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Mãe de Paula Perin Portes relembra sonhos da filha e relata dor da perda durante julgamento em Soledade

O depoimento da mãe de Paula Perin Portes foi um dos momentos de maior emoção no primeiro dia do Tribunal do Júri dos quatro acusados pela morte da jovem, realizado nesta terça-feira, 20 de outubro, na Câmara de Vereadores de Soledade. Diante dos jurados, Marisete Lourdes Perin relembrou a trajetória da filha, os sonhos que ela tinha para o futuro e os impactos da perda na família ao longo dos últimos seis anos.

Paula havia completado 18 anos poucas semanas antes de desaparecer, em junho de 2020. Até então, vivia com a mãe em Fontoura Xavier e havia se mudado recentemente para Soledade, onde passou a morar com o pai na expectativa de conseguir um emprego.

Marisete contou que a mudança representava uma tentativa de iniciar uma nova etapa. “Ela disse assim: mãe, eu vou lá com o pai para Soledade. Se eu conseguir um emprego, eu fico. E, se não, eu volto”, recordou. Caso não encontrasse trabalho, Paula também considerava ir para Porto Alegre, onde tinha familiares.

Entre os principais sonhos da jovem estava o desejo de cursar Medicina Veterinária. A mãe relatou que Paula gostava de animais e que, pouco antes da mudança, havia pedido para levar um cachorro para casa. “Ela queria tanto ser veterinária, mas minhas condições não…”, afirmou, ao recordar as dificuldades financeiras que impediam a realização imediata desse projeto.

Paula também tinha uma ligação com o esporte. Participava de atividades de vôlei e futsal, disputava competições em municípios da região e guardava medalhas e troféus conquistados ao longo dos anos. Conforme Marisete, a filha costumava telefonar para contar sobre as conquistas. “Ela me ligava: mãe, consegui uma medalha de novo”, lembrou.

A mãe relatou que o quarto de Paula permanece preservado, com fotografias, objetos pessoais e lembranças da convivência entre as duas. “O quarto dela está lá, que eu não consigo desmontar. Não tem como para mim”, declarou.

Ao falar sobre a relação que mantinham, Marisete destacou a proximidade construída ao longo dos 18 anos. “Nós éramos muito unidas. A gente passou necessidade, passava fome, então nós éramos muito juntas”, relatou.

Ela também recordou o último Dia das Mães que passaram juntas, quando recebeu de Paula um travesseiro acompanhado de uma declaração de carinho. O presente permanece guardado como uma das lembranças da filha. “Eu vou levar a imagem dela, nós duas sempre juntas. Dezoito anos”, afirmou.

A BUSCA E OS ANOS DE ESPERA

Marisete também relembrou os mais de dois meses de buscas após o desaparecimento de Paula, em 11 de junho de 2020. O corpo da jovem foi localizado em 16 de agosto daquele ano, na localidade de Rincão do Bugre, interior de Soledade.

A mãe relatou que o período foi marcado por incertezas, dificuldades emocionais e necessidade de acompanhamento psicológico. Durante as buscas, recebeu apoio de familiares, profissionais e grupos que auxiliaram na divulgação do desaparecimento.

Ao falar sobre a ausência da filha, Marisete contou que mantém o hábito de entrar no quarto de Paula antes de dormir. “De noite, antes de deitar, eu entro no quarto dela e faço uma oração e peço para ela me dar força”, declarou, ao mencionar também a responsabilidade de cuidar do neto.

A mãe afirmou que datas comemorativas, especialmente o Dia das Mães, passaram a representar momentos difíceis desde a morte da filha. “Você sente o vazio que não tem mais graça de nada”, relatou.

Durante o depoimento, também foram apresentadas fotografias de diferentes momentos da vida de Paula, incluindo registros familiares, atividades esportivas e lembranças da infância e adolescência.

Ao ser questionada sobre o que espera do julgamento, Marisete pediu que os responsáveis pela morte da filha sejam punidos. “Eu só espero justiça, porque eles não mataram uma mulher, eles mataram uma menina. Uma menina, para mim, é uma menina”, afirmou.

O depoimento foi acompanhado pelos sete jurados que integram o Conselho de Sentença, responsável por decidir sobre a responsabilidade criminal dos quatro acusados.

O Tribunal do Júri segue nesta quarta-feira (21), a partir das 10h, na Câmara de Vereadores de Soledade, com a continuidade das oitivas. A expectativa é de que os debates entre acusação e defesa ocorram na quinta-feira (22), quando também poderá ser anunciado o veredito, dependendo do andamento dos trabalhos.