O segundo dia do julgamento do caso Paula Perin Portes, realizado nesta quarta-feira, 21 de outubro, na Câmara de Vereadores de Soledade, foi marcado pela continuidade dos depoimentos das testemunhas e pelo encerramento dessa etapa da instrução em plenário. Ao longo do dia, cinco testemunhas foram ouvidas, entre elas um policial civil que participou diretamente das investigações sobre a morte da jovem, ocorrida em junho de 2020.
Os trabalhos foram conduzidos pelo juiz José Pedro Guimarães, com a participação dos representantes do Ministério Público, da assistência à acusação e das equipes de defesa dos quatro réus: Gesriel da Cunha Wedy, Dionatan Portella da Silva, Micael Willian Rossi Ortiz e João Albino Abegg dos Santos.
INVESTIGAÇÃO POLICIAL EM DEBATE
Durante a manhã, foram ouvidas duas testemunhas. A primeira apresentou informações sobre uma relação profissional mantida anteriormente com um dos acusados, abordando aspectos de sua rotina de trabalho e comportamento naquele período.
Na sequência, um escrivão da Polícia Civil, que participou das investigações desde o registro do desaparecimento de Paula, prestou depoimento sobre as diligências realizadas para esclarecer o caso.
O policial relatou como a análise de imagens de câmeras de segurança contribuiu para que a investigação deixasse de tratar o desaparecimento como tal e passasse a trabalhar com a hipótese de homicídio. Também abordou as buscas pelo corpo, a localização de objetos pertencentes à vítima e as informações que levaram os investigadores ao local onde Paula foi encontrada, em agosto de 2020.
Ao longo do depoimento, os representantes da acusação questionaram as informações obtidas durante a investigação, enquanto as defesas buscaram esclarecer possíveis divergências nos relatos, procedimentos de identificação dos suspeitos e a existência de elementos materiais que sustentassem determinadas conclusões policiais.
O depoimento do escrivão se estendeu pela tarde, com questionamentos sobre as imagens de monitoramento, os registros telefônicos, as declarações colhidas na fase policial e a participação atribuída a cada acusado.

RELATOS SOBRE A LOCALIZAÇÃO DO CORPO E OS ACONTECIMENTOS DE 2020
Após a conclusão do depoimento policial, outras três testemunhas foram ouvidas.
Uma delas apresentou informações que, segundo seu relato, haviam sido repassadas por um familiar que colaborou com a polícia na localização do corpo de Paula. O depoimento abordou os acontecimentos posteriores ao desaparecimento, a indicação do local onde o corpo estava enterrado e o temor de represálias.
Os representantes da acusação e das defesas fizeram questionamentos sobre a origem dessas informações, as circunstâncias em que foram obtidas e possíveis divergências em relação a declarações anteriores.
Outra testemunha respondeu a perguntas sobre procedimentos adotados durante a investigação policial e contatos mantidos com pessoas relacionadas ao processo.
A última testemunha do dia prestou esclarecimentos sobre uma confraternização realizada na época dos fatos, especialmente sobre a presença de um dos acusados e os horários mencionados em depoimentos anteriores.

ENCERRAMENTO DOS DEPOIMENTOS E INÍCIO DOS INTERROGATÓRIOS
Durante os trabalhos, também ocorreram divergências entre representantes da acusação e das defesas, especialmente em relação à formulação de perguntas e à utilização de informações constantes no processo. Em diferentes momentos, o juiz José Pedro Guimarães interveio para esclarecer questões processuais e organizar a sequência dos depoimentos.
Ao final da noite, o magistrado declarou encerrada a fase de oitiva das testemunhas em plenário.
Na sequência, foi concedido um intervalo para que os advogados pudessem conversar reservadamente com seus clientes antes do início dos interrogatórios.
Após o recesso, teve início a etapa de interrogatório dos acusados, que permanecia em andamento.
O julgamento começou na terça-feira (20) e reúne quatro réus acusados de envolvimento na morte de Paula Perin Portes, caso ocorrido em 2020 e que teve grande repercussão em Soledade e na região. As responsabilidades individuais serão apreciadas pelo Conselho de Sentença, conforme as acusações submetidas ao Tribunal do Júri.

Foto Juliano Verardi – DICOM/TJRS
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