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Depoimentos no júri do caso Paula Perin Portes detalham acontecimentos da noite do crime e investigação policial

O primeiro dia do Tribunal do Júri dos quatro acusados pela morte de Paula Perin Portes, realizado nesta terça-feira, 20 de outubro, na Câmara de Vereadores de Soledade, foi marcado por depoimentos que abordaram os acontecimentos da noite de 10 para 11 de junho de 2020 e o trabalho desenvolvido pela Polícia Civil durante a investigação do caso.

Entre os relatos apresentados aos sete jurados esteve o de uma testemunha que afirmou ter presenciado os acontecimentos no imóvel localizado no bairro Fontes, onde, conforme a denúncia do Ministério Público, Paula foi morta por asfixia. Também prestou depoimento o delegado Márcio Marodin, responsável por conduzir parte das primeiras diligências após o desaparecimento da jovem.

OITIVA ABORDA ACONTECIMENTOS NA NOITE DO CRIME

Durante o depoimento realizado por videoconferência, uma testemunha relatou que a residência onde o crime teria ocorrido estava sendo utilizada por ela na época dos fatos. Segundo seu relato, um dos acusados havia solicitado autorização para utilizar o imóvel para um encontro com Paula, com quem mantinha contato pelas redes sociais.

A testemunha afirmou que a jovem chegou ao local para uma confraternização e que, inicialmente, o ambiente estava tranquilo. Posteriormente, outros três homens teriam chegado à residência, entrando sem convite após insistentes batidas na porta.

Conforme o relato apresentado aos jurados, a chegada dos três teria sido seguida por uma ação contra Paula. A testemunha afirmou que dois dos acusados participaram diretamente da asfixia da jovem, enquanto os outros dois permaneceram próximos dela, causando intimidação.

Ainda segundo o depoimento, Paula tentou se defender e teria feito pedidos para que a agressão fosse interrompida. A testemunha também relatou ter recebido ameaças para que não contasse o que havia presenciado.

Após a morte, conforme sua versão, o corpo da jovem foi retirado da residência pelos envolvidos. A testemunha afirmou que não soube, naquele momento, para onde ele havia sido levado.

Durante os questionamentos feitos pelo Ministério Público e pelas defesas, também foram abordados os depoimentos anteriores prestados à Polícia Civil, as circunstâncias em que a testemunha esteve presa durante a investigação e os motivos pelos quais teria apresentado inicialmente uma versão diferente dos acontecimentos.

A testemunha atribuiu as mudanças em seus relatos ao medo de ameaças e afirmou que atualmente se sente mais segura para prestar esclarecimentos.

As defesas também buscaram esclarecer a participação atribuída individualmente aos acusados, questionando as ações que teriam sido praticadas por cada um e as circunstâncias descritas durante o depoimento.

DELEGADO DETALHA INÍCIO DA INVESTIGAÇÃO

Outro depoimento foi prestado pelo delegado Márcio Marodin, que atuava em Soledade em 2020 e participou das primeiras etapas da investigação.

O policial explicou que o caso começou a ser investigado após o pai de Paula procurar a delegacia para comunicar o desaparecimento da filha, que havia saído na noite anterior e não retornado para casa.

A partir das primeiras informações, os investigadores identificaram que Paula havia deixado um encontro com amigos para se encontrar com um dos acusados em uma residência no bairro Fontes.

Segundo Marodin, as primeiras declarações colhidas indicavam que a jovem teria deixado o imóvel sozinha. Entretanto, o avanço das diligências e a análise de imagens de câmeras de segurança levantaram questionamentos sobre essa versão.

O delegado explicou que os registros permitiram observar a movimentação de pessoas e veículos nas proximidades do imóvel, incluindo a chegada de outros indivíduos durante a madrugada e a posterior saída de pessoas carregando algo que, conforme a interpretação policial, seria o corpo da jovem.

“Diante desse contexto, a gente percebeu que o Maicon e o Mikael estavam mentindo sobre o desaparecimento da Paula”, relatou o delegado, ao explicar o momento em que a investigação passou a considerar outras hipóteses sobre o ocorrido.

Conforme Marodin, as informações obtidas também levaram os policiais a investigar a possível participação de outros envolvidos. Durante as diligências, foram analisados relatos sobre onde os suspeitos estariam na noite dos fatos, além de informações recebidas pela Polícia Civil.

O delegado também abordou as buscas pelo corpo, incluindo diligências realizadas em propriedades rurais. Em uma das áreas vistoriadas, os policiais encontraram sinais de terra revolvida, levantando a suspeita de que o corpo pudesse ter sido enterrado e posteriormente removido.

Paula foi encontrada em 16 de agosto de 2020, na localidade de Rincão do Bugre, no interior de Soledade, após mais de dois meses de buscas.

IMAGENS DE SEGURANÇA E PROCEDIMENTOS POLICIAIS

Durante a oitiva do delegado, as defesas apresentaram questionamentos sobre os procedimentos adotados na investigação, os depoimentos colhidos e a interpretação das imagens de câmeras de segurança.

Um dos pontos abordados foi a possibilidade de identificar as pessoas registradas nas gravações. Marodin explicou que as imagens contribuíram para compreender a movimentação no local, mas reconheceu que não permitiam, isoladamente, identificar com segurança os indivíduos filmados.

Também foram discutidas as características físicas observadas nas imagens, especialmente a altura de uma das pessoas, e as limitações técnicas para estabelecer correspondência com os acusados.

Trechos das gravações foram reproduzidos em plenário, permitindo que os jurados acompanhassem os questionamentos sobre os horários, a movimentação de veículos e a saída de pessoas do imóvel.

As defesas ainda questionaram a realização de diligências complementares, a coleta de elementos materiais e os procedimentos utilizados para registrar declarações durante a investigação.

O delegado respondeu aos questionamentos com base em sua participação no inquérito e ressaltou, em diferentes momentos, que não recordava determinados detalhes, considerando o tempo transcorrido desde os fatos.

CONTINUIDADE DOS DEPOIMENTOS

As declarações apresentadas durante o primeiro dia integram a fase de produção de provas do Tribunal do Júri. Os relatos e os elementos da investigação serão analisados pelos sete jurados, juntamente com os argumentos que serão apresentados pela acusação e pelas defesas.

Os quatro réus respondem por homicídio qualificado pela morte de Paula Perin Portes, enquanto um deles também é acusado de ocultação de cadáver. A responsabilidade criminal de cada acusado ainda será decidida pelo Conselho de Sentença.

O julgamento segue nesta quarta-feira, 21 de outubro, a partir das 10h, na Câmara de Vereadores de Soledade, com a continuidade das oitivas.

A expectativa é de que os depoimentos sejam concluídos ao longo do segundo dia, permitindo o início dos debates formais entre acusação e defesa na quinta-feira (22), quando também poderá ocorrer o veredito, dependendo do andamento dos trabalhos.