O terceiro dia do Tribunal do Júri do caso Paula Perin Portes foi encerrado na noite desta quinta-feira, 22 de outubro, após uma extensa jornada de debates entre acusação e defesas. Os trabalhos, realizados na Câmara de Vereadores de Soledade, sob a presidência do juiz José Pedro Guimarães, terminaram próximo das 21h, depois da apresentação dos argumentos relacionados à morte da jovem, ocorrida em junho de 2020.
Ao longo do dia, representantes do Ministério Público, da assistência à acusação e das quatro equipes de defesa apresentaram aos sete integrantes do Conselho de Sentença suas interpretações sobre as provas, os depoimentos das testemunhas e as declarações dos réus.
A sessão também registrou divergências sobre procedimentos investigativos, resultados periciais e a responsabilidade atribuída individualmente aos acusados.

MINISTÉRIO PÚBLICO SUSTENTA PEDIDO DE CONDENAÇÃO
Os debates começaram pela manhã com os promotores de Justiça Marcos Paulo Frezza e Eugenio Paes Amorim, que defenderam a condenação dos quatro acusados.
O Ministério Público argumentou que os depoimentos e as informações produzidas durante a investigação demonstram o envolvimento de Dionatan Portella da Silva, Micael Willian Rossi Ortiz, Gesriel da Cunha Wedy e João Albino Abegg dos Santos na morte de Paula.
Entre os pontos apresentados estiveram as imagens de câmeras de segurança, as declarações testemunhais e as diligências que permitiram localizar o corpo. Os promotores também contestaram as versões dos réus e defenderam a atuação da Polícia Civil.
Outro argumento foi o de que a responsabilidade pelo homicídio não depende necessariamente da execução direta da morte. Segundo a acusação, o Código Penal também prevê a responsabilização de quem contribui para a prática do crime.
Ao solicitar a condenação dos quatro acusados, o Ministério Público sustentou que o conjunto das provas é suficiente para demonstrar a participação de cada um.

ASSISTÊNCIA À ACUSAÇÃO DESTACA HISTÓRIA DA VÍTIMA
No início da tarde, os advogados Salete Terezinha Canello e Alisson Doneda deram continuidade às manifestações da acusação, abordando a trajetória de Paula, seus projetos pessoais e as consequências de sua morte para a família.
Durante a sustentação, foram recuperadas etapas das investigações, incluindo a localização da bolsa da jovem, as buscas realizadas na região e as informações que levaram os policiais ao local onde o corpo foi encontrado.
Os assistentes também apresentaram imagens e registros audiovisuais relacionados ao caso, defendendo a consistência do trabalho investigativo e dos depoimentos utilizados para fundamentar a acusação.
Ao final, reforçaram o pedido de condenação dos quatro réus.

DEFESAS QUESTIONAM PROVAS E SUSTENTAM INOCÊNCIA
Após um intervalo, tiveram início as manifestações das quatro equipes de defesa, que apresentaram argumentos específicos sobre a situação de cada acusado.
Os advogados Marco Alfredo Mejia e Marcos Vinicius Zanuzo, defensores de Micael Willian Rossi Ortiz, questionaram procedimentos investigativos e a confiabilidade de determinadas declarações. Também levantaram dúvidas sobre a situação de uma pessoa que estava no imóvel onde Paula morreu, mas não foi submetida ao julgamento como réu.
Na defesa de João Albino Abegg dos Santos, Felipe Borges de Oliveira e José Paulo Schneider argumentaram que não existem provas suficientes de sua participação no homicídio. Os advogados questionaram relatos indiretos, a identificação de pessoas nas imagens de monitoramento e a existência de conduta efetiva que justificasse a responsabilização criminal de João Albino.
José Ricardo Pinto, advogado de Gesriel da Cunha Wedy, defendeu a análise individualizada das condutas. Sustentou que seu cliente não esteve no local do crime e retomou o álibi relacionado a uma confraternização realizada na noite dos acontecimentos. Também argumentou que os depoimentos não demonstrariam atos concretos de participação no homicídio.
Encerrando os debates, Manoel Pedro Silveira Castanheira, defensor de Dionatan Portella da Silva, apresentou depoimentos e resultados periciais que, segundo a defesa, sustentam a negativa de envolvimento. Entre os pontos abordados estiveram o paradeiro do acusado, exames realizados em veículos investigados e questionamentos sobre a motivação atribuída pela acusação.
As quatro equipes defenderam a absolvição de seus clientes, contestando diferentes aspectos da investigação e da interpretação das provas.

DIVERGÊNCIAS MARCAM AS MANIFESTAÇÕES
Os debates registraram momentos de tensão entre representantes da acusação e das defesas, especialmente durante questionamentos sobre depoimentos, documentos e interpretações jurídicas.
Em diferentes oportunidades, o juiz José Pedro Guimarães interveio para esclarecer questões processuais, organizar as manifestações e assegurar a continuidade dos trabalhos.
As divergências envolveram principalmente a confiabilidade de testemunhas, a atuação policial e a caracterização da participação atribuída a cada acusado.

JULGAMENTO SERÁ RETOMADO NESTA SEXTA-FEIRA
Após o encerramento das manifestações iniciais, o juiz José Pedro Guimarães declarou concluídos os trabalhos desta quinta-feira.
A sessão será retomada na sexta-feira, 23 de outubro, às 10h, com duas horas destinadas à réplica do Ministério Público. Após o intervalo para o almoço, as equipes de defesa terão outras duas horas para a tréplica.
Encerradas essas etapas, caso os jurados não necessitem de esclarecimentos complementares, o Conselho de Sentença avançará para a votação dos quesitos que definirão o resultado do julgamento.
A expectativa é de que o veredito seja conhecido na tarde de sexta-feira, encerrando quatro dias de trabalhos do Tribunal do Júri na Câmara de Vereadores de Soledade.























