos quem melhor nos representará, pois hoje somos praticamente 170 mil colaboradores e responsáveis por mais de 9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre as prioridades defendidas pelo presidente da Agas estão a redução do tamanho do Estado, a diminuição da carga tributária e a criação de condições mais favoráveis para as empresas. Peruzzo Jr. também chamou atenção para a necessidade de maior segurança jurídica nas relações entre empresas e poder público, especialmente no que diz respeito às fiscalizações. “Precisamos trabalhar na questão das fiscalizações: o que é certo e o que é errado. A dosimetria das multas é fundamental. Bandidos devem ser tratados como bandidos e erros operacionais como erros operacionais”, destacou.

O encontro foi estruturado em quatro blocos e abordou temas como segurança alimentar, ambiente de negócios, emprego, competitividade, tributação, segurança jurídica, infraestrutura logística e o legado que cada candidato pretende deixar ao final de um eventual mandato.

Na abertura, os candidatos responderam sobre as razões pelas quais desejam governar o Rio Grande do Sul e quais seriam as prioridades de suas gestões. Gabriel Souza destacou a importância da continuidade das ações implementadas nos últimos anos, mencionando o equilíbrio das contas públicas, os avanços na segurança e a necessidade de preparar o Estado para a Reforma Tributária. Segundo ele, “o setor supermercadista tem papel estratégico por empregar mais de 170 mil gaúchos e manter contato direto com a população. O candidato afirmou, ainda, que o Estado não pode colocar em risco os avanços conquistados e defendeu uma agenda de responsabilidade fiscal, segurança pública e atração de investimentos.

Marcelo Maranata ressaltou sua trajetória de 35 anos no varejo e sua experiência empresarial, além da sua experiência como prefeito da cidade de Guaíba. O candidato defendeu que o Estado precisa incorporar um espírito empreendedor à gestão pública e apontou o desenvolvimento econômico, a infraestrutura, a educação e a qualificação profissional como pilares de seu plano de governo.

Segurança alimentar

No primeiro bloco, dedicado à segurança alimentar, os candidatos discutiram o endividamento dos produtores rurais, os impactos dos eventos climáticos sobre a produção e a necessidade de garantir o abastecimento da população. Maranata questionou como o próximo governo pretende enfrentar o cenário de endividamento dos agricultores e o déficit projetado para o Estado.

Gabriel Souza defendeu a criação de um programa de proteção às famílias de agricultores, com medidas para ampliar os prazos de pagamento das dívidas dos produtores e a prorrogação do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Também relacionou a segurança alimentar à capacidade de preservar a produção diante dos eventos climáticos. Segundo o candidato, o Estado precisa manter a produção funcionando para garantir que os alimentos cheguem às gôndolas com preços acessíveis.

Na réplica, Maranata destacou a necessidade de o próximo governador recuperar o espírito empreendedor do Estado. O debate também abordou a importância de políticas permanentes de prevenção e proteção contra eventos climáticos extremos.

Ambiente de negócios, emprego e competitividade

No segundo bloco, o debate avançou para a Reforma Tributária e seus impactos sobre as empresas gaúchas. Maranata defendeu o enxugamento da máquina pública, maior segurança jurídica e medidas para reduzir os impactos da transição tributária. Também mencionou a necessidade de criação de mecanismos para compensar possíveis perdas e fortalecer o ambiente para os empreendedores.

Gabriel Souza afirmou que a extinção dos atuais incentivos fiscais exigirá uma estratégia de transição, especialmente para setores como aço, calçados e alimentos. Como alternativa, defendeu a criação de um fundo de subvenção (valor em dinheiro dado pelo governo ou por órgãos públicos a fundo perdido) e uma política agressiva de atração de investimentos. O candidato também destacou que o Estado precisa manter capacidade de investimento e segurança pública para se tornar mais competitivo.

Na discussão sobre emprego, Maranata questionou a dificuldade das empresas para encontrar trabalhadores qualificados e a saída de gaúchos do Estado. Gabriel destacou a necessidade de atrair talentos e ampliar a qualificação profissional. Entre as propostas apresentadas, citou investimentos em escolas técnicas, ensino médio em tempo integral e ampliação da oferta de educação profissional.

A competitividade também foi associada pelos candidatos à educação, produtividade, segurança pública, ambiente de negócios, tributação e capacidade de atração de investimentos. Maranata enfatizou a educação como instrumento para elevar a produtividade, enquanto Gabriel citou avanços na segurança e na abertura de empresas como fatores de melhoria do ambiente econômico.

Perguntas do setor supermercadista

O terceiro bloco foi dedicado às perguntas da Agas, com foco em tributação, segurança jurídica, infraestrutura e condições de concorrência. Questionado sobre a possibilidade de reduzir a carga tributária incidente sobre alimentos essenciais diante da transição do ICMS para o IBS, Gabriel Souza afirmou que um dos principais desafios será preparar o Rio Grande do Sul para a Reforma Tributária. Defendeu a criação de um comitê de preparação, com participação dos setores produtivos, para identificar os impactos e oportunidades da mudança. Também ressaltou a necessidade de conciliar eventual redução da carga tributária com responsabilidade fiscal.

Sobre as obras prioritárias de infraestrutura logística, Maranata defendeu a articulação com o governo federal para garantir recursos e apontou a BR-290 como uma das prioridades, além da necessidade de investimentos na logística portuária e da discussão sobre o Porto de Arroio do Sal.

Outro questionamento tratou da comercialização, por farmácias, de produtos tradicionalmente encontrados no varejo. Gabriel Souza afirmou defender o livre mercado e a liberdade econômica, mas ressaltou que estabelecimentos que comercializam os mesmos produtos devem estar submetidos às mesmas regras de fiscalização.

As apostas eletrônicas também entraram na pauta. Maranata manifestou posição contrária às bets e afirmou que o fenômeno passou a disputar parte da renda das famílias, além de gerar impactos sociais que, segundo ele, precisam ser enfrentados pelo poder público.

O legado para o Rio Grande do Sul

No encerramento do debate, os candidatos responderam qual legado pretendem construir para o Estado ao final de um eventual mandato.

Maranata resgatou sua trajetória pessoal, desde o início da vida profissional até a atuação empresarial e política, e afirmou que pretende levar para o governo uma visão empreendedora, com foco no desenvolvimento econômico e na capacidade de gestão.

Gabriel Souza afirmou que pretende deixar um Estado mais competitivo e com maior qualidade de vida. Entre os objetivos apresentados, destacou a ampliação do ensino técnico e do ensino em tempo integral, com a meta de chegar a 100 mil matrículas, além da continuidade das ações de proteção contra as cheias. Também citou a ampliação da estrutura de proteção, incluindo novos diques, e defendeu a manutenção de uma política tributária competitiva.

O debate reforçou a importância de temas que vêm ocupando espaço nas discussões dos candidatos ao Piratini, como desenvolvimento econômico, infraestrutura, educação, qualificação profissional, responsabilidade fiscal, segurança e preparação do Estado para os efeitos da Reforma Tributária.