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Acusação sustenta existência de provas para condenação, enquanto defesas dos réus contestam investigação no caso Paula

Com o encerramento dos depoimentos das testemunhas e dos interrogatórios dos quatro acusados pela morte de Paula Perin Portes, representantes da acusação e das defesas avaliaram os dois primeiros dias do Tribunal do Júri, realizado na Câmara de Vereadores de Soledade. As manifestações evidenciam posições divergentes sobre a investigação, a consistência das provas e a responsabilidade atribuída aos réus.

O julgamento, iniciado na terça-feira (20), é conduzido pelo juiz José Pedro Guimarães e envolve Dionatan Portella da Silva, Gesriel da Cunha Wedy, Micael Willian Rossi Ortiz e João Albino Abegg dos Santos.

Na acusação dos réus, atuam os promotores de Justiça Eugenio Paes Amorim e Marcos Paulo Frezza, pelo Ministério Público, além dos advogados Salete Terezinha Canello e Alisson Doneda, na condição de assistentes de acusação. A defesa dos quatro acusados é realizada pelos advogados Manoel Pedro Silveira Castanheira, José Ricardo Pinto, Felipe Borges de Oliveira, José Paulo Schneider dos Santos, Marco Alfredo Mejia e Marcos Vinicius Zanuzo.

MINISTÉRIO PÚBLICO SUSTENTA EXISTÊNCIA DE PROVAS PARA CONDENAÇÃO

O promotor de Justiça Eugênio Paes de Amorim avaliou os interrogatórios realizados na noite de quarta-feira (21) e criticou as versões apresentadas pelas defesas, especialmente as alegações de perseguição policial e os questionamentos dirigidos às testemunhas.

Ao comentar a consistência dos elementos reunidos no processo, o promotor afirmou que “A prova é cabal, não é mais que suficiente. A certeza tranquila, absoluta da autoria”, destacando que esse será o entendimento sustentado pela acusação durante os debates.

Amorim também defendeu a validade das provas circunstanciais e indiciárias, argumentando que esses elementos podem fundamentar uma condenação. Sobre a investigação policial, reconheceu que o trabalho poderia apresentar falhas, mas considerou que foi bem executado.

DEFESA DE JOÃO ALBINO QUESTIONA DEPOIMENTOS INDIRETOS

O advogado Felipe Borges Oliveira, integrante da defesa de João Albino Abegg dos Santos, afirmou que seu cliente manteve durante o interrogatório a mesma versão apresentada anteriormente, negando participação no crime.

Segundo o defensor, os elementos que relacionam João Albino aos acontecimentos dependem principalmente de declarações de pessoas que também foram investigadas e de relatos indiretos.

Oliveira questionou a consistência dessas informações e apontou divergências entre depoimentos prestados durante a investigação e no julgamento. Para a defesa, esses aspectos serão fundamentais na apresentação dos argumentos aos jurados.

DEFESA DE DIONATAN CONTESTA CONDUÇÃO DA INVESTIGAÇÃO

O advogado Manoel Pedro Castanheira, defensor de Dionatan Portella da Silva, afirmou que seu cliente mantém a mesma versão desde o início da investigação e sustenta não ter participado da morte de Paula.

Castanheira questionou a atuação policial e a interpretação de determinados elementos reunidos no processo. Também levantou dúvidas sobre o tratamento dado a uma pessoa que estava no local dos acontecimentos, foi inicialmente investigada e posteriormente passou a prestar declarações como testemunha.

O defensor afirmou que pretende apresentar aos jurados elementos que, segundo sua avaliação, demonstram inconsistências na acusação. A defesa buscará a absolvição de Dionatan.

DEFESA DE MICAEL AFIRMA QUE PROVAS SÃO INDICIÁRIAS

O advogado Marcos Vinícius Zanuso, responsável pela defesa de Micael Willian Rossi Ortiz, avaliou que os depoimentos apresentados nos dois primeiros dias não trouxeram novidades significativas em relação à fase anterior do processo.

Para Zanuso, a acusação está baseada principalmente em elementos indiretos e circunstanciais. O defensor também questionou a situação processual de uma pessoa que estava no local dos fatos e que, segundo ele, possui interesse em atribuir responsabilidade criminal aos acusados.

Ao ser questionado sobre a expectativa para o julgamento, Zanuso afirmou acreditar na absolvição não apenas de Micael, mas também dos demais réus.

DEFESA DE GESRIEL SUSTENTA NEGATIVA DE AUTORIA

O advogado José Ricardo Pinto, defensor de Gesriel da Cunha Wedy, destacou que a participação atribuída a cada acusado deve ser analisada individualmente.

Segundo ele, os depoimentos realizados até aquele momento estariam enfraquecendo os elementos apresentados contra seu cliente. A defesa sustenta que Gesriel não participou do crime e não estava no local dos acontecimentos.

Pinto também comentou os momentos de tensão registrados durante as oitivas, considerando que as divergências fazem parte do confronto de argumentos entre acusação e defesa.

JUIZ AMPLIA TEMPO DOS DEBATES E ADMITE JULGAMENTO ATÉ SEXTA-FEIRA

O juiz José Pedro Guimarães confirmou que os debates terão início nesta quinta-feira, 22 de outubro, às 10h.

Conforme o magistrado, cada lado terá três horas para apresentar seus argumentos, prazo ampliado em razão da complexidade do julgamento, do número de acusados e da quantidade de advogados envolvidos.

O juiz explicou que, caso ocorram réplica e tréplica, os debates poderão se estender por aproximadamente nove horas, sem considerar os intervalos e os demais procedimentos.

Sobre a previsão de encerramento, Guimarães afirmou que existe a possibilidade de o veredito ser conhecido ainda na quinta-feira, durante a noite, mas não descartou a continuidade dos trabalhos na sexta-feira (23), dependendo do andamento dos debates e das condições dos jurados.

O magistrado também destacou que pretende conversar com os representantes da acusação e das defesas antes do início das manifestações, buscando preservar a ordem e o respeito entre as partes diante das divergências verificadas ao longo do julgamento.

A decisão sobre a responsabilidade dos quatro acusados caberá aos integrantes do Conselho de Sentença, após a conclusão dos debates e a votação dos quesitos apresentados em plenário.